Curitiba- Yeda Priscila dos Santos Pereira é uma verdadeira máquina. Ela é atriz, organiza festas, eventos, shows, desfiles de moda, promove um bazar de moda, tem um programa de rádio para a internet, faz faculdade, aula de dança de salão, dá aula particular de salsa e... ufa, ainda desenha figurinos para teatro e para o que mais aparecer. O mais interessante é que todas essas atividades fazem parte da vida de uma garota de apenas 25 anos de idade, e que ainda nem terminou a faculdade.
''Sou um verdadeiro furacão, de idéias, atitudes, pensamentos, enfim... distraída, impaciente, uma verdadeira ariana, uma Santa Rock'n'Roll''. A definição no site do Orkut não deixa dúvidas, são características típicas de uma pessoa jovem. Já suas responsabilidades, essas têm muito mais a ver com a agenda de um profissional. Para se ter uma idéia da ousadia da garota, ela acaba de fechar contrato com o Beto Carrero World para criar e confeccionar todo o guarda-roupa utilizado pelas centenas de personagens que habitam o parque.
Yeda diz que não teve medo de assumir mais esse compromisso. Seu primeiro contato com o parque, localizado no litoral catarinense, aconteceu no dia 22 de dezembro último. Sua primeira tarefa é a produção dos figurinos de 84 personagens do show ''West Selvagem''. Para cumprir os prazos passou uma semana, dia e noite, debruçada sobre os desenhos. Pesquisou tecidos, adereços e preços. Tudo aprovado, agora, ela tem menos de uma semana para gerenciar a confecção das roupas junto à sua costureira, uma profissional de Curitiba com quem trabalha desde seus primeiros projetos.
''Dizem que Papai Noel não existe, mas o Beto Carrero foi um presente para mim'', diz ela, lembrando que começou a fazer tantas coisas diferentes por problemas econômicos. Natural de Manaus, criada em Blumenau e curitibana desde os cinco anos de idade, onde mora com a mãe, com quem vivia bem financeiramente. Até o dia em que a mãe - que faz luvas de sisal para banho - perdeu seu principal cliente, uma cadeia de lojas que entrou em falência. ''Quando você está desempregada e sem dinheiro, você vai atrás, dá a cara e arruma o que fazer'', diz ela, que na época trabalhou com turismo, como vendedora e secretária, entre outros empregos.
Em 1999, ela se viu diante de um dilema: tinha passado no vestibular de uma universidade particular, mas não tinha dinheiro para pagar o curso. ''Eu trabalhava como digitadora, ganhava só R$ 80 por mês''. A mãe decidiu mandá-la para a casa de um tio, nos Estados Unidos, para trabalhar e guardar dinheiro para pagar os estudos. A princípio, ficaria seis meses, mas acabou ficando dois anos em Miami, onde trabalhou na limpeza de casas e como vendedora de loja de calçados. ''Foi lá que me apaixonei por moda, por calçados'', revela.
De volta para o Brasil, Yeda começou a fazer teatro, primeiro como atriz, para em seguida se envolver na confecção dos figurinos do Teatro Lala Schneider. ''Aí, eu me apaixonei mais ainda por esse trabalho. Foi então que uma amiga me perguntou porque é que eu não fazia faculdade de moda'', conta ela, que até então não tinha pensado em se profissionalizar nessa área, apesar de conviver sempre entre os tecidos e tesouras. O avô era dono de uma grande camisaria em Blumenau e a mãe sempre trabalhou no corte e costura das luvas de sisal.
Foi na faculdade de moda que ela entrou de cabeça na promoção de eventos. Tudo começou quando a professora - e sua guru profissional - Carol Macam, lhe deu a incumbência de organizar o desfile de formatura de uma das turmas do curso. ''Eu pensei: que fria! Nunca tinha feito isso antes. Tinha de fazer um desfile com guarda-chuva, com roupas de balé aquático, que outra turma de alunos tinha criado. Coloquei as modelos para dançar balé aquático'', conta.
Depois disso, começaram os pedidos de amigos para fazer festas, além de bandas querendo a promoção de shows. Hoje, ela tem eventos bem conhecidos entre o público jovem, como sua Festa Americana, os shows da banda curitibana Impostora, e o Whipcrack, um bazar de moda que acontece a cada três meses em um bar da cidade, reunindo estilistas não conhecidos. Yeda conta que o bazar é seu xodó. ''Eu adoro fazer, não cobro nada dos expositores, que tem ali uma vitrine para mostrar o trabalho deles'', diz.
''Se eu quero trabalhar com eventos, nada melhor do que fazer eventos'', reconhece. Ela ressalta que não tem intenção de ser estilista. O que ela gosta, e quer, é continuar trabalhando na promoção de eventos na área da moda. Para isso, pretende continuar trabalhando muito. ''Se eu não batalhar agora, corro o risco de ficar fora do mercado. Quando a gente está na faculdade, é preciso dar a cara pra bater, trabalhar de graça, ganhar experiência. E, graças a Deus, quando eu sair da faculdade já estarei dentro do mercado'', garante.

mockup