Já virou lugar-comum entre os atores afirmarem que o novo personagem é diferente de tudo o que eles já fizeram. Clichês à parte, há de se admitir que o Dirceu de Castro, de ''Senhora do Destino'', é um tipo inédito no currículo de José Mayer. Acostumado a interpretar mulherengos e conquistadores, esse mineiro de 55 anos assume, pela primeira vez na carreira, um sujeito fiel. A felizarda é Maria do Carmo, a protagonista da nova novela das oito vivida pela veterana Susana Vieira. ''Um dos grandes baratos da minha profissão é que você não precisa se aposentar. Daqui a pouco, sei que vou deixar de fazer os sedutores e partir para outros tipos. Adoraria fazer um vilão, por exemplo...'', sugere.
''Não me considero bonito'', diz ele. ''Muito pelo contrário. Tenho mais charme do que beleza. Talvez isso me humanize e me deixe ao alcance da fantasia das mulheres'', analisa. Apesar de toda a modéstia, José Mayer festeja o prazer de retomar a parceria com Aguinaldo Silva. Depois de emendar três produções consecutivas de Manoel Carlos, ele volta a trabalhar com o autor de dois de seus trabalhos prediletos: a minissérie ''Bandidos da Falange'', de 1983, e a novela ''Tieta'', de 1989.
Na adaptação do romance homônimo de Jorge Amado, José Mayer interpretou aquele que considera o seu tipo mais popular: o insaciável Osnar. ''As mulheres não gostam do machão clássico. O Osnar, por exemplo, era bem-dotado, mas tinha senso de humor. Se há uma coisa de que as mulheres gostam é de senso de humor'', ensina.
Quanto ao novo personagem, o ator não acha que ele vá causar estranheza, não. ''Ele combina muito com o meu amadurecimento, com a minha idade. Com o tempo, o homem vai ficando mais quieto, mais pacato. Talvez seja a hora mesmo de eu ficar mais na minha''.
Todos os dias, José Mayer se pergunta o que as mulheres tanto vêem nele. De estatura e físico medianos, esse mineiro de Jaraguaçu admite que não é nenhum Richard Gere e muito menos um Arnold Schwarzenegger. Mesmo assim, o seu nome é sempre lembrado quando os autores buscam um galã de meia-idade para dar vida a tipos charmosos e sedutores. O papel de homem maduro que cai de amores por uma ninfeta, por exemplo, não é novidade.
Segundo ele, ''uma das maiores virtudes da mulher é enxergar beleza onde ela não existe. A mulher tem olhos que perscrutam belezas quase subjetivas. Se eu tiver alguma beleza interior, fico honradíssimo. Mas tenho de confessar que gostaria de ser diferente fisicamente''. Para fazer o Dirceu, por exemplo, ele deixou o cabelo crescer. E assumiu os óculos. ''Achei que, por ser um intelectual, os óculos cairiam bem. Enfim, estou me sutilizando aos poucos. No entanto, não vejo motivos para mudar. Pelo jeito, a coisa está funcionando bem...
José Mayer sempre teve espírito empreendedor. Quando concluiu o Curso de Letras na Universidade Federal de Minas, resolveu fazer teatro. O interesse pela arte de representar surgiu nas aulas de oratória. Os colegas de turma viviam elogiando o futuro ator quando ele tinha de ler algum texto em sala de aula. A estréia no teatro aconteceu em 1968, quando fez a peça ''Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come''.
Em 30 anos de carreira, o ator perdeu as contas dos tipos sedutores que já fez. Mesmo assim, gosta de abrir exceções esporádicas para personagens divertidos, como o Osnar, de ''Tieta''; complexos, como o Comissário Mattos, de ''Agosto''; ou sofridos, como o Zé do Burro, de ''O Pagador de Promessas''. Longe das câmaras de tevê, José Mayer faz mesmo o tipo reservado. Como todo bom mineiro, fala pouco da vida pessoal. Sabe-se apenas que é casado com a atriz Vera Fajardo, companheira há 30 anos. ''Temos a capacidade mútua de reinventar a mesmice nossa de cada dia'', filosofa. Juntos, José Mayer e Vera Fajardo tiveram Júlia, atualmente com 20 anos. Nas horas de folga, o ator gosta de se refugiar com a família no sítio em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Lá, costuma acordar cedo para podar ipês e regar buganvílias. ''A jardinagem é o único esporte que pratico para manter a forma'', brinca.

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