Um convidado bem trapalhão
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
André Bernardo<BR>TV Press 
A trajetória do novato Marcos Mion na MTV é de causar inveja a muito veterano. Com menos de sete meses na emissora, o apresentador já alcançava três pontos de audiência com o programa Os Piores Clipes do Mundo. Hoje, com quase dois anos de casa e um prêmio APCA no currículo, o VJ de 22 anos foi convidado para apresentar a 7ª edição do MTV Vídeo Music Brasil, que acontece dia 16. Quase não acreditei. Vou ser mestre-de-cerimônias de um evento que já foi apresentado por Cazé Peçanha e Pedro Cardoso, exagera.
Este ano, a MTV resolveu homenagear o mais jovem VJ da emissora e promoveu o programa Os Piores Clipes à condição de categoria do VMB. A alta cúpula da MTV aposta no carisma e na irreverência do apresentador para aumentar a audiência do programa mais assistido da emissora. Apesar de confiar no bom humor do rapaz, os organizadores recomendaram bons modos a ele. Eles pediram para eu não falar palavrão nem soltar arroto. Fora isso, tenho carta branca para fazer o que bem entender, ameaça.
Aos poucos, a MTV começa a ficar pequena para Mion. Depois de ter estreado na tevê como o simpático Max do seriado Sandy & Júnior, ele volta a ser sondado pela todo-poderosa Globo. Há dias, ele recebeu um convite do autor Carlos Lombardi para trabalhar na minissérie O Quinto dos Infernos. Mas teve de recusá-lo porque a MTV não autorizou a liberação. A proposta era hilária, mas Globo e MTV não chegaram a um acordo. Infelizmente, aceitar o convite estava fora da minha alçada, lamenta.
Em menos de dois anos, você já recebeu o prêmio da APCA de melhor apresentador e, agora, é convidado para comandar o VMB. Que avaliação você faz de sua curta trajetória como apresentador?
Estou engatinhando ainda. Mas quero continuar ralando. As pessoas zoaram comigo quando disse que, enquanto meus amigos iam para a balada, ficava lendo Shakespeare. Parece brincadeira, mas é verdade. Não é só porque apresento o Piores Clipes que não preciso ler Shakespeare. Quero ter o que dizer. Quero me comunicar com as pessoas e acrescentar algo na vida delas.
Você não teme que o sucesso como apresentador suba à cabeça?
Sei que não sou apenas um rostinho bonito na tevê. Sei também que não comecei ontem. Estreei no teatro aos 14 anos. E só comecei a fazer televisão aos 19. Além do mais, minha formação familiar é bastante sólida. Minha mãe, Dona Carmem Mion, é psicanalista. Quando tenho algum problema, converso com ela.
Quem é o melhor apresentador da televisão brasileira?
Há muitos medalhões por aí. Não posso ser considerado o primeiro numa lista que inclui Sílvio Santos e Gugu Liberato. Mas nunca me inspirei em nenhum deles. Comecei do zero. Só tenho a agradecer ao pessoal da MTV, que acreditou no meu potencial. Dos que estão aí, gosto muito do Cazé, da Babi e do Otaviano. Por esses e outros, se eu estiver na lista dos 10 mais, já estou satisfeito.
Você não gostaria de exercer a função de apresentador em outras emissoras de tevê?
Foi bom tocar nesse assunto. Já disseram por aí que fechei contrato com mil e uma emissoras. Mas é tudo mentira. Recebi propostas de algumas delas, mas nenhuma proposta me deixou balançado. Afinal, estou muito bem na MTV. A emissora me dá carta branca para fazer o que eu bem quiser. Não tenho porque sair daqui. Nem tenho do que me queixar.
A quantas anda o projeto que você tem de apresentar um programa de humor na MTV?
O projeto está andando. Ele só deu uma paradinha agora por causa do VMB, mas continua andando. Ainda não tem nada definido, mas já saí às ruas para gravar algumas externas. O programa é formado por esquetes rápidos de humor, que satirizam a política, a economia, etc e tal. Só não tem nada a ver com música. Participo de alguns esquetes, mas não chego a atuar. Aliás, quero voltar a atuar. O Lombardi me ligou para fazer O Quinto dos Infernos. Infelizmente, não deu. Fica para outra vez.


