Em uma nação onde o esporte produz mais frustração do que alegria, Paulo Renan Bertassoni, curitibano radicado em Londrina, é uma exceção. A exemplo da paixão que seus pais tinham - e praticavam - quando jovens, ele viu no vôlei a profissão que o tornaria, anos mais tarde, um atleta de talento reconhecido.
Na escola, trocou o futsal pelo vôlei porque se considerava muito alto. A bendita e certeira escolha se deu no ano de 1997. Três anos mais tarde, saiu de casa rumo a seu primeiro clube, o Brusque, em Santa Catarina. Lá, se contentava com míseros R$ 100 de salário e uma bolsa de estudos. ''Achava que ganhava uma fortuna na época'', relembra ele.
Na incansável tentativa de se tornar um atleta de destaque no esporte, seguiu em 2002 para Blumenau, onde permaneceu por um ano. Em 2004 foi parar em São Caetano do Sul (SP), segundo ele, sua última tentativa de virar um jogador de vôlei. ''Deu certo. De 2005 até 2008 joguei no antigo Banespa como profissional.''
Já sustentando um respeitado currículo, Bertassoni foi contratado para jogar no Sport Lisboa e Benfica - o mesmo do futebol -, em Portugal. No clube, em que atuou por três temporadas, tornou-se um dos principais jogadores, inserindo seu nome entre os melhores levantadores daquele país.
''Fiquei muito feliz com esse reconhecimento, que não foi só do meu time, mas também de atletas consagrados de Portugal. Isso faz bem para o ego, faz você ficar mais tranquilo e querer ir além. Eu sempre acreditei em mim, no meu potencial, mas faltava alguma coisa. O meu treinador sempre me motivou e me incentivou dizendo o quanto eu era bom e isso me fez sentir confiança para fazer o meu melhor dentro de quadra, independente de onde eu jogasse'', contou ele à FOLHA.
De volta ao Brasil - país considerado uma potência do vôlei e tido como uma fábrica de estrelas de altíssimo nível -, Bertassoni já vestiu a camisa do BMG/São Bernardo, clube que passa a defender nesta temporada.
''Sempre tive vontade de voltar, ainda mais pelo nível em que a superliga está. Este ano calhou de eu receber uma proposta bacana. Conhecia os treinadores do BMG/São Bernardo, trabalhei com eles antes de ir para Portugal. Isso fez minha volta ficar mais fácil, já que eu conhecia a linha de trabalho'', disse.
Com uma intensa rotina de treinos, que inclui dois períodos todos os dias, Bertassoni, assim como todas as pessoas que aliam dedicação e bons méritos, sonha com o auge na carreira que, no seu caso, é ser convocado para a Seleção Brasileira de Vôlei. Estamos na torcida!

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