Um artista em muitos caminhos
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Aos seis anos ele queria fugir com o circo. A mãe, claro, impediu. Em troca, o matriculou na ginástica olímpica, a primeira das grandes aventuras corporais a que o multiartista curitibano Yamba Daher Canfield se submeteria desde a infância até escolher, definitivamente, a arte como profissão. O contato com as mais variadas manifestações, aliás, aconteceu muito cedo. Filho da atriz e diretora Jacqueline Daher, desde criança ele acostumou-se a conviver com artistas que construíram a história recente da arte paranaense. Em todas as vertentes.
A convivência o ajudou a desenvolver a sua personalidade e a fazer as próprias escolhas artísticas. Na infância, como ginasta, foi campeão paranaense individual e com a equipe da escola ganhou campeonatos brasileiros. Mais tarde, a experiência contribuiu para desenvolver as artes circenses. Incluiu diversas técnicas de malabares às suas performances e logo estava se apresentando em eventos e festas culturais da capital e litoral. ''O movimento é o que mais me atrai. Seja ele corporal ou de objetos'', conta o artista que no final da década de 90 também participou de diversos espetáculos como ator e malabarista de diretores paranaenses consagrados, como Mauricio Vogue e Flávio Stein.
Após acumular experiências em espetáculos locais, o artista partiu para a Europa para aprender novas técnicas na área circense, paixão antiga. A viagem de pesquisa incluiu roteiros como Barcelona, Espanha, Itália e França e uma série de cursos com gente experiente. Mas a viagem trouxe também uma nova paixão: a culinária. De volta ao Brasil, fez o disputado curso de gastronomia do Centro Europeu, além de algumas especializações em culinária contemporânea na mesma escola. A história com a gastronomia, revela, aconteceu por acaso. ''Me vendo sozinho, descobri que não sabia cozinhar. Quis aprender por várias razões, para cozinhar para mim, para receber amigos e também para ter mais uma opção de trabalho'', revela.
Desde que voltou ao Brasil, os trabalhos como artista e chef de cozinha se alternam. Já trabalhou com Letícia Krause e Paulo Zanatta quando o assunto é gastronomia. Na vertente artística, fez algumas parcerias, como com o Coletivo Interlux Arte Livre e outros grupos performáticos. ''Mas no Brasil é difícil formar um grupo circense e eu acabo trabalhando sozinho. Na verdade, até prefiro'', constata.
Há três anos, Yamba passou a integrar os espetáculos do Coro da Camerata Antiqua de Curitiba, grupo mantido pela Fundação Cultural de Curitiba e que no ano passado foi considerado um dos dez grupos de coral mais importantes do mundo. Com a Camerata, viajou no ano passado para apresentações em festivais no exterior, como o 18º Festival Corale Internazionale La Fabbrica Del Canto, em Legnano, na Itália, e o 8º World Symposium on Choral Music, na Dinamarca. Também fez performance com o grupo, no recente - e elogiado - espetáculo apresentado durante a Oficina de Música, um dos mais importantes eventos musicais de Curitiba.
Paralelo ao trabalho com o grupo municipal, o artista também desenvolve projetos solos, como o Beatmalaba, um projeto que junta música eletrônica e malabares em uma única performance. ''Faço a captação dos sons dos objetos com microfones e utilizo os resultados para compor com outros instrumentos'', explica. O projeto inédito está em desenvolvimento e deve tomar ainda mais forma em 2010.
Este ano aliás, é o ano que ele quer consolidar o trabalho com as performances de malabares, mas também desenvolver a paixão (e o trabalho) com a gastronomia. A ideia, adianta, é fazer uma pesquisa para unir música, acrobacia, culinária e tecnologia. Impossível? Para Yamba, não. ''Sou um artista que utiliza de diversos contextos para expressar minha arte'', define.


