Curitiba - Dizem por aí que ele inventou uma nova profissão. E o boato não surgiu por acaso. Era final da década de 1990, quando o curitibano Rodrigo Paciornik teve uma idéia inusitada: levou suas baquetas e instrumentos de percussão para as pistas de música eletrônica. Passou a acompanhar os DJs nas discotecagens das casas noturnas mais frequentadas da capital paranaense e não demorou para chamar a atenção do cenário internacional. Até hoje, Rodrigo já tocou em praticamente todo o Brasil, e sua participação em festas fora do País também é extensa. Ele e o amigo Leozinho, com quem comemora dez anos de parceria musical, acabam de voltar de Los Angeles e Las Vegas, onde já são recebidos como personalidades da música eletrônica.
Recepção festiva que também acontece por aqui, embora em escala diferenciada. ''O cenário brasileiro está mudando, mas acho que ainda existe um preconceito quando se fala em música eletrônica no Brasil'', acredita. ''Meu pai costuma dizer que isso acontecia também com o rock, há muito tempo atrás'', brinca. Parente não tão distante do famoso médico Moisés Paciornik, Rodrigo não teve influência musical na família, mas também nunca foi estimulado a não seguir a carreira.
Sua relação com a música, aliás, começou cedo. Aos 12 anos, Rodrigo aprendeu a tocar bateria. Anos mais tarde, ele, que era fã de rock, colocou um CD de música eletrônica no aparelho de som, ao mesmo tempo que tocava a bateria. ''O resultado ficou bacana e decidi apresentar isso para uns amigos que tinham a Rave Night Club (extinta boate curitibana)''. Foi na Rave que ele conheceu o DJ Leozinho e ali mesmo, no ano de 1998, começava o que hoje já é uma parceria de sucesso.
Em 1999 e 2000, Rodrigo e Leozinho, respectivamente, entraram para uma agência paulista de músicos, o que impulsionou a carreira internacional de ambos. Juntos, eles já percorreram o Brasil de Norte a Sul, participaram de festivais pela Europa e também de turnês do Warung Beach Club no Velho Continente, tocando em locais como Ibiza, Londres, Los Angeles e Frankfurt. Eventos como o Creamfields Brasil e Argentina, além do Skol Beats, no qual tocaram em todas as edições, também fazem parte do currículo deles. Atualmente a dupla soma perto de 2 mil apresentações, incluindo festas nas quais dividiram palco com nomes como Carl Cox e Tiesto, apenas para citar alguns.
Há seis anos, Rodrigo e Leozinho também participam do projeto Life is a Loop, um trio formado com o DJ gaúcho Fabrício Peçanha, com o qual viraram referência no showbusiness nacional. ''Hoje, o Life is a Loop é um projeto e não comporta mais ser realizado em local fechado. A festa já reúne uma média de 3 a 5 mil pessoas por edição'', conta.
Com as edições do projeto, mais as solicitações da dupla, Rodrigo toca uma média de três vezes por semana. O que fazer para aguentar tanta balada? Ele dá a dica: ''A gente se cuida''. Trabalhando direto na noite, ele conta que já viu muito músico e DJ talentoso perder espaço no cenário por não conseguir diferenciar o trabalho da diversão pessoal. ''Primeiro a gente toca. Depois, se tiver pique, sai para se divertir'', ensina. Pai de uma menina de dois anos e padrasto de uma garotinha de cinco, ele é casado com a catarinense Soraia Camargo e está morando em Camboriú, no litoral catarinense.
''Morar fora de Curitiba foi uma opção pessoal e profissional. Camboriú é considerada hoje a meca da música eletrônica'', revela. Além disso, é também próximo da sua cidade natal e próximo de dois aeroportos em que ele pode seguir viagem para qualquer lugar do mundo. Porque, para ele, a música não tem limites.

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