Um estilo muito próprio de ser, pintar e esculpir
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
Carmen Ribeiro De Maringá 
Nascido em Iacanga, no Estado de São Paulo, de descendência francesa e libanesa O Líbano era o berço da cultura Zanzal Mattar, 59 anos, há mais de 30 anos em Maringá, é referência quando o assunto é artes plásticas. Criativo, exuberante e talentoso, não gosta muito de entrevistas, mas quando aceita conversar, solta o verbo. Muito bem instalado em um enorme espaço arborizado, confortável, com canto dos pássaros e a natureza de cenário, fala com um misto de orgulho e sobriedade sobre seu trabalho, seu sucesso e reconhecimento.
Ainda moleque já sabia que desenhar e pintar; eram dons. Autodidata, nunca foi de frequentar exposições e mostras de arte, para não se influenciar. Criou de um estilo próprio e personalíssimo: só eu utilizo esta técnica no mundo todo, crio espaços dentro do plano, dando movimento e tridimensionalidade aos meus quadros e esculturas. Força e função dando expressão viva ao objeto, explica.
Apesar de ter cursado até o 6º período de Engenharia Civil, decidiu, em determinado momento da vida, que seu futuro estava nas artes. É hoje um nome conhecido no Brasil, na França, na Alemanha, na Suíça, na Inglaterra e na Espanha, onde seus quadros e esculturas ornamentam espaços de gente importante. Além de endereços particulares, o Museu do Vaticano tem em seu acervo o Menor Abandonado, presenteado ao Papa João Paulo II, e também o palácio do príncipe Akihito, do Japão, tem um trabalho seu.
Um de seus grandes momentos foi a criação dos 54 painéis e pinturas e 15 esculturas em metal que ornamentam a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória de Maringá, o décimo monumento mais alto do mundo, com seus 124 metros, um trabalho que levou aproximadamente cinco anos para ser concluído, e que ainda exige cuidados de manutenção. Minha arte acompanhou a arquitetura da Igreja, ágil, moderna. Os painéis do Fórum, do Atacadão e da Prefeitura Municipal também são dele.
Zanzal tem um trabalho no Museu de Arte de Londrina a escultura Espaço e Movimento, inspirada no MST com a enxada representando uma arma, simbolizando a conquista, a liberdade, em linhas geométricas. Aliás, Zanzal e Poty Lazarotto são os únicos artistas paranaenses a fazer parte do acervo do MAL, ao lado de nomes como Juarez Machado, Carybé, Scliar. Motivo de orgulho do artista, que tem seu nome no Catálogo de Artes Plásticas Brasileiras Volume 6.
Zanzal sente-se à vontade ao falar de seu trabalho. Diz que, em sua família, existem membros reconhecidos por seu talento em várias áreas, como o geriatra paulista Tufih Mattar, a curadora do Museu de Arte Moderna/MAM do Rio de Janeiro, Denise Mattar, e a família fundadora da famosa grife francesa Lacoste. E faz questão de esclarecer que apesar de gostar muito da arte sacra, de ter na família descendentes ligados à religião desde os tempos dos maronitas, não é ela sua fonte primeira de inspiração. Zanzal cria obras expressionistas, geométricas, modernas, com jogo de cores, luz e profundidade. Suas pinceladas são firmes, inspirando-se tanto no contorno de um homem/mulher em posição sensual, como num músico, numa flor, ou num belo cavalo com seus movimentos livres e fortes.
Seus trabalhos que foram para a Alemanha, hoje transformados em cartões postais, são vendidos pela Unicef em diversos países da Europa, numa prova de que sua arte é reconhecida tanto aqui como no exterior.
Suas esculturas são um caso à parte. Seus esboços são únicos, talhes, linhas e vértices arrojados; seus cortes, muitos deles feitos à mão, são perfeitos, não existe réplica. Eu gosto de criar espaços para que a pessoa que vê a obra possa imaginar o movimento, para que ela possa sentir, pensar e tirar sua própria opinião.


