Mesmo com apenas cinco anos na frente das câmaras, Malvino Salvador sente-se seguro na profissão. Com um jeito rude, bastante peculiar - que se manifestou logo em seus primeiros personagens -, o ator faz em Caras & Bocas sua estreia como protagonista. Cheio de confiança no olhar, ele garante a quem quiser ouvir que enfrenta com naturalidade a conquista do papel. ''É a ordem das coisas. Passei por uma fase até chegar aqui. Não sinto pressão. É um personagem como outros que já vivi'', analisa o intérprete do pintor frustrado Gabriel.
Sem demonstrar ansiedade, Malvino começa a trabalhar aos poucos as caracterísitcas do enigmático Gabriel. E sente que na novela ganhou maturidade na tevê e na vida pessoal. ''Fui adquirindo minha personalidade através de experiência, da estrada e mostro minha essência através disso. Tento ser o mais autêntico possível'', garante.
Mas é claro que como protagonista a responsabilidade é outra, reconhece ele. ''Só não consigo enxergá-lo de forma superior em relação aos meus outros personagens. Não vejo diferença entre o protagonista e o coadjuvante. Pelo menos, o meu empenho será o mesmo. O Gabriel é mais um na minha trajetória. Já tive a chance de fazer papéis que eram centrais também e, por isso, não tem essa de ter o ''peso de protagonista''. Posso dizer que não sinto toda essa pressão que alguns falam. As coisas foram acontecendo na minha carreira. A diferença é que está me tomando mais tempo. Me preocupo em ter mais concentração antes de entrar em cena''.
Emendando um trabalho no outro - Malvino saiu de A Favorita (que terminou em janeiro) num dia e no outro já estava gravando Caras e Bocas - ele confessa que queria ter descansado um pouco. ''Até porque, desde que estreei na tevê, estou engatando uma novela na outra. Ao mesmo tempo, não posso escolher muito. E vendo assim, era impossível recusar esse personagem, que veio através de um convite do Jorge Fernando e do Walcyr Carrasco, com quem já trabalhei outras vezes''.
Desde sua estreia na tevê em 2004 (está na sexta novela), mas isso é o que menos preocupa Malvino. ''Não posso parar de trabalhar. Esse lance de descansar minha imagem seria uma preocupação se eu estivesse fazendo só personagens parecidos. Não é o caso. Gosto muito do que faço. Só que desta vez foi mais corrido. Nem tive muito tempo para me preparar para o Gabriel e, por isso, estou deixando que o texto e a direção me conduzam''.
Quanto à sensualidade dos personagens anteriores, ele argumenta que em momento algum foram cenas de mau gosto ou apelativas. ''Tirei a camisa todas as vezes em que houve necessidade. E para ter sensualidade tem de mostrar pele, pêlo. É para instigar, mexer com as emoções através da imagem mesmo. E se a proposta é essa, por que não? Se isso vai ser sensual, não é esse o meu objetivo. Já malhei muito, mas hoje só faço boxe. Hoje acho tudo isso muito chato, essa é a verdade. Me mostrar faz parte do meu ofício''.
Malvino Salvador estava longe de ser um adolescente quando começou a carreira na tevê. Assim como muitos atores, ele veio das passarelas de moda para a frente das câmaras. O manauara foi para São Paulo aos 25 anos para ganhar a vida como modelo. Pagava as aulas de teatro com o cachê que ganhava nos desfiles que fazia. E chegou a cursar a faculdade de Artes Cênicas por quatro anos, em Manaus, mas trancou para se dedicar à carreira nas passarelas. Depois de participar da peça teatral Blue Jeans, em 2003, dirigida por Wolf Maya, Malvino conseguiu seu primeiro papel na tevê, em Cabocla, um ano depois. Mesmo gravando Caras e Bocas, Malvino faz questão de não se afastar dos palcos. Com ''muitos textos para decorar'', como ele mesmo diz, e com uma rotina de gravação que inclui os finais de semana, o ator já está ensaiando uma peça teatral.
Mas não é só no teatro que Malvino quer estar em atividade. Ao lado do ator Eriberto Leão, Malvino está produzindo seu primeiro documentário, chamado inicialmente de Aos Brasileiros. Ele e Eriberto se conheceram em 2004, quando estreavam em Cabocla. A amizade continuou depois da trama e os dois decidiram montar um projeto, que resultou no longa-metragem que retrata a vida da população indígena no território Yanomami, em Roraima. ''Tenho de ter tempo para fazer tudo o que quero, mesmo em ritmo intenso. Nesse momento, é tudo para a carreira'', afirma.

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