Curitiba Foi a partir de uma viagem a Buenos Aires que o arquiteto Mauricio Pinheiro Lima encontrou a sua verdadeira vocação profissional. Nascido em Ibiporã, estudou Engenharia Civil até quase a formatura, mas ao adentrar a capital portenha, teve a verdadeira certeza de que seu caminho era o inverso daquele que vinha fazendo. Arquitetura e Engenharia Civil estão, muitas vezes, contrapostas.
Enquanto uma pensa em construir obedecendo a leis da física, a outra quer a beleza das formas, desafiando-as. ''A Arquitetura e a Engenharia não têm a mesma linguagem'', observa. E foi passando um mês em Buenos Aires que Pinheiro Lima resolveu recomeçar. ''Larguei tudo, fiz vestibular de novo e mais cinco anos de faculdade.''
E o que na arquitetura de lugares como Buenos Aires e Santiago, reviraram a sua maneira de pensar a profissão? ''O modo de observar a arquitetura. Você começa a datar as coisas. É que nem a história da arte que você data os quadros e começa a entender. As artes são deste ou daquele jeito. A arquitetura também é assim. Você não fica só olhando fachada, você evolui em forma, cor, espaço. E quando fui para lá e vi todos aqueles monumentos, aquilo me pirou e eu resolvi começar tudo de novo.''
Já nessa virada o arquiteto sabia que teria de se sustentar economicamente. ''Meus pais achavam que eu ia fazer Direito. Menti e acabei me inscrevendo em Arquitetura. Só que eu paguei a faculdade toda. Já comecei trabalhando com a Denise Volpi. Ela tinha um escritório legal. Depois acabei virando sócio e quando ela foi embora fiquei sozinho'', lembra o arquiteto.
Em pouco tempo, cerca de dez anos de atividade, passou de estagiário a um dos mais requisitados arquitetos da cidade. É de Pinheiro Lima a a construção de um grande salão de beleza na cidade. Com um pé direito altíssimo a obra é exemplo da aptidão que Mauricio tem para desenvolver o que é moderno, prático e inovador, ou melhor, como ele prefere dizer, contemporâneo.
E a capacidade de conseguir realizar seu trabalho, uma obra com assinatura própria, é também seu maior desafio. ''O maior desafio é sempre convencer o cliente a entender a tua linguagem. A tua forma de ver espaço, forma, luz.''
E se existe moda para tudo, a arquitetura também obedece a uma corrente mundial. A contemporaneidade rege o momento. ''Ser contemporâneo é pegar o melhor do século passado. O melhor do modernismo, do neoclássico, de tudo e fazer uma linguagem nova com isso'', ensina.
Para entender um pouco mais sobre essa evolução a explicação é rasteira. ''Quando há mistura de materiais já é'', exemplifica. Nessa onda, Pinheiro Lima restaurou uma casa antiga na cidade e construiu, acoplado a ela, um hotel. ''Tentamos ser os mais fidedignos com o que havia na época. Mas a estrutura externa que foi a parte onde foi feito o hotel, foi uma viagem'', brinca.
Essas obras formam um currículo extenso ao profissional que já fez vários hotéis na cidade. Haja imaginação. Criatividade sempre tem que ter de sobra. Com isso o arquiteto nem se preocupa. Tem sua maneira de ser certeiro no que vai fazer. ''Converso muito com meu cliente. Tento entendê-lo. É muito difícil ter alterações em meus projetos. Para isso, principalmente quando é comercial, um restaurante, uma loja, uma ótica, pego vários exemplos de lugares que já vi.''
O modo de desenvolver seu trabalho tem outros macetes como se voltar para o quanto de dinheiro o cliente tem e respeitar o que já tinha sido feito antes por outros profissionais. ''O que está bem feito eu vou deixar. Não é por ter sido feito por outro profissional que não tem valor. E outra coisa: nem sempre uma idéia boa é cara. Entra no campo da ética, outro ingrediente importante para se ter sucesso.''
O tempo todo há projetos entrando no escritório e ainda há tempo para mostrar o novo. Todo ano Pinheiro Lima participa da Casa Cor Paraná. Não é por ter sucesso que não precisa reforçar a sua marca. ''Além de ser um novo desafio é um jeito de mostrar teu trabalho para muita gente. Não importa se eles vão te contratar, mas você está semeando.''
Esse envolvimento total acontece nas viagens frequentes que faz em volta do mundo. O arquiteto está sempre indo ou vindo de algum lugar. Dessas viagens mais trabalho. Máquina em punho e idéias vão se formando incessantemente em sua mente. ''Se você pegar um álbum de fotos minhas nunca tem gente. São coisas, tecidos, lojas, toalhas.''
Em sua vida pessoal Mauricio mora numa casa da década de 60. 'Minha casa é uma viagem muito grande porque tudo é móvel lá. Como faço Casa Cor tenho móveis que desenho e acabo ficando para mim. Então todo ano ela muda. Algumas peças ou vão para casa de amigos ou eu vendo para alguém para colocar coisas novas.'' Assim tudo se transforma, renova e o profissional acompanha as necessidades de um mercado competitivo e sem fronteiras.

mockup