Uma artista através do espelho
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Perguntar para a paranaense Maureen Miranda o que veio primeiro em sua vida - se as artes plásticas ou as artes cênicas - é como resgatar o velho dilema do biscoito. Ambas surgiram com ela e fazem parte da sua personalidade e características inatas. Autora de desenhos e ilustrações ímpares - já ilustrou para as revistas TPM e Joyce Pascovitch e para dois livros publicados - ela é atriz integrante da Sutil Companhia de Teatro, dirigida por Felipe Hirsh, e acumula participações em séries como a Grande Família e Som e Fúria, ambos da Rede Globo. Passear com desenvoltura entre as duas áreas é tarefa corriqueira da artista.
Acho que as mulheres em geral tem esse talento, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, brinca. Formada em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Tuiuti do Paraná, Maureen chegou a começar o curso de Teatro das Faculdades de Artes do Estado, mas logo passou a participar de espetáculos profissionais e deixou a vida acadêmica teatral. A estreia foi em grande estilo, em Alice Através do Espelho, dirigida por Paulo de Moraes, da Armazém Companhia de Teatro, um sucesso do começo dos anos 2000 por conta da montagem impecável e dos cenários intrigantes.
A partir daí aconteceu uma série de eventos que projetaram Maureen como um dos grandes nomes das artes cênicas do Estado. Ela trabalhou com os diretores Mauricio Vogue, Marcio Abreu, fez parte do Grupo Resistência de Teatro, um dos grandes nomes dos anos 1990 no cenário cultural paranaense, e logo passou a integrar a Sutil e a fazer parte do elenco de espetáculos nacionais, dirigidos por nomes como Cacá Rosset.
Foi essa convivência com nomes de projeção nacional, aliás, que catapultou a artista profissionalmente também no mundo das artes plásticas. Ela estava em um almoço com o diretor Hector Babenco, em São Paulo, quando deu a ele um de seus livros de ilustrações, As Puta Véia. O trabalho chamou a atenção de editores e jornalistas que logo fizeram uma matéria na revista TPM sobre o trabalho da moça. Daí ao reconhecimento, e a ascensão aconteceu em progressão geométrica.
Natural de Pato Branco, ela morou em Paranaguá durante a infância, e aos 16 anos mudou-se para Curitiba. Agora se considera uma autêntica curitibana, como gosta de dizer. Inclusive com as intempéries sentimentais inerentes ao imaginário de quem mora cidade. Eu preciso de Curitiba para criar. Quando estava no Rio de Janeiro, em temporada, eu e o Guilherme (Weber, também ator e integrante da Sutil) falávamos para as pessoas vão ler um livro, vão deprimir, conta. A brincadeira é uma referência ao comportamento circunspecto do curitibano.
Por outro lado, ela diz sentir muito orgulho da cidade que escolheu para viver. Podem falar o que quiserem, mas acho o máximo uma bagrinha como eu, que mora em Curitiba, poder tomar café com o Marco Nanini no intervalo de uma gravação, brinca. Recentemente, ela gravou mais um episódio de A Grande Família, interpretando a namorada do Tuco, personagem filho de Lineu, vivido por Nanini no seriado. Maureen se desdobra em elogios para falar do ator. Para mim, ele é um dos melhores do Brasil.
Na TV, ela também acumula participações em comerciais. São 54 ao todo. Se algum marcou? Ela é categórica: Marcou o dinheiro rápido, diz. Não que ela não selecione com cuidado os trabalhos de que participa, mas tem uma premissa. Sou atriz acima de tudo, diz. Agora, além de se preparar para começar os ensaios da nova peça da Sutil, que estréia no final do ano, ela também está dirigindo um texto seu para o teatro. Com a solidão como tema, o texto ganhou o prêmio nacional Miriam Muniz e tem estreia agendada para setembro.
Os projetos não acabam por aí. Na TV, ela vai apresentar um programa fixo para a Unicamp e ainda acumula ilustrações para livros e revistas locais e nacionais. Ilustrações que também passeiam pela moda. Ela desenha para a marca Cavalera, por exemplo, e uma grife curitibana também faz parte do seu repertório fashion.
A atriz acaba de voltar de uma viagem de um mês e meio pela Europa. Aproveitou a apresentação do espetáculo Avenida Dropsie em um festival da Espanha para fazer um tour pela região com os pais. Foi uma viagem renovadora, diz a atriz de 33 anos. É preciso se afastar para perceber os problemas. Ao mesmo tempo, quando você viaja, eles ficam pequeninhos, acredita.
Hoje, Maureen ela vive entre Curitiba e São Paulo, onde mantém apartamento.
Sobre o futuro
ela resume que quer apenas continuar tendo trabalho, seja nas artes cênicas ou plásticas. Com trabalho me sinto lúcida e feliz, conclui.


