Em Fina Estampa, da Rede Globo, Baltazar é um marido e pai violento, vivido por Alexandre Nero, um cara que na vida real nem de longe lembra o personagem. Tranquilo, focado, talentoso, bonitão, o paranaense, desde que surgiu na televisão, teve suas atuações aplaudidíssimas. Seu mais novo personagem é, certamente, uma das passagens mais fascinantes de uma carreira bem-sucedida que transita pela música, teatro, cinema e TV. Longe do já consagrado sucesso na Globo, ele também festeja o momento como músico. Sobre esse e demais assuntos, Alexandre conversou com exclusividade com a reportagem da FOLHA.
Qual a sua relação com sua cidade natal, Curitiba?
Sou curitibano e tenho muito orgulho disso. Conheço pouco o Estado como um todo. Conheci um pouco mais de Londrina, Cascavel, Maringá e cidades do litoral devido às viagens que fiz percorrendo esses lugares com shows e espetáculos. Como curitibano posso dizer que tudo que sei e aprendi, todas as minhas referências artísticas, são da minha cidade e dos grandes artistas que lá habitam. Fiz parte do 'Grupo Fato' por 10 anos, onde tive um grande contato com o litoral, durante a pesquisa do 'Fandango' (música do folclore paranaense). Minhas origens são todas daí e é isso que me diferencia da maioria das pessoas aqui do Rio de Janeiro.
Trabalhos de destaque, como Baltazar, em Fina Estampa, modificaram seu modo de agir?
Tem algumas mudanças típicas de quando estamos no ar, e ainda mais num produto de grande sucesso, como é o caso de Fina Estampa. Tenho que mudar alguns hábitos, ir em horários alternativos ao mercado, academia, banco, shoppings e passeios em geral. Acabamos chamando muita atenção e não conseguimos fazer o que fomos realmente fazer (risos). Mas sempre é muito gratificante e gentil a maneira com que as pessoas me abordam.
Quais foram as primeiras impressões ao conhecer Baltazar?
Foi de negá-lo. Não como personagem, mas como ser humano. Pensei nele como um cara mau, um cara que eu queria distância e que jamais poderia defender alguém assim. Mas se eu entrasse nesse caminho eu cairia numa caricatura sem fim.
Como você construiu esse personagem?
Não quis aceitar esse caminho da caricatura, do homem mau e ponto final, pois não acredito que o ser humano de verdade seja assim. Somos milhões de coisas. Ninguém é bom ou mau 100%. Foi quando eu comecei a perceber fragilidade nele. A violência é um pedido de socorro. Esse homem provavelmente foi agredido quando criança e não consegue diferenciar o que é ou não amor. É um homem que precisa de ajuda. Ele é violento porque tem medo de perder a mulher e a filha, é mais dependente dela do que ela dele.
Em sua opinião, Baltazar é um cara maldoso?
Não! Para mim a maldade está ligada à inteligência (não confundir cultura adquirida ou eruditismo com inteligência). Baltazar não planeja nada, não arquiteta maldades, ele age de ímpeto, é explosivo, por isso não creio que seja mau. O que não justifica em nada a violência contra a mulher. É um homem que precisa de tratamento psicológico.
O público pode impressionar-se com ele até o fim da novela?
Eu mesmo posso me impressionar. As pessoas perguntam para nós como se soubéssemos o que vai acontecer no final da novela. Acreditem: não sabemos! Recebemos capítulos semanalmente e sempre é uma surpresa. Tudo pode acontecer com o Baltazar.
Devido ao seu papel, você leva muita bronca das mulheres na rua?
Recebo broncas, mas sempre com muito humor e divertimento. Todos sabem que sou um ator e não sou nada daquilo, muito pelo contrário. Nunca fui tratado com hostilidade por ninguém na rua, só brincadeiras. Um caso engraçado foi uma vez que eu estava rindo com um amigo na rua e uma senhora, que eu nunca tinha visto, passou por mim e disse: ''Não adianta fingir, eu sei que você está mentindo'', e foi embora. Até hoje não sei se foi brincadeira dela ou não, mas eu e meu amigo rimos muito.
Como anda sua carreira de músico?
Acabo de lançar meu terceiro disco solo, chamado ''Vendo Amor - Em suas mais variadas formas, tamanhos e posições''. Foi lançado pelo selo Discobertas e está sendo vendido em todo Brasil. Tenho lançado também, de 15 em 15 dias, novos clipes das músicas desse CD na internet, feitos por 12 diretores de diversos cantos do país. Quem quiser saber mais sobre o CD e os clipes tem mais informações no meu site: alexandrenero.com.br. Assim que acabar a novela fico em Curitiba por duas ou três semanas para gravar o DVD desse disco.
Qual lado bom e ruim da fama?
Não existe lado bom na fama. O lado ruim são todos. É bom deixar claro que separo fama de sucesso. Fama para mim é aquilo gratuito, as pessoas gostam ou não de você sem motivo algum. Você conhece aquela pessoa, mas nem sabe o que ela faz, nem que profissão tem. Sucesso é outra coisa. É algo que não precisa estar na TV ou na mídia para se ter. Sucesso é o que tem um profissional que ama o que faz e que trabalha para fazer sempre o melhor de si. Para mim isso é é sucesso. É isso que eu busco.
Próximos objetivos...
Continuar trabalhando com calma, serenidade e cultivar cada vez mais amigos e amor por onde eu passar.

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