Se trabalhar com paixão é o segredo do sucesso, quando se trabalha com duas paixões o resultado é um verdadeiro espetáculo. Biólogo por formação e fotógrafo profissional, o londrinense Ronaldo Ronan Rufino, ou R.R. Rufino como é mais conhecido, conseguiu unir suas duas paixões ao retratar os biomas brasileiros. Recentemente, lançou "Cerrado", segundo livro da coleção "Luz, Cores e Formas", onde mostra a realidade desse ecossistema em 95 fotografias.
Para produzir a obra, Rufino passou seis anos documentando o Cerrado. "Em 2006 fui a campo e percorri 8 mil quilômetros fotografando parques federais e estaduais", conta o fotógrafo de 36 anos. Depois disso, entre 2006 e 2012, foram mais 7 mil quilômetros percorridos em viagens pontuais. Ao todo foram mais de 14 mil fotos somente para este livro.
Tão numerosas quanto as fotografias são as histórias que Rufino coleciona de suas viagens. "Hoje eu não vou a campo sem saber o que eu quero fazer. Mas sempre tem o elemento surpresa. Uma vez, por exemplo, fui desbravar uma cachoeira de 60 metros que caía do Pantanal para o cerrado e pensei ‘vou tomar um banho de cachoeira lá embaixo’. Desci e fui fotografando em uma caminhada de uma hora e meia, cerca de três, quatro quilômetros, e quando cheguei lá tinha uma sucuri de sete metros dentro da água", conta.
O susto, de acordo com Rufino, faz parte do trabalho. Um dos maiores que já passou, segundo o fotógrafo, ocorreu em 2003, na Serra da Bodoquena, no Pantanal, quando ia fotografar um incêndio ambiental. "Cheguei ao local de helicóptero, mas acabei ficando no lugar errado. Por sorte me deixaram com um rádio comunicador e eu fiquei pedindo por socorro." Depois de um dia inteiro de espera, Rufino foi finalmente resgatado por um helicóptero do Exército. "Eu estava me preparando para passar a noite ali. Tinha um pouco de água, um pacote de bolacha e já tinha até achado uma árvore para dormir, já que há onças naquela região."
O gosto pela fotografia, aliás, surgiu por causa da biologia. "Uma das minhas paixões são as orquídeas e eu queria fotografá-las, pois flor passa rápido. Foi aí que tive o primeiro contato com uma câmera fotográfica", explica. Já fotógrafo profissional, Rufino passou a contar com o conhecimento da biologia para realizar seu trabalho. "Toda a bagagem da biologia ajuda bastante na técnica. O comportamento dos animais possibilita boas fotografias. As aves, por exemplo, trocam as penas, então tem épocas melhores para você fotografá-las", explica.
Antes de lançar "Cerrado", Rufino já havia se aventurado pelo Brasil quando colheu material para o livro "Pantanal", lançado em 2005. Antes disso, ele trabalhou por quatro anos com fotojornalismo. Segundo ele, a violência urbana o afastou dos jornais, mas não do estilo de fotografar. "Uma vez fotojornalista, o ‘vírus’ te ataca e não sai mais". Hoje, além de retratar a natureza, ele faz trabalhos ligados ao agronegócio e à arquitetura.
A meta do fotógrafo é dar continuidade à coleção "Luz, Cores e Formas", com retratos da Caatinga, Mata Atlântica, Amazônia e Campos Sulinos. "Minha ideia é fazer um tributo à vida, expressar a vida, enaltecê-la", diz. "Temos uma abundância em diversidade e é isso que quero mostrar", explica. Para isso, Rufino coloca o homem em segundo plano em seus retratos. "Quando o ser humano aparece ele está mais contemplando do que interagindo com o ambiente." O objetivo, segundo ele, é mostrar a beleza desses biomas intocáveis.

SERVIÇO
O livro "Cerrado: Luz, Cores e Formas" pode ser adquirido nas Livrarias Curitiba ou pelo site www.rrrufino.com.br

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