Um chef internacional em terras londrinenses
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sábado, 05 de julho de 2003
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O carioca Ednaldo da Silva diz que nunca ficou muito à vontade com o nome de batismo. Por isso mesmo, quando um jogador de futebol alemão o apelidou de Fischer, no início da década de 70, gostou tanto da idéia que acabou adotando-o para toda a vida. Como ele já trabalhava com gastronomia naquela época na verdade são quase quatro décadas na cozinha o apelido acabou ganhando nome e sobrenome: Chef Fischer.
O início da carreira foi numa churrascaria. ''É por isso que eu conheço muito de carne'', conta o chef, que em 1975 passou a trabalhar no setor hoteleiro. ''No Rio, trabalhei nos restaurantes dos hotéis Nacional, Othon e Sheraton'', lembra. E como o mundo dá voltas, Fischer, depois de ter morado nove anos na Suíça e ter aberto o próprio restaurante, está novamente no ramo dos hotéis.
Isso porque ele é o chef encarregado da implantação do restaurante Villa Bella, do recém-inaugurado Comfort Suites Londrina. Com um contrato temporário de um mês, Fischer não só montou o cardápio em parceria com o proprietário, como também está treinando os funcionários.
''Eu estava em Londrina para passar férias e visitar uma amiga quando tive essa oportunidade de trabalho'', explica o chef carioca, que não pensou duas vezes para abandonar as férias e aceitar jornadas diárias de 12 a 14 horas. Acabou nem conhecendo direito a cidade. ''Mas acho que aqui é um mercado promissor'', define. O ''porém'' fica por conta da dificuldade de encontrar alguns ingredientes importantes para seus pratos.
''Não consegui comprar o queijo mascarpone para o tiramisu (sobremesa italiana), nem o vinho Marsala'', lembra o chef, que diz ter tido problemas até mesmo para comprar um uniforme. ''Como eu deveria estar em férias, nem pensei em trazer o meu uniforme'', diz.
Mas isso se transformou em desafio saudável (e saboroso) na hora de montar o cardápio. ''O restaurante é italiano, mas tem uma variação internacional e servimos de frango a lagosta'', avisa. ''E os preços ainda são acessíveis'', completa Fischer, que pode estar ''vendendo o seu peixe'', como também pode ainda estar sofrendo com o fuso monetário diferente entre Brasil e Suíça, de onde voltou há 10 meses.
''Voltei para ficar apenas três meses, depois de fechar o restaurante e de encerrar um divórcio complicado'', lembra ele, que acabou encontrando um País diferente no quesito gastronômico. ''Muito, muito melhor. Os ingredientes encontrados aqui são os mesmos da Europa e dos Estados Unidos'', garante. ''Sem falar que os chefs também são mais respeitados e têm mais retorno financeiro'', acrescenta.
''Estava com saudades do Brasil, de ver dias sempre ensolarados'', explica o chef, que mesmo assim não descarta uma nova temporada na Europa. ''Mas não seria mais a Suíça, talvez a Hungria''. Antes de abrir o próprio restaurante em Zurique, teve experiências das mais diversas. Até mesmo participar da implantação e inauguração de uma churrascaria rodízio bem à brasileira na mais importante cidade suíça. ''Saímos em 32 jornais do país'', lembra.
''Meu contrato londrinense está para acabar, mas ainda vamos ver se fico mais um tempo ou não. Também tenho planos de montar uma firma no ramo de assessoria gastronômica e treinamento'', relata o chef. ''Ao formar mais profissionais, melhoramos a qualidade de vida tanto dos profissionais quanto de quem frequenta os restaurantes'', completa.


