Curitiba - O iogue Sagy Yunna, 80 anos, não divulga seu nome de nascimento. É que quando alguém penetra nos campos de estudos de ioga na cidade sagrada de Puri, na Índia, pelas mãos do mestre iogue Paramahansa Yogonanda, ganha vida e nomenclatura nova. ''Nós não podemos divulgar nosso nome de nascença a não ser para as autoridades'' (no caso, iogues mais graduados que ele)''. Mas também a ele pouco interessam esses resquícios da vida ocidental.
Yunna embarcou aos 16 anos de idade naquilo que se poderia chamar de uma viagem sem volta. ''Fui criado pela minha vó, no interior do Ceará. Ela era cega, mas tinha uma vidência incrível, vinha gente de toda parte consultar com ela. Foi ela quem disse para eu ir embora''. Aventureiro, foi de navio como ''moço de convés'' para a Índia e logo achou aquilo que queria fazer na vida. ''Quando cheguei na Índia gostei. Encontrei um homem com uma roupa amarelo- abóbora, e perguntei quem era. Ele disse que era um iogue. Perguntei o que fazia e ele me explicou, e daí eu disse: quero ser iogue''.
Tanto tempo se passou, 63 anos de estudos, até chegar ao ponto que está hoje: apto a curar pessoas dos mais diversos males. Incrível como a energia de Sagy é de serenidade. Disposto, ele acaba de desembarcar no Brasil para passar uns tempos em Curitiba. Como a situação no Nepal, onde vive atualmente, está ruim para estrangeiros, ele veio exercer suas atividades por aqui. Mestre em medicina complementar pela Ayurveda e em psicoterapia pela Kryah Ioga, técnicas aprovadas pela Organização Mundial de Saúde, Sagy faz diversos atendimentos como rejuvenescimento holístico (mente, corpo e espírito) e ajustamento dos meridianos, entre outros tratamentos.
As técnicas vão desde manipulação de cristais até regressão a vidas passadas e aí há que ser dito que não existe uma relação com o espiritismo, apesar da crença na existência da mediunidade e na reencarnação. ''Nós desenvolvemos a mediunidade diferente do espiritismo do ocidente. Eles têm o fator que chamam de receber, encarnar e incorporar. Nós não''. Trocando em miúdos, os iogues como Sagy ''visitam'' o mundo espiritual, mas acreditam ser ilegal perturbar os espíritos com incorporações. Então esse contato é feito através de uma técnica chamada de Portal Aberto. Segundo Sagy, a brasileira Mônica Bonfliglio seria uma dessas preparadas a fazer visitas a outros planos espirituais.
Para quem acha tudo isso ''uma bobagem'', o iogue conta que a Universidade de Harvard, EUA, onde ele mesmo já fez palestras sobre o assunto, já comprova a existência de espíritos através de sensores. ''Isso não é nenhum bicho de sete cabeças. É só uma questão de muito estudo''. Para um homem como ele, que precisa de pouco para viver, a não ser os ensinamentos dos livros que estudou, tendo ele mesmo já publicado cerca de 29 títulos sobre as técnicas que utiliza, a troca com o mundo espiritual existe em níveis muito altos.
O iogue acredita que, uma vez desencarnado, o espírito não evolui mais. Para ele somente a vida na terra proporciona a evolução. ''Só existe evolução quando há cérebro. E quando ele reencarna evolui a partir do ponto que estava em outra vida'', explica, seguindo seus dogmas. E que tipo de ajuda existe nessa troca? Há na crença de Sagy um desapego ao material. Então suas técnicas para ajudar as pessoas nada têm a ver com proporcionar prosperidade financeira. É no nível das dificuldades emocionais e de saúde que o iogue atua.
Para isso que Sagy vive e está na cidade nesse momento. Atendendo cerca de três pacientes por dia, ele conta que vê sempre fatos muito bonitos acontecendo. Desde dores de cabeça crônicas, que são rapidamente curadas, até fobias mais graves. Tudo isso encontra cura, muitas vezes com um simples processo de regressão. Crenças à parte, é para isso que esse homem dedica sua vida. E pelo menos de um grande apego da humanidade ele não sofre. ''Nós precisamos de muito pouco para viver. Comemos pouco, não temos apego ao dinheiro. Não temos conta bancária, roupas boas, automóveis, essas coisas não existem, embora alguns estejam milionários com isso.''
Ele mesmo já teve chance de ganhar muito com isso. Quinze anos atrás esteve com outros colegas em uma universidade americana e recebeu o convite para montar um consultório por lá. Declinou. ''Fora o Brasil e o Nepal, não tenho interesse por outros países. Gosto de simplicidade.'' E alguns anos atrás também escolheu que tipo de ioga queria seguir se a filosofal ou a tântrica. Optou pela segunda onde não há o celibato. Mas deixa claro que mesmo os mais de dez filhos que têm pelo mundo não significa que seja ''desavergonhado''. É uma simples questão de filosofia de vida.

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