Um tom de serenidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de maio de 2006
Mariana Trigo<br> TV Press 
Mariana Ximenes lembra com orgulho de quando chegou sozinha ao Rio, aos 17 anos, para fazer a freirinha Celi em Andando Nas Nuvens, da Globo a estréia havia sido um ano antes em Fascinação, do SBT. Nesses oito anos de uma carreira ascendente, a atriz atuou mais em novelas de época do que em contemporâneas. E mesmo a Bel, protagonista da contemporânea Cobras & Lagartos, mais parece uma personagem de época, já que a moça ostenta a mesma aura serena e inocente que acompanhou as donzelas que fez e insiste em não abandonar o rosto da atriz. Além da expressão de ''biscuit'', a paulistana, que vive a musicista e perfumista Bel na trama de João Emanuel Carneiro, parece ter saído de uma caixinha de música.
Com a coluna sempre ereta, gestos suaves e uma voz pausada, Mariana garante que sua personagem é o contraponto de todas as alusões ferinas da trama que explicita o exacerbado consumismo atual. ''Ela tem uma riqueza interior, a concentração da música com todos os aromas. Isso me fascina a cada dia, principalmente esse clima de paixão à moda antiga dela com o Duda'', revela, arrumando o generoso decote do vestido rubro.
O que mais fascinou a atriz, no entanto, foi a forma que Duda, personagem do mocinho vivido por Daniel de Oliveira, se apaixona por Bel. ''Foi através de um retrato pintado, da mesma forma, que o avô do meu marido se apaixonou pela avó dele'', derrete-se a atriz, se referindo ao marido Pedro Buarque de Holanda.
O hábito de assistir a concertos de música clássica também teve interferência nessa composição, segundo ela. ''Me ajudou muito. Estou cada vez mais encantada com esse universo. Já fui a vários concertos no Rio, em São Paulo e em Berlim, na Alemanha. Adoro assistir a orquestras, sou muito fã e acho deslumbrante. Mas jamais imaginei interpretar uma musicista. Por isso também assisti a alguns filmes sobre o assunto, vi documentários da Jaqueline Dupré, que foi minha musa inspiradora, a maior violoncelista dos últimos tempos''. Quanto a aprender algum acorde no violoncelo para tocar em cena, nem pensar. ''Imagina! É muito difícil! Estou apenas aprendendo o posicionamento das mãos, a parecer ter maleabilidade para aparentar uma intimidade com o instrumento. Não tenho nenhuma pretensão de aprender a tocar de uma hora para outra. Até porque dói muito. Utilizamos articulações que não usamos em outras situações. Tive de fazer acupuntura para poder soltar essas articulações e sofri um pouco com isso. O lado menos penoso dessa personagem foi aprender a mexer com essências e estudar aromaterapia''.
Apesar da constante reciclagem visual para suas personagens, Mariana não se esquece de cuidar de outros instrumentos de trabalho, como a voz e o corpo. Além das aulas de ioga e ginástica com personal trainer, atualmente a atriz tem se preocupado mais com as aulas de voz e de violoncelo. ''Vou priorizando o que é mais importante no momento. É preciso ter jogo de cintura nessa profissão''.
Dedicação integral Apesar da pouca idade, Mariana assume que já é quase uma veterana na telona. Com apenas 25 anos e 10 longas no currículo, entre eles O Invasor, de Beto Brant, e O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca, a atriz garante que recusa diversos papéis no cinema atualmente. Seu processo de seleção para aceitar uma personagem em um filme parece ser ainda mais rigoroso que na tevê. A atriz costuma fazer uma pesquisa sobre o roteiro proposto, analisa as informações da personagem e checa toda a equipe envolvida no projeto. ''É um conjunto de fatores que não pode passar despercebido. É uma questão matemática também. Às vezes, um roteiro nem tão bom pode ser interessante se tiver um bom elenco e um diretor competente''.
Para ficar segura em suas decisões, Mariana tem se cercado de informações mais específicas sobre cinema. Tanto que a atriz, nas horas vagas, sempre se vê envolvida com a leitura de algum livro sobre roteiro. ''Na verdade, não há manual de instrução. Aprendo a técnica e me deixo seguir pela intuição, pelas sensações do momento''.
Mas toda a técnica e sensibilidade são complementadas por um cuidadoso trabalho de composição em cada personagem. É nessa hora que Mariana também costuma entrar em cena para sugerir idéias de figurino e visual para suas personagens. ''Adoro mudar de visual! Sempre arrumo um pretexto para isso no meu trabalho!'', assume a atriz, que já teve cabelos longos, encaracolados, curtos e de diversas cores. ''A técnica do megahair nos permite diversas composições'', comemora, alisando as atuais madeixas de megahair tingidas de ruivo.


