Na chácara da família, à beira do Lago Igapó, onde mora desde abril do ano passado, Fernanda construiu um mundo próprio. Foram 15 anos para transformar um velho barracão numa casa, aproveitando material de demolição. Ali, em meio a centenas de livros, fotos e mais fotos, ela passa ‘‘todo o tempo que pode’’. O estúdio fica ao ar livre, no jardim. ‘‘Prefiro a luz natural’’, confessa.
Quando não está trabalhando, estudando, gosta de ficar horas e horas debruçada sobre suas colagens. Recortando, colando... Cuida da horta, inventa moda. ‘‘Sempre gostei de inventar’’, observa, lembrando que, aos 12 anos, já publicava na Folhinha da Folha, suplemento da Folha do Paraná/Folha de Londrina, os textos que escrevia. Até hoje guarda os recortes.
Nessa época, Fernanda criou, junto com os amigos Neno Garcia de Moraes e Rosália Moraes Rego, o Clube do Siri, uma entidade composta por crianças, visando confortar os pacientes do Instituto do Câncer de Londrina, discutir e entender a situação deles. O clube não durou muito, mas, segundo ela, despertou a necessidade de se envolver em questões humanitárias, de ser solidária.
Fernanda nunca foi conformista. Muito menos acomodada. Não pára nunca, está sempre inventando. Na bolsa, carrega sempre uma câmera descartável (tem uma coleção delas) para poder fotografar a qualquer hora, em qualquer lugar. ‘‘Já fiz fotos incríveis com essas câmeras’’, diz Fernanda, que pensa até em desenvolver um projeto utilizando equipamento descartável.
À Folha Gente, ela mostrou em primeira mão seu novo trabalho, que mistura vidros, fotos, memória, contrastes: Nova York e Tangará da Serra, New Jersey e uma fazenda em Colorado (PR). Nos frascos de vidro, Fernanda aprisiona imagens, lembranças. ‘‘São as minhas viagens’’, define ela, com os olhos brilhando de emoção.

mockup