Qualquer semelhança entre a carioca Lavínia Vlasak e a belga Audrey Hepburn não é mera coincidência. Alta e esbelta, de curvas finas e um sorriso ‘‘demolidor’’, a atriz brasileira de 30 anos é freqüentemente comparada à musa que, em 1964, conquistou o mundo ao protagonizar o drama ‘‘Bonequinha de Luxo’’, de Blake Edwards. O novo corte de cabelo e os modelos dos figurinos usados por Erínia, personagem de Lavínia em ‘‘Vidas Opostas’’, aumentam as semelhanças. ‘‘A Erínia é uma mulher da moda. Está sempre ligada nas tendências e, hoje, temos uma moda meio retrô, meio marinheiro, anos 60. Então, por acaso, esse estilo conciliou com o momento que a Audrey viveu’’, explica.
  No clássico do cinema, Audrey interpreta uma garota de programa nova-iorquina decidida a casar-se com um milionário. Na novela das dez da Record, Lavínia vive uma fogosa estilista que gosta de viver aventuras eróticas – como transar em provadores de lojas – e que fará de tudo para seduzir e se casar com o ricaço Miguel – vivido por Leo Rosa. Mas apesar de terem histórias parecidas, a personagem de Lavínia promete ser bem mais ousada que a de Audrey. ‘‘Em ‘Prova de Amor’, sofri e chorei demais na pele da Clarice. Agora, com a Erínia, vou fazer o contrário!’’, diverte-se a atriz, que encara a sua décima novela em dez anos de carreira na tevê.
  ‘‘Eu amo fazer vilãs! Me divirto horrores’’, confessa a atriz. ‘‘Acredito que todos nós temos um lado bom e outro mau. Só que, na vida, tentamos ser bons por causa da lei do retorno. Acredito no ditado popular que diz ‘‘aqui se faz, aqui se paga’’. Por isso, abafo o meu lado mau. E a Erínia me dá a oportunidade de poder brincar com esse outro lado e deixá-lo lá, sem levar para a minha vida pessoal. Então, está sendo maravilhoso para mim, tanto profissionalmente quanto pessoalmente’’.
  Para ela, as vilãs mais charmosas que as mocinhas. ‘‘Elas são incentivadas, têm torcida. É muito louca essa inversão de valores. Isso me faz até parar para refletir sobre os valores que temos em nossa sociedade. Por outro lado, acho que nos últimos anos o público aprendeu a discernir, a separar o ator do personagem. Antigamente, os vilões levavam bolsadas na rua! Hoje não. As pessoas têm noção’’, argumenta

Conselhos de pai: A carioca Lavínia Gutmann Vlasak nem sonhava em ser atriz quando, aos 15 anos, seu pai – o diretor financeiro Roberto Vlasak – convenceu a filha a fazer um ensaio fotográfico. Em pouco tempo, a adolescente de corpo esbelto e contornos finos ganhou espaço nas passarelas da moda. Mas Lavínia não queria desfilar. ‘‘Fui modelo apenas para pagar os cursos de teatro’’, garante. Por isso, logo que começou a modelar, ela se matriculou na Casa das Artes de Laranjeiras. Lá, estudou interpretação até os 19 anos, quando surgiu uma oportunidade na Oficina de Atores da Globo.
  Talentosa e de beleza exuberante, não demorou a surgir seu primeiro papel: a rebelde Lia Mezenga, em ‘‘O Rei do Gado’’. E nesses cerca de 15 anos como atriz profissional, Lavínia se especializou em teledramaturgia. Já fez nove novelas e a minissérie ‘‘Chiquinha Gonzaga’’. Tanto que, fora da tevê, raramente atuou. No cinema, fez duas participações nos filmes ‘‘Se eu Fosse Voc꒒ e ‘‘Gatão de Meia-Idade’’, ambos lançados no início deste ano. No teatro, interpretou poucos personagens. ‘‘Fazer televisão é um desafio e tanto. São dezenas de cenas por dia, o ator tem de decorar o texto, fazer bem suas cenas e extrair as emoções necessárias, tudo em ordem desconexa. Mas eu amo fazer tev꒒, afirma.

Politicamente correta: Lavínia Vlasak não tem dúvidas quanto ao momento mais marcante da sua carreira: ‘‘Foi a minha estréia na tevê, em ‘‘O Rei do Gado’’’, aponta, rapidamente. Mas quanto aos seus dez personagens, vividos nesses pouco mais de dez anos de televisão, escolher um não é tarefa das mais fáceis para atriz. Poderia ser sua primeira vilã, a Alice de ‘‘Força de um Desejo’’, ou sua primeira mocinha, a Clarice de ‘‘Prova de Amor’’. Todas, no entanto, tem um lugarzinho especial na memória de Lavínia. ‘‘É difícil apontar um papel. Os personagens são como filhos. Não dá para distinguir um do outro em termos de importância’’, justifica.

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