Uma história cheia de êxito na Justiça
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de agosto de 2010
Elaine Souza<BR> Reportagem Local 
A vida do desembargador Valter de Oliveira renderia fácil um livro. Natural de Borrazópolis e radicado em Apucarana, com apenas 26 anos ele foi aprovado no concurso de magistratura, sendo empossado juiz de direito em 1982, na cidade de Vilhena, em Rondônia. Em 1994, veio então o que seria uma das maiores vitórias de sua vida: a posse no cargo de desembargador do Tribunal de Justiça daquele estado. Na época, ele foi considerado o mais jovem juiz a ocupar uma função como essa. ''Os demais juízes que concorriam eram bem mais antigos e, certamente, mais experientes, mas os membros da Corte preferiram levar em conta o que consideraram como sendo um bom trabalho, reportando-se às minhas realizações como juiz da Vara Criminal e da Família, juiz Eleitoral e juiz presidente do Colégio de Pequenas Causas'', conta ele.
Com esse currículo também assumiu outras grandes responsabilidades, o que resultou em chuvas de elogios pelo dinamismo e celebridade com que conduz seu trabalho. E a explicação para isso é simples: sua folha corrida profissional impressiona muito mais. Uma semana após ser empossado como desembargador foi escolhido por votação para ocupar o cargo de vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral. Em 1996 assumiu a vice-presidência do Tribunal de Justiça. Seis anos mais tarde, em 2002, ocupou a presidência do Tribunal de Justiça de Rondônia e, atualmente, o desembargador é presidente da Câmara Criminal do TJ e diretor da Escola da Magistratura Estadual. Para completar, foi agraciado com o Colar do Mérito Judiciário, prêmio concedido pelos bons serviços prestados ao País e à Justiça. ''Atribuo, em primeiro lugar, a Deus todas as vitórias e conquistas da minha vida, e, em segundo lugar, à dedicação e esforço'', diz.
Nos primórdios, Valter de Oliveira pegava ônibus e viajava diariamente de Apucarana para Londrina, onde cursou direito, na Universidade Estadual de Londrina. Trabalhava na prefeitura do meio dia até as 18h, e à noite mergulhava nos livros. Nascido em uma família simples em 13 de agosto de 1956, tem mais quatro irmãos e carrega consigo lembranças de uma infância muito feliz, cheia de brincadeiras que até hoje figuram na memória. ''Na época não se dispunha da tecnologia de hoje, então as brincadeiras, em sua grande maioria, aconteciam nas ruas, nos campos de futebol e nos parques de diversão''.
Profissional supremo, com 28 anos dedicados à Justiça, como todo ser humano, Valter caminha lado a lado com alguns medos que a profissão lhe oferece. A que mais lhe preocupa está a remota, porém possível, possibilidade de condenar uma pessoa inocente. ''Eu sempre prefiro absolver um provável culpado a condenar um provável inocente. Este caso ocorre quando as provas de acusação não são seguras a tal ponto de sustentar um decreto condenatório. O juiz precisa decidir sabiamente para dormir com a consciência tranquila'', explica.
O homem que na adolescência queria ser médico é casado com a empresária Genilde de Camargo Oliveira, com quem teve dois filhos, Bianca e Thiago. Detém um invejável rol de amigos e é dono de uma fé incontestável. Longe dos holofotes que o cargo lhe proporciona, muitas são suas avaliações - como cidadão - sobre a Justiça brasileira. ''A justiça precisa ser aperfeiçoada. É preciso uniformizar os procedimentos em todos os estados e esferas. É preciso agilizar os julgamentos das ações propostas, capacitando mais juízes. É preciso haver mais tranparência nos atos administrativos''. Fica aqui o pedido de quem tem know-how suficiente sobre o assunto.


