Uma história de vida musical
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sábado, 01 de outubro de 2011
Fernanda Borges <br>Reportagem Local 
A casa dela é uma verdadeira escola de música. Livros, instrumentos e partituras revelam que por ali já passaram centenas de pessoas em busca de aprender clássicos de Bach, Beethoven, entre outros gênios da era de ouro da música clássica. A londrinense Hylea Ferraz, tocou seu primeiro instrumento com cinco anos de idade, um piano antigo de sua família que sempre esteve ligada com a arte - a mãe dela, Walquíria Ferraz, é exímia professora de canto em Londrina.
Apaixonada pela música, Hylea passou pelas principais escolas musicais de Londrina como o Conservatório Musical de Londrina e a própria Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel) antes mesmo do grupo receber esse nome. Hoje, fundadora do Grupo Intermezzo, a musicista coordena apresentações culturais que contribui com o surgimento de novos talentos ligados à arte.
''Comecei a dar aulas de flauta contra a minha vontade porque eu sentia que não sabia nem para mim. Percebia que me faltava técnica. Depois comecei a ter aulas com Norton Morozowicz e fiquei nessa vida por uns três anos, viajando 800 quilômetros a cada quinze dias para ter uma hora de aula com ele e foi muito bom para meu aprendizado'', recorda.
Naquela época, Norton Morozowicz era considerado um dos melhores flautistas do Brasil e ainda hoje seu nome permanece extremamente forte no meio musical. Como ele morava em Curitiba, Hylea se deslocava até lá para estudar com o músico. A bagagem adquirida com o profissional somada ao talento da londrinense fez com que a música deixasse de ser simplesmente uma paixão e, então, passou a fazer parte de sua vida, no dia a dia e também na profissão.
Aos 18 anos de idade ela já tocava no Conjunto Música da UEL (antiga Osuel) e ministrava aulas de flauta transversal. O instrumento chegou em suas mãos por acaso, quando seu pai havia adquirido uma flauta do Japão para um de seus irmãos e ela acabou ''adotando'' o instrumento. ''Com o tempo fui entendendo que para se aprender música é preciso ter um exelente professor. A orientação é muito importante. Se você tem talento e não trabalha esse talento com um bom orientador, você o perde'', diz.
Filha do médico Alceu Ferraz, Hylea passou a ter o auditório da Associação Médica de Londrina como uma espécie de laboratório onde colocava em prática o que aprendia em aulas com o primeiro maestro da Osuel, Othonio Benvenuto. ''Na época eu era tão aluna quanto os outros, mas tinha a possibilidade de reunir alunos de vários conservatórios, várias escolas para se apresentar e isso foi muito bom para todos que se envolviam'', lembra.
Assim como ela, outros três irmãos de Hylea fizeram parte do ''embrião'' de formação da Osuel. Ter feito parte dessa história foi importante para sua carreria como musicista e hoje é motivo de orgulho, revela. ''Quando levamos a música, principalmente para aquele indivíduo que não a conhece, ele vai ter uma qualidade de vida melhor. Isso já foi comprovado de diversas formas. A pessoa que trabalha o cérebro com a música, tem menos possibilidade de desenvolver um AVC ou outras doenças'', comenta.
Intermezzo
Há 23 anos anos Hylea formou o grupo Intermezzo Música de Câmara que executa trilha sonora em mais de 1,5 mil cerimônias religiosas, aniversários e eventos sociais corporativos. Mensalmente, o grupo, que também tem o objetivo de profissionalizar o aluno, realiza um momento musical que concentra entre seis até 30 músicos, dependendo do evento.
Para a musicista, a música erudita - que esteve sempre presente em sua vida - deveria ser mais divulgada e incentivada entre a população geral, principalmente os mais jovens. ''Atualmente está se nivelando por baixo quando o assunto é qualidade musical. Percebemos que cada vez que fazemos uma apresentação para um público fora do tradicional, que não está acostumado a ir ao teatro, a gente se surpreende com o número de pessoas que gostam. Então por que as pessoas não consomem? Porque também há pouca divulgação. É um ciclo vicioso. Há falta de opção de escolha e as pessoas acabam não buscando coisas novas para ouvir. Nós nos consideramos um óasis no meio do deserto, mas não desistimos de ensinar e levar uma boa música às pessoas'', afirma.


