Tudo ao mesmo tempo
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quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Karla Matida 
Ele já foi professor de Matemática e Física do 2º grau, também foi integrante do pelotão de investigação do exército. Além disso montou uma empresa de baby sitter quando morou no Havaí, onde também foi pedreiro e vendedor de loja de grife. Agora é dono de um salão de beleza e como hobby cria cachorros da raça mastim napolitano. Confusão? Tudo muito natural para o empresário Ricardo Ferraz, que já se acostumou a estar sempre fazendo muitas e diferentes coisas ao mesmo tempo.
Esportista, foi jogador de basquete, não deixa de praticar natação e musculação para manter a forma. Nem mesmo quando o tempo ''aperta'', com o corre-corre do salão, aberto há oito meses no Catuaí Shopping Center. ''Foi por acaso'', lembra o empresário, que tinha ido ao shopping para deixar o currículo e acabou se tornando dono de um salão. ''Como demoraram para me atender, eu resolvi ir cortar o cabelo, foi quando o Carlão (cabeleireiro) me falou de montar um salão no shopping''.
''Mas eu não tenho o dom'', explica Ricardo, que prefere ficar apenas na administração do salão a colocar a mão na massa. Ou melhor, nos cabelos dos clientes. O que não o impede de trabalhar menos. No último sábado, por exemplo, o empresário só deixou o salão à meia-noite. Mesmo assim ele já pensa em ampliar ainda mais suas dependências e oferecer mais novidades.
Lazer? Sim, ainda sobra tempo para ele passear com a moto de 1.000 cilindradas (uma BMW preta ano 75) e cuidar da criação de cães da raça Mastim Napolitano. Aliás, a tal criação também começou assim ''por acaso''. ''Eu odiava cachorros, tinha verdadeira aversão'', lembra Ricardo, rindo. ''Mas daí, o pai de uma namorada me deu uma fêmea da raça, e eu, para fazer moral com ele, aceitei'', diz.
Logo em seguida, ganhou um macho e acabou ficando com o casal de mastins por um ano antes de embarcar para o Havaí. ''Quando voltei, comprei o Aroni'', conta. O então filhote de mastim napolitano veio de Curitiba em 97, e até 99, quando participou de exposições pelo Brasil, ganhou prêmios e troféus importantes.
Hoje, só como reprodutor, o cão Aroni tem uma ''família'', espalhada pelo mundo. No Brasil, está do Amazonas ao Rio Grande do Sul, além de cidades no México, Bolívia e Argentina. Apesar de os filhotes custarem entre 700 a 2,5 mil reais (de acordo com a tabela da revista Cães e cia.), Ricardo Ferraz diz que é apenas um hobby. O negócio agora é o salão. Mas se ele considera ter se encontrado, aí já é uma outra história.


