Um voo até o topo
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Grandes histórias de sucesso sempre escondem um passado de luta. Em muitas delas, é comum escutar que tamanho status profissional jamais fora imaginado e que a projeção na carreira ocorreu de forma natural. É justamente dessa forma que a história de Fernando Sampaio é contada.
Aos 43 anos, ele é presidente da Sanofi Farma no Brasil, indústria farmacêutica presente em mais de 100 países e uma das quatro maiores do mundo. E apesar da agenda não permitir longos períodos de descanso, Sampaio diz que prioriza as visitas a Londrina, onde viveu até os 17 anos e é morada de muitos de seus familiares.
Em poucos minutos de entrevista é possível perceber o quanto ele mantém vivas as lembranças dos tempos em que morou por aqui e revela que gostaria de voltar se não fosse um grande motivo: a conquista profissional que o levou ao topo de uma multinacional.
Com um perfil informal para o cargo, Sampaio diz que acaba usando isso a seu favor. ''Acho que a maneira com que toco minha carreira e minha vida pessoal é um pouco diferente, talvez, do que os livros pregam. Eu não planejo, mas quando foco em algo procuro fazer da melhor forma possível e assim que as oportunidades vão surgindo vou conhecendo um pouco mais sobre mim, sobre o lugar onde estou e ocupo. Acredito que é assim que vou crescendo'', revela ao ressaltar que também foi inspirado por grandes líderes e acredita na própria vocação voltada para gestão e desenvolvimento.
Nessa trajetória de sucesso, porém, houve muito incentivo da família de origem portuguesa. Ele conta que seus avós imigraram para o Brasil durante a ditadura em Portugual, em meados dos anos 1940 e 1950, e após uma passagem rápida por São Paulo, decidiram morar no Norte do Paraná para investir em serviços de serraria e no comércio de materiais de construção.
Sampaio nasceu em Primeiro de Maio (Norte), mas veio morar em Londrina ainda pequeno. ''Comecei trabalhar aos 11 anos, em um depósito de material de construção. Eu trabalhava em cima do caminhão carregando pedra, areia, tijolo e cimento. Era uma empresa do meu avô e eu fiquei nesse serviço braçal por uns três anos'', conta.
A perda do pai, aos 6 anos de idade, fez com que ele e os dois irmãos trabalhassem cedo. ''Na minha família, o trabalho sempre foi considerado o elemento formador do caráter, por isso minha mãe nos incentivou desde pequenos a trabalhar muito, estudar bastante e praticar algum esporte. Isso influenciou muito na minha formação e, principalmente, na maneira de lidar com as pessoas'', acrescenta.
Futuro profissional
Foi com esses valores que Sampaio acumulou diversas experiências profissionais, entre elas a de goleiro no Londrina Esporte Clube (LEC). ''Eu era apaixonado por futebol e até fui campeão com o time. Só não segui esta carreira porque eu tinha a obrigação de trabalhar e estudar'', diz ele, que se graduou em Filosofia e Ciências na Faculdade de Cornélio Procópio (Norte), onde foi convidado para gerenciar uma empresa.
Sem imaginar o que o futuro profissional lhe reservava, Sampaio ingressou no curso de Administração de Empresas, mas não terminou por conta de uma nova área de interesse: a indústria farmacêutica. ''Eu tinha certeza que queria entrar na área, pois tive a influência do meu irmão mais velho que já havia trabalhado com isso. Eu achava um trabalho interessante porque meus clientes eram os médicos e isso para mim era um privilégio'', revela.
De porta em porta, Sampaio cumpria o trabalho como representante propagandista até começar a disputar oportunidades fora de Londrina. No Rio de Janeiro, se tornou gerente distrital de uma outra indústria farmacêutica e passou a estudar Marketing Empresarial. Pouco tempo depois, subiu para a vaga de gerente regional e se mudou para São Paulo.
''Em 2001, recebi um convite da Sanofi e voltei para o Rio de Janeiro. Comecei como gerente de marketing até ser promovido gerente nacional de vendas. Quatro anos depois, me tornei diretor de uma unidade de negócio e aprimorei minha condição técnica estudando Estratégia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos'', lembra.
Em 2009, foi promovido a diretor sênior de operações farmacêuticas e no ano passado assumiu a direção geral da Sanofi. ''Me sinto privilegiado. Meu trabalho hoje é desafiador, pois é uma indústria em constante transformação e que depois de um século funcionando dentro de um modelo tradicional, vive hoje um momento de muita transformação'', afirma.
Inovação
Com uma visão empreendedora e uma larga experiência, Sampaio explica que seu principal desafio está na dinâmica da competição da indústria farmacêutica. ''Hoje, o importante é o diferencial em relação à capacidade de inovar, de criar e agregar valor para o negócio, sabendo que a preocupação maior tem que ser a saúde. O que movimenta nossa empresa é a busca de novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida da população'', salienta.
Recentemente, a Sanofi foi premiada como uma das cinco melhores empresas para se iniciar carreira e, com isso, Sampaio aproveita para dar uma dica para quem está ingressando no mercado de trabalho. ''O importante é buscar uma empresa cujos valores sejam alinhados com os seus. Isso é muito valioso para o jovem de hoje'', diz.
E com a mesma informalidade mantida durante toda a entrevista, Sampaio diz olhar o passado com orgulho e, por isso, nos momentos de folga escolhe visitar Londrina. ''Sou apaixonado por essa cidade e, por isso, tenho a certeza de que um dia volto para cá. A força da minha família, os amigos e as pessoas que influenciaram minha carreira estão aqui'', confessa o londrinense de paixão, que como todo ''pé-vermelho'' não deixa de torcer para o Tubarão, passear pelo Lago Igapó e acompanhar as notícias locais. ''Leio o portal Bonde pelo celular, pois tudo que é de Londrina me interessa. Meu médico, dentista, cabeleireiro são daqui. Posso dizer que sou um verdadeiro londrinense que apenas não mora mais aqui. Por enquanto'', brinca.


