Curitiba O ator, diretor de teatro, coreógrafo, empresário e outras coisas mais George Sada cresceu ouvindo as serestas que o pai fazia dentro e fora de casa. Apesar de o progenitor ser engenheiro da rede ferroviária brasileira, a ligação com a arte na família Sada acontecia nas vagas horas. A mãe, dona de casa, cuidava dos seis filhos e embora também apreciasse a arte, foi artista de radionovela, não lhe caia bem aos ouvidos a idéia de ter um filho artista. Achava que ele não iria sobreviver com isso. Ledo engano.
Para Sada isso não foi o que falou mais forte. Ele ouviu em partes os conselhos da mãe ao cursar a faculdade de psicologia. Antes disso ele já estava envolvido com dança clássica e contemporânea e também fazia cursos de manequim e modelo. Tantas diversificações profissionais, no entanto, não o desviaram, a princípio, do curso da faculdade.
''Quando eu estava me formando resolvi abandonar tudo e me dedicar à psicologia'', conta. Mas foi aí que o destino começou a colocar seu sopro na vida de Sada. Perto de sua formatura ele foi ao banco retirar de sua poupança todas suas economias. Lá dentro, uma fila grande o intrigou. ''Perguntei para a moça do banco o que era aquela fila e ela respondeu que era para fazer inscrição para o vestibular do teatro. O valor era muito parecido com o que iria deixar na poupança.'' Pronto. George Sada dava uma guinada determinante.
Nessa turma onde ingressaria estariam nomes como Cleon Jaques e Joelson Medeiros, artistas importantes para o teatro paranaense. E foi assim que se delinearam as primeiras histórias de quase 20 anos de dedicação aos palcos, que Sada comemora ainda este ano.
Para situar o leitor da importância de Sada no curso de Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná, ele é apontado como um dos responsáveis por sua seriedade. Como não pára quieto nunca Sada acabou por virar professor na FAP e interferiu profundamente na organização de tudo. Pelo menos é assim que um grande número de ex-alunos e fãs que foi angariando ao longo do tempo se referem quando falam sobre ele.
Fora essa loucura de atividades ''não paro 24 horas por dia e às vezes sofro por isso também'' Sada é dono de uma das escolas de teatro mais importantes da cidade, a Cena Hum. Foi de lá que saiu, por exemplo, Alexandre Slaviero, o Kiko do seriado global Malhação.
Uma outra história interessante sobre sua vida é o surgimento da escola. Ele sempre quis tê-la e já havia escolhido até o nome. Quando conseguisse abri-la seria a Santo Graal. Mas aí um dia uma amiga lhe chamou a atenção para o fato de nunca ninguém ter encontrado o cálice sagrado. Foi então que George literalmente sonhou com o nome Cena Hum e acabou conseguindo abrir a escola com sacrifício e ajuda do pai. ''Tinha 25 centavos no bolso, mas meu pai me deu aval para alugar a casa e acabei abrindo.''
Para conseguir chegar onde está Sada sempre foi atrás das sinalizações da vida, e nisso não entra pieguice nenhuma. Ele não é dado a dramatizações excessivas quando fala de si mesmo. Mas é um homem que aprendeu a juntar as experiências. Por exemplo: usa a psicologia em favor do teatro. E de que forma as duas profissões andam juntas? ''Acho que o teatro e a psicologia fazem uma grande parceria. Quando atuo percebo a importância de utilizar da psicologia para construir um personagem e dar o entendimento a ele. Acho que diminuí os riscos de erro por entender muito de comportamento humano que a faculdade me proporcionou. Quando sou professor de teatro consigo buscar na psicologia uma forma de facilitar e encaminhar melhor a aprendizagem com o aluno. E quando sou diretor tenho idéia de como entender o grupo. Então isso tudo me possibilita ter um entendimento mais próximo do ser humano. A psicologia me ajuda em todas as formas do teatro.''
Para Sada, no entanto, essa ligação não quer dizer que o teatro seja uma terapia, mas tem ''um efeito terapêutico''. Quem faz teatro se conhece mais, explica o mestre que toca na escola o ensinamento de 97 alunos a partir dos 4 anos de idade. Um desafio que não parece ser pesado.
Hoje com 10 anos de Cena Hum George admite que errou muito, mas aprendeu principalmente sobrepor o seu maior desafio: ser administrador. Essa seria a grande pedra no seu caminho, nada que ele não possa superar em meio a tantos personagens reais que vive. ''Juro que acredito em todos eles'',
brinca.

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