Raul Boesel nasceu para brilhar e ser admirado. Em 30 anos como piloto - ele passou pelas categorias mais importantes, como Fórmula 1 e Fórmula Indy - ganhou prêmios, notabilidade e dinheiro. O amor pelas pistas continua em alta, só que hoje ele é o DJ Raul Boesel, profissional requisitado que vem ganhando fama como tal dentro e fora do Brasil, agitando consagradas festas e casas noturnas.
O amor pela música não foi um acaso ou floreceu do dia para noite. Na infância ele começou um namoro com o rock, recheando suas fitas cassetes com esse que era o estilo da época. Depois flertou com a disco e, atualmente, tem um caso sério de amor com a música eletrônica. ''Acompanhei toda essa evolução. Em 1980 tive a oportunidade de assistir ao vivo o show 'The Wall' do Pink Floyd, em Londres. A vida inteira a música me acompanhou, seja fazendo ginástica, em casa ou viajando. Automobilismo e música sempre foram minhas paixões'', contou ele para a FOLHA.
Desde o final de 2006 que Boesel acorda pensando em música ao invés de motores e pneus. Desse tempo para cá ele se consolida nessa profissão cada dia mais competitiva. Até chegar aonde está (Raul integra o casting de uma das maiores e mais bem-sucedidas agências de DJ's do Brasil, a 3Plus, e cumpre uma invejável agenda de apresentações) o paranaense teve que ralar. Se trancou em casa durante 8 meses e, com oito horas diárias de muito estudo e prática, sentiu-se pronto para encarar as pick-ups pela primeira vez. ''Sempre gostei de música eletrônica, mas não sabia nada sobre a arte de ser DJ. Fabio Castro, DJ e produtor, foi meu professor''.
Boesel já entrou famoso no time dos grandes DJ's do Brasil, afinal, era o Raul Boesel das pistas de corrida. Esse apogeu de certa forma ajuda a chamar público para as festas, mas, segundo ele, se torna uma faca de dois gumes, já que a fatia dos denominados curiosos vão para conferir se o curitibano manda bem mesmo ou leva o atual ofício como uma brincadeira, um hobby. ''Existe uma curiosidade e também um preconceito. A maioria das pessoas fica surpresa quando me observa tocando. A reação é sempre positiva. Hoje, depois de quatro anos, já consegui provar que levo muito a sério e que é um trabalho profissional''.
A onda de famosos que tornam-se DJ's de uns tempos para cá virou, de fato, um modismo, mas é de longe um uniforme que Raul jamais aceitou em vestir. Com técnica e muito estilo, seu som, com pegadas mais groove, e sua indiscutível visão de pista, alavancaram sua credibilidade, que anda cada vez mais sólida. O resultado está impresso na sua frenética rotina profissional. ''Estou com uma agenda cada vez mais cheia dentro e fora do Brasil. Acabei de voltar de Ibiza, onde fiz cinco apresentações em clubes pequenos, mas onde tocam DJ's internacionais famosos. Já é um grande passo para onde quero chegar''.
Esse caminho a ser trilhado e alcançado tem como objetivo tocar em grandes festivais no Brasil e no exterior. Para tanto, ele continua se atualizando com fôlego categórico. ''Estou aprendendo a produzir, o que não é fácil, e preparando o meu primeiro Mix CD para comercialização'', revela. E para aqueles que acham que as profissões nas quais Boesel brilhou e brilha com magnitude não possuem similaridades, ledo engano. ''Existe, sim! As duas exigem muita precisão, por exemplo fazer uma curva perfeita e uma mixagem perfeita. O bom no caso do DJ é o contato direto com o público. Você sente a reação e a vibração na hora, e isso é muito contagiante. Já no automobilismo você só sente isso quando está no pódio e é por alguns minutos. É claro que existe a emoção da pilotagem e da disputa, que é muito egoísta, é você e seu competidor, não existe o contato direto com o público por horas como é o caso do DJ''.

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