UM ANJO CAIU EM CURITIBA
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
Avesso ao padrão de galã imposto pela mídia, Caio Blat, 20 anos, se destaca em meio a uma multidão de jovens atores. Simples e talentoso, ele constrói com bases sólidas uma carreira que começou ainda na infância. Embora seja o protagonista e personagem-título de uma das atuais novelas globais, não se comporta com estrelismo. De passagem por Curitiba no início da semana, onde foi o convidado especial na inauguração da loja Capoani Concept, no Shopping Mueller, Blat esbanjou simpatia.
Sua pele branquíssima prova que não é garoto de praia e o corpo franzino mostra que não é amigo das academias. Com seu jeito meigo, entretanto, vem conquistando o País. Em conversa informal com a imprensa, contou que não poupa esforços para realizar um bom trabalho profissional. Recentemente, por exemplo, não hesitou em abandonar sua confortável residência para morar por uns tempos numa favela carioca, o que serviu como laboratório para um espetáculo teatral.
Como foi essa experiência?
Morei na entrada da favela do Vidigal. Minha casa ficava de frente para a praia e para o Hotel Sheraton e de costas para o Vidigal. O fundo da casa emendava com a favela e eu ficava bem na divisa... O período em que morei ali foi fundamental para o espetáculo que estou dirigindo, o Êxtase, que fala sobre as drogas.
A montagem está em cartaz?
A peça estreou no próprio Vidigal, depois fez temporada dentro de uma faculdade carioca e agora, através de um projeto do Sesc, irá para a periferia do Rio, para outras favelas e comunidades... O espetáculo poderá também viajar pelo País... Basta que nos convidem...
Você continua morando na favela?
Agora estou saindo de lá e a casa em que morei no Vidigal será transformada em Centro Cultural para atender toda a comunidade local.
Você nasceu no Rio?
Não, eu nasci em São Caetano do Sul (SP), aquela cidade que tem um time azulão que ganha de todo mundo...
O espetáculo Êxtase foi seu primeiro trabalho de direção?
Sim, e foi uma delícia... Como diretor, me sinto como um fator de união entre as pessoas. Nesse espetáculo, por exemplo, consegui juntar um grupo maravilhoso. Espero que nos meus próximos trabalhos de direção eu possa continuar sempre me sentindo assim: como uma força para unir as pessoas certas.
Você tem sido considerado pela mídia como um anti-herói, a antítese do galã... Isso é proposital?
Eu penso que o mais importante são as mensagens e não o mensageiro. Se eu fosse um Brad Pitt da vida prestariam mais atenção na minha beleza física do que no conteúdo do que eu tenho para dizer. Então, ser esse anti-herói foi uma escolha minha e eu acho isso muito legal. Eu vou sempre valorizar mais a mensagem do que eu mesmo...
Mas falam por aí que este anti-herói é um conquistador...
Risos. Não... É tudo exagero... Nem estou namorando...
Quais são seus próximos projetos profissionais?
O Êxtase ainda vai ficar em cartaz por um bom tempo... Em São Paulo continuo com o Macário, que é um espetáculo que eu já estou fazendo há anos... Tem ainda a novela, que vai até setembro. Depois disso eu terei que escolher entre muita coisa...


