Nascido em Iacanga, no Estado de São Paulo, de descendência francesa e libanesa – ‘‘O Líbano era o berço da cultura’’ – Zanzal Mattar, 59 anos, há mais de 30 anos em Maringá, é referência quando o assunto é artes plásticas. Criativo, exuberante e talentoso, não gosta muito de entrevistas, mas quando aceita conversar, solta o verbo. Muito bem instalado em um enorme espaço arborizado, confortável, com canto dos pássaros e a natureza de cenário, fala com um misto de orgulho e sobriedade sobre seu trabalho, seu sucesso e reconhecimento.
Ainda moleque já sabia que desenhar e pintar; eram dons. Autodidata, nunca foi de frequentar exposições e mostras de arte, ‘‘para não se influenciar’’. Criou de um estilo próprio e personalíssimo: ‘‘só eu utilizo esta técnica no mundo todo, crio espaços dentro do plano, dando movimento e tridimensionalidade aos meus quadros e esculturas. Força e função dando expressão viva ao objeto’’, explica.
Apesar de ter cursado até o 6º período de Engenharia Civil, decidiu, em determinado momento da vida, que seu futuro estava nas artes. É hoje um nome conhecido no Brasil, na França, na Alemanha, na Suíça, na Inglaterra e na Espanha, onde seus quadros e esculturas ornamentam espaços de gente importante. Além de endereços particulares, o Museu do Vaticano tem em seu acervo o ‘‘Menor Abandonado’’, presenteado ao Papa João Paulo II, e também o palácio do príncipe Akihito, do Japão, tem um trabalho seu.
Um de seus grandes momentos foi a criação dos 54 painéis e pinturas e 15 esculturas em metal que ornamentam a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória de Maringá, o décimo monumento mais alto do mundo, com seus 124 metros, um trabalho que levou aproximadamente cinco anos para ser concluído, e que ainda exige cuidados de manutenção. ‘‘Minha arte acompanhou a arquitetura da Igreja, ágil, moderna’’. Os painéis do Fórum, do Atacadão e da Prefeitura Municipal também são dele.
Zanzal tem um trabalho no Museu de Arte de Londrina – a escultura ‘‘Espaço e Movimento’’, inspirada no MST com a ‘‘enxada representando uma arma, simbolizando a conquista, a liberdade, em linhas geométricas’’. Aliás, Zanzal e Poty Lazarotto são os únicos artistas paranaenses a fazer parte do acervo do MAL, ao lado de nomes como Juarez Machado, Carybé, Scliar. Motivo de orgulho do artista, que tem seu nome no Catálogo de Artes Plásticas Brasileiras – Volume 6.
Zanzal sente-se à vontade ao falar de seu trabalho. Diz que, em sua família, existem membros reconhecidos por seu talento em várias áreas, como o geriatra paulista Tufih Mattar, a curadora do Museu de Arte Moderna/MAM do Rio de Janeiro, Denise Mattar, e a família fundadora da famosa grife francesa Lacoste. E faz questão de esclarecer que apesar de gostar muito da arte sacra, de ter na família descendentes ligados à religião desde os tempos dos maronitas, não é ela sua fonte primeira de inspiração. Zanzal cria obras expressionistas, geométricas, modernas, com jogo de cores, luz e profundidade. Suas pinceladas são firmes, inspirando-se tanto no contorno de um homem/mulher em posição sensual, como num músico, numa flor, ou num belo cavalo com seus movimentos livres e fortes.
Seus trabalhos que foram para a Alemanha, hoje transformados em cartões postais, são vendidos pela Unicef em diversos países da Europa, numa prova de que sua arte é reconhecida tanto aqui como no exterior.
Suas esculturas são um caso à parte. Seus esboços são únicos, talhes, linhas e vértices arrojados; seus cortes, muitos deles feitos à mão, são perfeitos, não existe réplica. ‘‘Eu gosto de criar espaços para que a pessoa que vê a obra possa imaginar o movimento, para que ela possa sentir, pensar e tirar sua própria opinião’’.

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