Curitiba- Ele nasceu num dos lugares mais charmosos e ambicionados pelo jet set internacional: a Ilha de Capri, Itália. Para Ricardo Faiella o charme de ter nascido num berço de requinte e bom gosto acabou dando o tal rumo em sua vida. Como sua mãe trabalhava de chef numa casa de milionários por lá, o menino desde cedo acompanhava de perto a alquimia de transformar elementos culinários em néctares divinos. Daí nasceu a primeira faceta de Faiella: alma de confeiteiro.
''Minha mãe já trabalhava temporadas como chef na casa de uma francesa casada com um italiano. Eles tinham várias residências no mundo e ficavam quatro meses em Capri. Ela fazia banquetes para eles, que gostavam de receber os amigos em festas. Eu a ajudava. Gostava de ficar perto dela e ao mesmo tempo peguei a paixão em cozinhar e fazer sobremesas, que eram seu forte'', relembra.
Na época que isso aconteceu, Faiella tinha uns 9 anos de idade. ''Quando tive que fazer a minha profissionalização escolhi a Escola Albergueira, que era um curso profissional de cinco anos. Lá a maratona era puxada, pois era como trabalhar na vida real'', conta ao explicar a forma como desenvolveu seu talento. Assim Faiella passou a aprender as coisas básicas da culinária aliada a sua história.
Na escola, o chef aprendia de tudo, desde o modo de assar, grelhar os alimentos na teoria até cair na prática durante quatro dias da semana quando cozinhavam pratos típicos italianos e também grandes receitas internacionais. Mesmo assim o aprendiz já mostrava sua maior aptidão: doces. ''Os professores notaram o meu interesse e me deixavam mais envolvido na confeitaria''. E é um dom nato? ''Acho que sim'', responde avisando que este ''dom'' vem acompanhado de um bom paladar. ''Temos que experimentar tudo''.
Na escola Albergueira, outra facilidade para seu crescimento como um chef completo: as matérias de inglês e francês eram obrigatórias. Uma mão na roda para quem iria logo em seguida viajar à América. Apesar de já estagiar em grandes hotéis da ilha, ele queria mais e foi então que recebeu um convite para viver em Nova Yorque, EUA.
Chegando lá, o rapaz logo encantou com seus confeitos. Paralelamente ainda passava temporadas na Itália. Um ritmo sacrificante que durou anos e que acabou por convencer Faiella que era hora de parar. ''Estava sem vida pessoal, não tinha tempo para nada. Não tinha namorada e nem amigos. Em 1997 decidi ficar na Flórida. Comecei a trabalhar como confeiteiro, mas várias vezes o dono me deixava a responsabilidade de cuidar da cozinha inteira''. E foi aí que Faiella percebeu que poderia ter seu próprio negócio e também conheceu o amor de uma brasileira. ''No final de 2000, conheci a Keila, uma linda moça de São Paulo'', conta docemente ao falar da mulher com quem se casou e que acabou mudando sua vida.
Depois de Keila, ele deu uma guinada com seu próprio restaurante na Flórida. De lá os dois vieram ao Brasil de férias e resolveram pesquisar um lugar no Brasil onde poderiam viver e trabalhar. Foi aí que o casal chegou em Curitiba e percebeu que poderia colocar seu ideal de ter uma vida mais tranquila, ao mesmo tempo em que poderia fazer sua culinária mais moderna funcionar. ''Percebi que era uma cidade que se adaptava ao meu estilo de vida. Vejo Curitiba como uma cidade moderna e mais tranquila que as outras. O curitibano gosta de novidades'', constata.
Depois de escolher Curitiba encontraram o local onde há um mês abriram as portas do La Piccola Itália, um restaurante italiano com cozinha mediterrânea e doces cuidadosamente elaborados por Faiella. ''Minha proposta é diferente. São criações minhas''. Dentre essas criações que o levaram a ter a firmeza de investir por aqui está um maravilhoso ravióli de chocolate, iguaria indescritível e também uma série de surpresas que ele apresenta todos os dias a seus clientes, já que não há sobremesas descritas no cardápio. Ele não gosta de apresentá-las por querer sempre mostrar coisas novas.
E sobre a troca de um país de Primeiro Mundo para um do Terceiro, Faiella deixa clara sua visão otimista sobre o Brasil: ''Nunca achei que o Brasil fosse de Terceiro Mundo. Vejo como um país em evolução. Acho que o Brasil pode mudar muito''. Voilá.

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