São Paulo - Aos 16 anos, Bob Wolfenson perdeu o pai e precisou trabalhar para ajudar a família. Foi assim, meio por acaso, meio por necessidade, que o fotógrafo para quem musas como Maitê Proença, Cléo Pires e Vera Fischer já se despiram, começou. Hoje, aos 56, ele coleciona prêmios e tem sua obra em importantes coleções (Masp, Itaú Cultural, MAM-SP e Pirelli-Masp). Wolfenson, que conhece o universo feminino como poucos - é casado há mais de 30 anos e pai de três filhas -, revela que o ensaio nu, que impresso nas páginas das revistas enlouquece tantos homens, é apenas um encontro corriqueiro para ele. Entre um ensaio e outro, tem se preparado para lançar, em 2012, uma exposição com obras de toda a sua carreira.
Como entrou na fotografia?
Nem um pouco por vocação. Meu pai morreu de câncer quando eu tinha 16 anos e precisei trabalhar. Um cunhado me arrumou um emprego num estúdio fotográfico.
Mas não gostava?
Não. Mas, com o tempo, fui vocacionando, aprendendo. Uns 5 anos depois já gostava da profissão.
Quando foi morar fora do Brasil?
Eu tinha 27 anos e já tinha uma carreira de dez. Mas me sentia medíocre, queria aprender. Mandei cartas para vários fotógrafos importantes, me oferecendo como assistente. Um deles me respondeu gentil, mas levei o convite ao pé da letra. Bati na porta dele, em Nova York, mas não tinha emprego.
E voltou?
Resolvi ficar estudando inglês. Quatro meses depois, comecei a procurar os fotógrafos de moda mais importantes. Queria um mestre. Por sorte, quando fiz contato com o Bill King ele estava precisando de um assistente. Fiquei um ano. Uma experiência incrível. Voltei para o Brasil e fui trabalhar em estúdio, com revistas de moda e agências.
Os ensaios de moda que faz influenciam no seu estilo pessoal?
Claro que eu conheço muito de moda, reconheço as pessoas, as referências. Mas não entendo de combinar, de me vestir.
E os nus? Como começou?
Eu já havia feito antes de viajar (para os EUA). Mas o ensaio da Maitê Proença (para Playboy, em 1996) foi o mais marcante, um divisor de águas. Foi uma transformação, pois foi o momento que encontrei o meu estilo de fotografar os ensaios.
Ao longo dos anos foi vendo de perto o padrão de beleza mudar. Isso refletiu no seu trabalho?
Pois é. Nos anos 1970 e 1980, era um corpo natural, mais magro. Depois ficaram todos malhados. Mas pra mim não faz diferença, não muda nada.
Quais os nus preferidos?
Além da Maitê Proença, o da Alessandra Negrini (2004) e o da Cléo Pires (2010), que adorei fazer. O da Fernanda Young (2009) também ficou bem legal.
Sua mulher não tem ciúmes?
Olha, eu teria. Mas ela, se tem, não me fala. Pra mim fotografar um ensaio desse tipo é mais uma coisa corriqueira.
Você cresceu no (bairro do) Bom Retiro (região central de São Paulo). Continua ligado ao bairro?
Costumo dizer que eu saí do Bom Retiro, mas o Bom Retiro não saiu de mim. Vivi 22 anos lá e ainda tenho uma ligação, sim. Mas não chega a ser nostalgia.
Como foi sua infância? Era judeu?
Não tinha essa ligação de judeu. A minha família já tinha uma cultura muito misturada e meu pai era militante de esquerda. Foi uma infância normal.
São Paulo é uma cidade bonita de fotografar?
Fotografo não pela beleza, mas pelo envolvimento, pelo contexto. E, claro, nesse sentido São Paulo é um grande cenário.
O que faz nos momentos de folga?
Ah, gosto de sair com minha família e com os amigos. Também gosto muito de correr, sempre no Pacaembu, no Parque do Ibirapuera ou no Parque Villa Lobos.

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