Cidadã do mundo e sempre pronta para uma nova aventura, a fotógrafa Renata Calland deve ter ficado boa parte da semana que passou embrenhada no sertão do Piauí. Em férias no Brasil desde o final do ano passado, a londrinense fugiu do frio de Londres para o calor dos trópicos. Na bagagem, além das roupas de verão, carrega a inseparável máquina fotográfica para ir clicando tudo o que vê pela frente.
Formada em jornalismo, Renata passou o primeiro ano de recém-formada trabalhando no jornal da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Depois da experiência no jornalismo impresso, resolveu dar asas à uma outra paixão, a fotografia. De olho em uma pós-graduação na França, Renata decidiu que primeiro iria estudar o idioma, que quase não dominava. Foi direto para a badalada Sorbonne e por lá aprendeu francês mais do que suficiente para frequentar durante um ano as aulas de uma especialização em fotografia na Spéos.
Depois de viver cerca de dois anos e meio ‘‘em uma das cidades mais legais para se fotografar’’, Renata aceitou um outro desafio: mudar de cidade, de País e de idioma. Desde novembro do ano passado ela deixou Paris para morar em Londres. ‘‘Quero trabalhar lá por um ano para economizar e passar uns seis meses na Índia’’, planeja. Claro que a máquina fotográfica vai junto.
Desde a época da faculdade, quando ainda morava em São Paulo, Renata já se dividia entre as notícias e as fotografias. Como achou que as aulas não eram suficientes, foi procurar um curso de fotografia na Escola Panamericana. Aliás, ir atrás de aprendizado faz parte da rotina de Renata. ‘‘Em Paris, enquanto ainda estudava francês fiz cursinhos ‘à la carte’ e fui ter aulas de culinária, joalheria e cursos rápidos de fotografia’’, conta.
No ano passado, incluiu no currículo as participações em duas exposições coletivas, além de trabalhar em uma parceria com a Orquestra de Paris. ‘‘Fotografava os ensaios para ilustrar os livretos’’, lembra. Entre um click e outro e nas folgas das aulas, Renata foi estagiar em um laboratório fotográfico. Por uma dessas agradáveis surpresas da vida, o tal laboratório é o mesmo usado por um outro fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado. ‘‘Eu sabia que o laboratório era frequentado por bons fotógrafos, mas só fui descobrir sobre o Sebastião Salgado quando já estava fazendo estágio’’, explica.
Durante os dois meses de estágio, viu apenas um lote de filmes do brasileiro, que tinha acabado de chegar de uma de suas viagens. ‘‘Eu não revelava os filmes, mas ajudava no processo pós-revelação’’, lembra Renata, que viu passar por suas mãos fotos de Peter Lindbergh, o badalado fotógrafo de moda. ‘‘O legal era ver as fotos e depois de uma semana, folhear uma revista e vê-las lᒒ, explica a londrinense, que não tem como meta fazer fotos de moda. Prefere os instantâneos tirados nas ruas, sejam de Paris, no sertão do Piauí ou em Londrina. ‘‘Gosto de ficar sentada no Bosque esperando alguma coisa acontecer’’, diz a fotógrafa.
Apaixonada pelo preto-e-branco, Renata diz que há pouco tempo aprendeu a gostar de fotografar também em cores. Em Londrina, suas fotos de Paris à noite já foram vistas no extinto bar Vila Pirata e, como não poderia deixar de ser, na Aliança Francesa. No portfólio (www.renatacaland.com), a preferência pelas fotografias de bonequinhos, luzes e sombras. Como fotógrafa que se preze, gosta mesmo é de estar do outro lado da câmera. Quando opta pelo auto-retrato, quase sempre é sua sombra que aparece.
Na lista de fotógrafos que admira, além de Sebastião Salgado e Peter Lindbergh, Renata Calland também cita Richard Avedon, ‘‘por seus retratos de celebridades’’, e Sara Moon. ‘‘Eu só fui conhecer o trabalho dela depois que um dos donos do laboratório que eu estava estagiando confundiu umas fotos minhas com as dela. Ele me disse que eram parecidas e eu fui atrás para saber mais sobre ela’’, conta.
Voltar para o Brasil? ‘‘Quem sabe daqui uns dois ou três anos’’, planeja. Antes disso, ela ainda promete se aventurar muito clicando o mundo com suas lentes.

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