Destruir para reconstruir e depois destruir de novo, e assim sucessivamente, num movimento sem fim. Esta é a regra de vida de Mônica Infante, uma mineira que desde muito cedo ganhou o mundo em busca da realização através dos movimentos corporais. No começo, a dança clássica absorvia todo o tempo de Mônica, que é solista e graduada como bailarina, professora e coreógrafa pela Escola Superior de Dança London Studio Center e Royal Academy of Dancing, em Londres. Na Inglaterra chegou a se apresentar com o pop star Elton John, na BBC. No Brasil, foram espetáculos no Teatro Municipal de Niterói e inúmeros os trabalhos em academias de dança, no teatro e na televisão.
As passagens de Mônica por diversas técnicas de dança acabaram levando-a ao caminho que trilha hoje. É moda em Curitiba artistas de teatro, músicos e artistas plásticos fazerem o curso de prática corporal com a Técnica Alexander, usada pela professora Mônica Infante. ‘‘Alexander desenvolveu um estudo que ensina o homem a fazer um bom uso de si mesmo. São técnicas preventivas e que por isso são muito procuradas por quem trabalha com o corpo e com a voz’’, diz. O que eles procuram em Mônica é uma forma de se proteger de traumas como perda de voz, contusões e outros acidentes comuns. As técnicas da professora são ensinadas três vezes por semana em oficinas e também em cursos que duram o ano inteiro e que ela ministra na Arcádia Livraria, um espaço reservado às artes.
Para colocar em prática toda a teoria que ela mesma vem desenvolvendo há sete anos com outras artistas, Mônica usa um esqueleto apelidado de Matias. Com ele, consegue mostrar cada articulação aos alunos e fazer com que tomem consciência de como é cada movimento e também de quanta energia é despendida para executá-los. ‘‘Os nossos grandes mestres são as crianças. Elas fazem tudo com a maior facilidade, sem usar força demais, porque ainda não estão com vícios, medos e ansiedades surgidas na maturidade. Todos querem sempre chegar a um resultado, e eu quero passar a consciência de que nunca terminamos nada. Estamos sempre desconstruindo e construindo’’. Quando a professora fala disso, destaca a sua própria experiência de não aceitar os limites da dança tradicional e tentar construir novos caminhos que não tenham fim. Esta diversidade de opções é um dos motivos que estão levando os artistas a buscar o trabalho de Mônica. Eles estão sempre construindo personagens, obras e vozes que atravessam o tempo e que precisam de liberdade. Se não, a arte perderia o sentido. Se o trabalho do artista fosse estático, a arte morreria.
Nessa busca vive a coreógrafa. Casada com um japonês, ela atravessa as fronteiras e busca na filosofia oriental uma fonte para seu trabalho sem fim. Praticante de natação e de Aikido, uma arte marcial que aplica o uso do não-confronto como filosofia de vida, a estudiosa bailarina tem uma história que se expande. ‘‘O mais importante é o processo e não o resultado. Por isso, pesquiso diariamente em busca de novos conhecimentos’’, observa.
A idéia é não parar nunca de buscar. Uma dessas buscas, Mônica fez com o pianista Able Heller. O corpo e o piano se uniram numa pesquisa que teve como foco a Princesa Leopoldina (uma história que apaixona Mônica), e que levou a dupla a ficar três meses em cartaz na Alemanha.
Para este ano, a professora pretende dar continuidade a um projeto que teve início no ano passado, no Teatro da Federação Espírita do Paraná. Nesse evento, o CorpoEspaço, Mônica trabalha com artistas que ainda não se apresentaram aos grandes públicos. Gente que tem projetos incubados e que por falta de oportunidade não os executou. Fora isso, ela deve colocar em prática diversas idéias ainda não construídas e que certamente irão surgir com o decorrer dos meses e anos de sua irrequieta vida.

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