O Projeto Não-Violência nasceu na Suécia, em 1993. Atualmente é executado na Suíça, Alemanha, África do Sul e nos Estados Unidos. Com exceção do Brasil, onde a criminalidade tem causa na desigualdade social gritante, nos demais países trabalha-se a questão sob o enfoque do uso de drogas e da intolerância racial. O público-alvo, tanto lá como aqui, são os jovens de 12 a 20 anos das escolas públicas. A faixa etária tem a ver com a filosofia do projeto: ‘‘Eduque uma criança e não precisará castigar um adulto’’.
A logomarca da Ong é um revólver com um nó no cano, idealizado pelo artista plástico sueco Carl Reutersward, em homenagem à memória do ex-beatle John Lennon, assassinado em 1980. Uma réplica gigante da arma vem sendo exposta periodicamente em locais públicos da cidade, como o Aeroporto Internacional Afonso Pena e shoppings centers. Demeterco também conseguiu junto à prefeitura permissão para afixar cartazes dentro dos ônibus municipais para que cada vez mais pessoas tomem conhecimento e reflitam sobre o tema. Os cartazes têm os seguintes dizeres:
‘‘Meu comportamento será um exemplo para os outros, e vou procurar harmonia para mim, para minha família e para a minha comunidade. Eu me comprometo a ser uma pessoa pacífica em tudo o que eu fizer’’. A meta do projeto é diminuir em 20% os índices de violência juvenil nos próximos quatro anos. Para isso, duas escolas públicas estaduais de Curitiba já o adotaram: os colégios Ermelino de Leão e Elias Abrahão, ambos com sérios problemas de vandalismo.
O Ermelino de Leão foi o primeiro a acolhê-lo, no início deste ano, na tentativa de conter a fúria de muitos de seus 1,5 mil alunos. Hoje, 17 deles atuam como embaixadores da não-violência junto aos demais. Para ser um embaixador, o aluno precisa passar por um duro teste de auto-controle, que é aplicado por um dos coordenadores em plena sala de aula. Simula-se um encontro no qual um colega oferece cigarro ao outro, que nunca fumou, dizendo que para aceitar é preciso ser homem. O ‘‘colega’’ fumante argumenta e ameaça de todas as maneiras, pondo à prova os brios do candidato a embaixador da paz. Os 17 alunos selecionados mantiveram-se firmes, mesmo alertados de que estavam diante das meninas da sala e que poderiam passar a ser mal vistos pela fraqueza. Segundo Demeterco, este é o primeiro passo do projeto, ensinar o jovem a dizer não. ‘‘Aprendendo a dizer não, o jovem saberá dizer não às drogas, à bebida e evitará o caminho que leva à violência, à criminalidade’’, diz.
O projeto baseia-se nos métodos da mediação para solucionar possíveis conflitos e evitar que evoluam para atos violentos. Para isso, tem seis regras básicas e algumas recomendações para quem quiser viver em paz consigo mesmo e com os outros: Identifique o problema; Concentre-se no problema; Ataque o problema, não as pessoas; Escute com a mente aberta; Trate o sentimento das pessoas com respeito; Tenha responsabilidade pelos seus atos. Também se ensina que é proibido insultar, vingar-se, ameaçar, agredir, zombar, etc. Os alunos também são orientados a se comportar civilizadamente nos estádios de futebol e a não depredar o patrimônio público quando o time perde o jogo.
Pesquisa feita com os próprios estudantes revelou dados interessantes. À pergunta ‘‘Por que você acha que as pessoas cometem violência’’, 32,6% deles responderam que é devido ao uso de drogas; 25,4% a atribuíram à falta de orientação dos pais; 16% à influência dos amigos; 9,4% à dificuldade das pessoas em expressar suas frustrações; 6,6% a questões econômicas; 5% à falta de escolaridade e outros 5% disseram que a violência faz parte da personalidade de cada indivíduo.
Uma vez por mês, ele e sua equipe se reúnem com os pais e professores para discutir o andamento dos trabalhos. Nessas ocasiões, gosta de sentar com as crianças para debater o problema. Em casa, faz a mesma coisa com os três netos, ainda pequenos. O envolvimento dos pais, diz Demeterco, é fundamental para se alcançar os objetivos propostos. ‘‘A maior culpada pela violência dos jovens é a falta de atenção dos pais’’, diz. Uma das premissas do projeto é preencher o tempo ocioso dos adolescentes com atividades esportivas e culturais para mantê-los afastados das ruas e das más companhias. A próxima meta do empresário é levá-lo a outros ambientes, como empresas e também às favelas. Em 2001, quer estendê-lo para outros estados, que já manifestaram interesse pela idéia, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

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