Uma bonequinha perturbadora
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de dezembro de 2006
Diogo de Oliveira<br> TV Press 
Qualquer semelhança entre a carioca Lavínia Vlasak e a belga Audrey Hepburn não é mera coincidência. Alta e esbelta, de curvas finas e um sorriso demolidor, a atriz brasileira de 30 anos é freqüentemente comparada à musa que, em 1964, conquistou o mundo ao protagonizar o drama Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards. O novo corte de cabelo e os modelos dos figurinos usados por Erínia, personagem de Lavínia em Vidas Opostas, aumentam as semelhanças. A Erínia é uma mulher da moda. Está sempre ligada nas tendências e, hoje, temos uma moda meio retrô, meio marinheiro, anos 60. Então, por acaso, esse estilo conciliou com o momento que a Audrey viveu, explica.
No clássico do cinema, Audrey interpreta uma garota de programa nova-iorquina decidida a casar-se com um milionário. Na novela das dez da Record, Lavínia vive uma fogosa estilista que gosta de viver aventuras eróticas como transar em provadores de lojas e que fará de tudo para seduzir e se casar com o ricaço Miguel vivido por Leo Rosa. Mas apesar de terem histórias parecidas, a personagem de Lavínia promete ser bem mais ousada que a de Audrey. Em Prova de Amor, sofri e chorei demais na pele da Clarice. Agora, com a Erínia, vou fazer o contrário!, diverte-se a atriz, que encara a sua décima novela em dez anos de carreira na tevê.
Eu amo fazer vilãs! Me divirto horrores, confessa a atriz. Acredito que todos nós temos um lado bom e outro mau. Só que, na vida, tentamos ser bons por causa da lei do retorno. Acredito no ditado popular que diz aqui se faz, aqui se paga. Por isso, abafo o meu lado mau. E a Erínia me dá a oportunidade de poder brincar com esse outro lado e deixá-lo lá, sem levar para a minha vida pessoal. Então, está sendo maravilhoso para mim, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.
Para ela, as vilãs mais charmosas que as mocinhas. Elas são incentivadas, têm torcida. É muito louca essa inversão de valores. Isso me faz até parar para refletir sobre os valores que temos em nossa sociedade. Por outro lado, acho que nos últimos anos o público aprendeu a discernir, a separar o ator do personagem. Antigamente, os vilões levavam bolsadas na rua! Hoje não. As pessoas têm noção, argumenta
Conselhos de pai: A carioca Lavínia Gutmann Vlasak nem sonhava em ser atriz quando, aos 15 anos, seu pai o diretor financeiro Roberto Vlasak convenceu a filha a fazer um ensaio fotográfico. Em pouco tempo, a adolescente de corpo esbelto e contornos finos ganhou espaço nas passarelas da moda. Mas Lavínia não queria desfilar. Fui modelo apenas para pagar os cursos de teatro, garante. Por isso, logo que começou a modelar, ela se matriculou na Casa das Artes de Laranjeiras. Lá, estudou interpretação até os 19 anos, quando surgiu uma oportunidade na Oficina de Atores da Globo.
Talentosa e de beleza exuberante, não demorou a surgir seu primeiro papel: a rebelde Lia Mezenga, em O Rei do Gado. E nesses cerca de 15 anos como atriz profissional, Lavínia se especializou em teledramaturgia. Já fez nove novelas e a minissérie Chiquinha Gonzaga. Tanto que, fora da tevê, raramente atuou. No cinema, fez duas participações nos filmes Se eu Fosse Você e Gatão de Meia-Idade, ambos lançados no início deste ano. No teatro, interpretou poucos personagens. Fazer televisão é um desafio e tanto. São dezenas de cenas por dia, o ator tem de decorar o texto, fazer bem suas cenas e extrair as emoções necessárias, tudo em ordem desconexa. Mas eu amo fazer tevê, afirma.
Politicamente correta: Lavínia Vlasak não tem dúvidas quanto ao momento mais marcante da sua carreira: Foi a minha estréia na tevê, em O Rei do Gado, aponta, rapidamente. Mas quanto aos seus dez personagens, vividos nesses pouco mais de dez anos de televisão, escolher um não é tarefa das mais fáceis para atriz. Poderia ser sua primeira vilã, a Alice de Força de um Desejo, ou sua primeira mocinha, a Clarice de Prova de Amor. Todas, no entanto, tem um lugarzinho especial na memória de Lavínia. É difícil apontar um papel. Os personagens são como filhos. Não dá para distinguir um do outro em termos de importância, justifica.


