Transcendendo as origens
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sábado, 15 de maio de 2010
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Há três dias, o engenheiro e empresário Atsushi Yoshii recebeu o título de Cidadão Honorário do Paraná, em cerimônia realizada em Londrina, comandada por representantes da Câmara dos Deputados do Paraná. Para o carioca de nascimento, vivendo no Paraná desde os tempos de estudante - formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) - a homenagem foi recebida com muita alegria e gratidão, marcando uma nova fase de sua vida, que ele classifica como transcendental.
Se no início da carreira o foco era trabalhar, crescer economicamente e desenvolver-se profissionalmente, com o tempo, a dedicação do empresário voltou-se para a defesa de sua classe, a dos engenheiros. De 1993 a 1998, foi presidente do Sinduscon Norte, o sindicato da construção civil do Paraná. ''Hoje, o espírito é compartilhar, seja a experiência, o conhecimento e até os bens. Faço isso com muita felicidade, acho que são mais felizes as pessoas que conseguem repartir. Quero dar um retorno à sociedade em que estou inserido, à comunidade onde cresci e prosperei'', define o empresário, referindo-se à Londrina, onde vive desde 1980, quando transferiu a empresa do setor de construção civil sediada de Apucarana.
Sua história no Paraná começou na década de 60, quando viveu o período universitário em Curitiba, só interrompido por uma rápida passagem pelo Japão. Logo depois de formado, com o diploma em mãos, o jovem engenheiro seguiu para a Ásia como bolsista, para se aprimorar em administração de empresas. A experiência durou um ano. ''Foi um período muito importante. Aprendi bastante sobre a cultura, as tradições e a filosofia japonesa'', relembra.
O ano era 1964, e o Japão sediava os Jogos Olímpicos, pela primeira vez disputados em território asiático. ''Presenciei um Japão que passava por grandes mudanças, de muita energia, que se recuperava de tudo o que havia perdido durante a guerra (Segunda Guerra Mundial)'', conta. ''Foi uma fase difícil, de recuperação para o país, mas também de grandes avanços, como o lançamento do shinkansen (conhecido popularmente como trem bala) e de boas histórias'', recorda. Yoshii conta que na época acabou trabalhando como tradutor do boxeador brasileiro Éder Jofre, nas entrevistas que o atleta concedeu à imprensa japonesa em sua passagem pelo país.
Como primeiro estudante bolsista brasileiro na região de Hokkaido (Norte do Japão), Yoshii acabou sendo recebido pelo secretário de agricultura local, fato que considera curioso, pois seus pais haviam deixado o Japão na condição de agricultores. No convívio com parentes japoneses, o empresário assinala que aprendeu como funciona o dia a dia de uma família oriental, além de ter visitado o país de Norte a Sul.
De volta ao Brasil, a influência da filosofia japonesa na busca pelo aprimoramento constante recaiu sobre seu trabalho e o modo de enxergar a vida. Tanto na construtora que fundou como nas ações sociais empreendidas por sua empresa, o desenvolvimento humano sempre foi o foco. ''A educação tem efeito multiplicador amplo, desde os processos mais simples como a alfabetização até às incubadoras em universidades'', avalia.
O nascimento de uma empresa que hoje emprega cerca de 2 mil pessoas, entre operários, terceirizados e 40 engenheiros, contrasta com sua origem simples. ''Comecei sozinho, em meu escritório, montado dentro de casa'', conta Yoshii, que na época residia em Apucarana com a família.
Inicialmente, ele construía casas e trabalhava junto ao diretor do departamento de Obras de Apucarana. Contudo, a meta era trabalhar em maior escala. Foi assim que começou a procurar grandes empresas como Pernambucanas, Riachuelo, bancos e cooperativas. O resultado foi o crescimento rápido de sua construtora, que culminou com a mudança para Londrina, em 1980. Com a transferência, Yoshii alavancou ainda mais o crescimento da empresa, que hoje atua nas áreas de construção e incorporação.
Aos 71 anos, o engenheiro sonha em construir não somente casas e edifícios. Seu grande objetivo é construir pessoas, capazes de progredir e ser felizes. ''Entendemos que o nosso trabalho vai além de cimento, areia, pedra e ferro. A valorização deve estar voltada para o ser humano, para seu crescimento e educação'', afirma.


