Um empresário em busca do auto-conhecimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2006
Ana Clara Garmendia<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Percorrer caminhos inóspitos, encontrar-se de uma maneira mais natural e descobrir que a vida é bem mais simples do que muitas vezes queremos ver. Todas essas questões existenciais tem sido amplamente abordadas na vida de Cláudio Slaviero, empresário paranaense natural de Irati e membro de uma das famílias mais bem-sucedidas do Estado. Aos 50 anos, quatro filhos e dois casamentos desfeitos, Slaviero entra agora em nova fase: deixa a presidência da Associação Comercial do Paraná, depois de um período de dois anos sentado na ''cadeira elétrica'' da entidade, como ele mesmo brinca, para se dedicar aos seus negócios. E que negócios.
O administrador de empresas faz parte de uma família que ao todo forma uma árvore genealógica de 17 ramificações. O grupo Slaviero tem concessionárias, indústria de cimento, madeireira, fazendas, enfim inúmeros empreendimentos em diversas regiões do Brasil. E foi em meio a todas essas atividades que Cláudio encontrou um jeito de desenvolver seu espírito de sobrevivência mais primitivo. Há seis anos, ele resolveu que começaria a dedicar um tempo de sua vida para viagens de aventura. Com a decisão nasceu uma nova maneira de encarar a vida e um novo projeto: o auto-conhecimento. Do mergulho em mundos muito distantes e outros nem tanto surge agora um livro onde o empresário conta e mostra o que aprendeu quando resolveu se desprender e adentrar caminhos que, para ele, habitavam somente no imaginário.
Em ''Viagem em mim'' ele realiza um projeto de vida comum à maioria dos humanos, mas incomum para um homem que vive num mundo onde os negócios são a base. ''Queria dividir com as pessoas a minha experiência. É um livro despretensioso. Um diário de viagem''. A publicação tem muitas fotos registradas nas aventuras, prefácio da jornalista Gloria Maria e nenhum comprometimento literário.
Com essa iniciativa, Cláudio deixa vazar como lava a alma quando está longe dos negócios estressantes da sua carreira. Até agora foram oito viagens que incluíram Machu Pichu, Tibet, e o caminho de Santiago de Compostela, feito com um dos filhos mais velhos. Mas as viagens feitas por lugares em que o risco de vida é iminente, ele faz com o acompanhamento de um guia. ''Tomo todas as precauções necessárias. Corro riscos calculados'', frisa.
Cláudio conta que sua visão de mundo mudou desde que começou a parar com tudo que fazia para se embrenhar em culturas diferentes. ''Quanto mais longe você for melhor. Solidariedade. Respeito ao meio ambiente. Todo mundo se ajuda. Se você precisar de comida, medicamentos, sejam pessoas do Japão, Nova Zelândia, o espírito é o mesmo''. Com a experiência, ele se transformou e conseguiu melhorar seu dia-a-dia nos retornos a Curitiba.
''É aí que entra a parte da otimização, de ver resultados práticos quando se passa a reservar um tempo da vida para fazer o que se gosta''. Com os filhos, a relação também ficou mais profunda, principalmente com a caçula Valentina, que há dois anos mora com o pai. A alteração da rotina para cuidar dela não gerou nenhum trauma e, sim, um novo aprendizado na vida de um homem que quer ser mais do que tudo o já representa dentro da nossa sociedade. Quer ser ele mesmo, sem frescuras, e com o comprometimento social que sua figura de empresário tem. E dentro desse projeto, Claudio diz que não vai virar político, mas vai manter a representatividade sempre viva. Afinal, se os grandes não ajudarem a colocar ordem na sociedade quem vai fazer?


