Um caminho para o futuro
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2007
Katia Michelle 
Curitiba - Quem assistiu ao seriado especial exibido pela Rede Globo na última terça-feira, intitulado ''Casos e Acasos'', notou algumas caras novas no elenco. Entre atores conhecidos como Ricardo Tozzi, Humberto Martins e Taís Araújo estava o músico e ator curitibano Alexandre Nero. Foi a primeira participação dele em um programa nacional, mas a sua carreira como ator começou já há algum tempo e tem tudo para continuar por um período ainda mais longo. Nero estreou como ator a convite do diretor Luiz Fiani, em 1995, depois de gravar o primeiro CD. Mais de uma década depois, continua conciliando a carreira de músico com a de ator, mas aposta cada vez mais na segunda opção.
No cinema, ele integrou o elenco de ''O Preço da Paz'', também com feras no elenco e o ainda inédito ''Corpos Celestes'', com Dalton Vigh, ambos com locações no Paraná. Mas sua maior participação na televisão é, sem dúvida, em comerciais. Ele está no ar em uma propaganda do Ministério da Saúde e já protagonizou comerciais da Vivo, da Batavo e do Festival de Teatro para citar alguns que projetaram o ator curitibano no cenário nacional.
Os comerciais brasileiros, aliás, está em alta conta com o músico. ''É uma produção tão grande quanto no cinema e tem muita gente talentosa nisso'', compara. Mas, como um curitibano que passou a infância e adolescência em São Paulo, fez o ensino médio em Minas Gerais, com formação de técnico em agropecuária, chegou a cursar dois anos de administração e voltou para a capital paranaense para prestar vestibular para direito e veterinária seguiu o árduo caminho das artes? Não foi uma trilha muito fácil, como ele mesmo define.
''Eu vim de uma família de classe média, onde ser músico não era profissão'', conta. Nero aprendeu a tocar violão ainda na adolescência, mas não imaginava que isso poderia ser o seu 'ganha-pão' no futuro. Depois de sair de Curitiba, aos 20 anos, decidiu voltar para a cidade natal. Tentou vestibular para várias coisas, em áreas distintas, ''até que meu dinheiro começou a acabar e eu fui tocar em bar para sobreviver''. Começava ali uma carreira que nem ele imaginava que teria tanto sucesso.
Em 1995, patrocinado por um ''amigo de um amigo'' lançou o seu primeiro CD. ''Foi uma coisa horrível. Eu era iniciante e cheio de amadorismo'', considera. No ano seguinte, um convite mudaria a carreira do músico. O grupo Fato, que trabalha com ritmos regionais dando uma estética bastante diferenciada para os arranjos, chamou o cantor para substituir o então vocalista Fabiano Medeiros. ''Foi um divisor de águas'', diz Nero. Foram mais de dez anos - e três CDs gravados - com o grupo, além de turnês pelo Brasil e Europa, até que este mês ele se desligou da formação justamente para se dedicar mais ao trabalho de ator.
Na última década, além do Grupo Fato, ele conseguiu ainda aliar seu trabalho com o Fato com diversos projetos pessoais. Nesse período, gravou um CD com a banda Maquinaíma, com composições próprias. ''Foi o meu trabalho mais autoral. Este sim eu posso dizer que é todo meu, incluindo os erros'', revela. Nesse período, ele também foi protagonista de um fenômeno curitibano: ele e amigos fundaram a banda ''Denorex 80'', com músicas que marcaram a década de 80. Com o grupo, ele fez shows para milhares de pessoas e tocou com ícones da época como Sidney Magal, Rosana, Evandro Mesquita, entre outros. ''Mas o que mais gostei foi tocar com o Paulo Ricardo. Ele era meu ídolo. Quando eu era adolescente, queria ser ele'', brinca.
Para 2008, a febre Denorex deve continuar, mas além da música, Nero tem alguns planos que devem incrementar ainda mais sua carreira no cinema, na televisão e no teatro. Nos palcos, ele estréia com o grupo Armadilha o espetáculo Bolacha Maria e tem um projeto aprovado pela Lei Municipal para três shows que devem acontecer ao longo do ano, reunindo artistas de várias vertentes. Intitulado Com Fusão, o projeto tem a proposta de provocar o cenário musical da cidade e inovar a estrutura das performances musicais. Ainda na música, um novo CD com a banda Maquinaíma está nos planos, além de uma ópera dirigida pelo também curitibano Maurício Vogue.
Sobre sua participação em um programa nacional da Rede Globo, ele está otimista com os resultados. Alguns testes para novos programas - e até novelas - estão em vista, mas, sobre isso, ele prefere não comentar: ''Se as coisas vão rolar ou não, não sei. É melhor não ficar esperando'', conclui.


