Um passo de cada vez
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quarta-feira, 18 de abril de 2001
Rodrigo Teixeira TV Press 
Basta alguns minutos de conversa com Carlos Casagrande para perceber que o ator é a cordialidade em pessoa. Mais do que isso. É de uma sinceridade quase ingênua, raramente vista em atores de televisão. Empolgado com o personagem Caio de Roda da Vida, nova novela da Record, esse paulista de 32 anos assume que ainda precisa aprender muito para se tornar um bom ator e prefere que o aprendizado seja numa emissora que não ocupe o primeiro lugar no Ibope. Audiência baixa para mim é ótimo. Fico menos sujeito a críticas, diz Casagrande, referindo-se ao baixo Ibope das novelas da Record não chegam a dois dígitos. Dono de grandes olhos verdes e de um físico invejável 90 quilos distribuídos em 1,89 m o ator é um modelo do que as mulheres chamam de bom menino.
Elogiado rasgadamente pelas colegas de profissão, como Cássia Linhares e Christine Fernandes, Carlos Casagrande afirma que jamais passou dos limites em cenas mais românticas e que seus beijos, na novela, são técnicos. Além de ficar feio em cena, beijo de verdade é o tipo de coisa que só se faz com a própria namorada, acredita o ator. O estilo comportado e extremamente dedicado à profissão provocou a simpatia da Record. Tanto que ele foi o primeiro ator a ter contrato fixo na emissora. Após ter encerrado a participação em Marcas da Paixão, no ano passado, Casagrande foi o único do elenco a ser chamado para renovar o contrato que vai até o final de Roda da Vida.
É este tipo de pensamento que fez com que Casagrande tenha se sentido aliviado por não ter ganho dois papéis de destaque na Globo. O ator passou nos testes para viver os personagens Edu, de Laços de Família, e Matheo, de Terra Nostra, e ficou entre os dois finalistas escolhidos pelas produções. Nervoso com a possibilidade de ganhar os papéis, Casagrande garante que deu graças a Deus pelos personagens terem ido para as mãos de Reynaldo Gianecchini e Thiago Lacerda, respectivamente. Imagina se sou escalado e não convenço. Vai ser ruim para a minha carreira. Prefiro subir degrau por degrau a ir de elevador e levar um tombo, explica o ator.
Por isso, Carlos admite que a Record está caindo como uma luva para ele não ter grandes sobressaltos na carreira. Mesmo assim, não esconde que ficou bastante ansioso ao viver o administrador Diogo em Marcas da Paixão, seu primeiro protagonista. No início da novela, gravava com medo de errar, confessa. Mas a experiência como protagonista serviu para Carlos ganhar confiança para viver agora o machista Caio em Roda da Vida. O ator conta que um dos pontos positivos de trabalhar na Record é que existe uma cumplicidade maior entre o elenco e a equipe da emissora, algo quase impossível de acontecer em uma Globo, por exemplo. O bom da Record é o companheirismo. Não tem ninguém querendo puxar o seu tapete, garante Carlos.
O ator também vibra por seu personagem atual ter um perfil bem diferente do ingênuo Diogo de Marcas da Paixão. Caio faz a linha cafajeste e dono da verdade, o que distancia o personagem também do estilo do próprio ator, que está mais para o acanhado. Adorei porque o Caio não tem nada a ver comigo. Só assim vou crescer como ator, afirma Carlos. Para viver o personagem que tem um caso amoroso com a prima Tamires, vivida por Cássia Linhares, o ator foi buscar inspiração na própria família. Existe um caso idêntico entre meus familiares, conta.
Para compor o novo personagem, Casagrande contou com a ajuda da professora Mona Lazart de quem é aluno desde que foi escalado para viver o dançarino de maxixe Carlinhos, da minissérie global Chiquinha Gonzaga, em 1998. Foi nesta época que ele decidiu trocar uma bem-sucedida carreira de uma década como modelo pela insegura profissão de ator. Mas Casagrande, que é dono de um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio, parece não estar preocupado. Nos últimos cinco anos, por exemplo, ele chegou a fazer 200 bailes de debutantes, o que lhe rendeu o necessário para ter toda a calma do mundo para construir uma carreira artística. Ao contrário da profissão de modelo, que é curta, tenho a vida inteira para aprender o ofício de ator, compara.


