Diretor-técnico do Festival de Internacional de Londrina – Filo desde 88, Fernando Jacon não respirou teatro toda a sua vida, como muita gente imagina. Filho de Nitis Jacon (diretora artística do Filo e sinônimo de teatro em todo o Brasil), Fernando até chegou a acompanhar a mãe em alguns ensaios quando pequeno. Mas quando cresceu, optou por mudar de rumo. Frequentou as aulas de arquitetura durante um ano e depois trocou para o curso de Economia, onde se formou e chegou a trabalhar como pesquisador financeiro.
‘‘Mas eu cheguei num momento em que ou me dedicava mesmo e ia fazer mestrado e doutorado ou partia para outra’’, conta. ‘‘Naquela época eu já dava aulas de dança de salão no Rio de Janeiro e me apresentava em São Paulo’’, explica o exímio dançarino de gafieira.
Entre um palco e outro acabou indo fotografar o espetáculo de um grupo de amigos. Foi o começo de um rodízio de funções teatrais feito por Jacon. Depois de fotografar, também substituiu um dos atores da peça e ainda passou a assinar as coreografias. ‘‘No teatro eu atuei, fui assistente de direção, diretor, iluminador, cenografista, fiz trilha sonora, passei por todas as etapas’’, lembra Fernando, que então trabalhava no eixo Rio-SP.
Quando foi chamado para ser diretor técnico do Filo, já tinha experiência de sobra. ‘‘Em Londrina não tinha ninguém para desempenhar esse papel, por isso acho que ninguém achou que eu estava assumindo só porque era filho da Nitis. Eu já tinha feito uns três ou quatro trabalhos antes com o (grupo) Proteu aqui em Londrina e as pessoas já sabiam da minha competência’’, explica.
Hoje, o trabalho de Jacon é conhecido muito além das terras brasileiras. Mora em Hamburgo na Alemanha e passa apenas três a quatro meses por ano no Brasil. ‘‘Até dois anos atrás passava mais tempo no Brasil, mas eu e minha mulher decidimos ter um filho, resolvemos nos basear na Alemanha’’, conta Fernando, que além do bebê de um ano e nove meses tem outro filho de 17 anos.
Em 1998, Fernando assumiu o posto de diretor técnico da companhia dinamarquesa Odin Teatret e trabalha diretamente com o badalado Eugenio Barba. Além disso, enquanto está na Europa, viaja pelo continente por conta de festivais na Alemanha, Itália e Espanha.
No Brasil, além do Filo Fernando também faz trabalhos como o desenho de iluminação para o último espetáculo de Denise Stoklos. ‘‘Mas a minha relação com o Filo é especial, cresci com ele’’, explica. ‘‘Trabalhar com a Nitis é muito bom, trabalhar com a minha mãe atrapalha um pouco às vezes’’, brinca Fernando. ‘‘Na verdade não tem essa separação e dá para manter tudo profissionalmente’’, explica.
Em pleno Filo 2002, Jacon ainda tem 20 dias de trabalho árduo pela frente, incluindo a abertura do Cabaré, projeto idealizado por ele em 1996 e que, além de servir de ponto de encontro para os participantes do Festival, também trará shows especiais para a cidade.
Uma possível apresentação de dança com o diretor-técnico? ‘‘Não mesmo’’, diz rindo. Assim que o festival londrinense terminar Fernando Jacon embarca para a Alemanha outra vez, mas agora para uma temporada de férias teatrais. Vai cuidar sozinho do pimpolho durante todo o mês de junho, enquanto a mulher trabalha em um projeto na cidade de Colônia

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