Curitiba - O último Carnaval de rua de Curitiba ganhou uma cara mais profissional. A escola Mocidade Azul, que não desfilava havia três anos, contratou Ricardo Garanhani para ser o carnavalesco da edição deste ano. A estratégia deu certo. Além de vencer o desfile, a escola voltou para o grupo especial e vai desfilar entre as melhores no ano que vem.
Garanhani adquiriu experiência com Carnaval após trabalhar alguns anos em desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ele conheceu a carnavalesca Rosa Magalhães, que durante anos foi o principal nome da Imperatriz, onde ele começou a fazer as principais fantasias da escola. ''Sempre gostei Carnaval. Há 15 anos eu ia para o Rio assistir e desfilar. Mas eu queria mais. Foi então que veio a oportunidade de trabalhar com eles'', conta. Essa experiência contou pontos na hora de montar o desfile em Curitiba; a diferença é que aqui tudo é escala menor. Sem falar na falta de verba, que atrapalha muitos planos. Mesmo assim, arrebatou o título, e nem precisa dizer que já está contratado para 2011. O tema será sobre a felicidade.
A história de Garanhani com o mundo do entretenimento começou há 20 anos, quando entrou no grupo de balé do Teatro Guaíra. Natural de Siqueira Campos (90 km ao sul de Jacarezinho), ainda pequeno morou em Ponta Grossa e depois foi para Curitiba estudar Arquitetura. Desistiu do curso na metade, quando os estudos em dança e artes plásticas centralizaram a atenção dele.
''Quando cheguei em Curitiba tinha a maior paixão pelo Teatro Guaíra. Passava do outro lado da rua porque achava que ele era inacessível. Achava lindo ver o povo entrar lá. Demorei um ano para criar coragem de ir ao teatro. Jamais imaginava que iria integrar o grupo de dançarinos do Guaíra'', revela.
Garanhani aponta dois momentos em que o balé do Guaíra viveu seu ápice. Um deles foi a primeira versão do espetáculo ''O Grande Circo Místico'', de 1983, com trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo. ''Eu não estava na companhia, mas assisti umas dez vezes''. Ele fez parte do elenco na segunda versão da apresentação, em 2001. Um outro momento de destaque foi em ''Segundo Sopro'', de 2000, popularmente conhecido como o balé da chuva, pois os dançarinos executavam parte da apresentação sob forte chuva artificial dentro do teatro.
Quem pensa que Garanhani é apenas carnavalesco e bailarino está enganado. Ele ainda acumula as funções de aderecista e figurinista de peças de teatro. Neste ano, ganhou o sétimo prêmio Gralha Azul (principal reconhecimento do teatro paranaense) como aderecista. Desta vez pela peça ''Otelo - As Faces do Ciúme'', mas tem outro troféu na categoria figurino.
Para quem não sabe qual é o trabalho de um aderecista, o próprio Garanhani dá uma rápida explicação. ''Adereço é tudo aquilo que o cenógrafo e o figurinista não querem fazer. O aderecista é meio um mágico do teatro. Sobra muito pepino pra ele. É tudo aquilo que está em cena, mas que não é figurino nem cenário''.
Como não existe uma loja específica para teatro, é necessário invadir outras áreas e ficar de olho em tudo. Para isso, Garanhani vasculha sapatarias e lojas de material de construção. O objetivo é transformar e reinventar a realidade para a ficção. Atualmente, ele trabalha no cenário e figurino do espetáculo ''Medeia'', dirigido por Marcelo Marchioro e encenado pela experiente Claudete Pereira Jorge. O trabalho poderá ser visto no mês quem, no Guairinha.
Bailarino, aderecista, artista plástico, figurinista, cenógrafo e carnavalesco. ''Me considero um homem de vários talentos'', diz. No balé confessa que está quase se aposentando. ''Não tenho grandes expectativas como profissional de dança, mas gosto de conviver dentro desse ambiente'', diz.

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