Talento reconhecido além-mar
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sábado, 30 de agosto de 2014
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Desde criança, o arquiteto londrinense Paulo Kobylka tem no desenho uma forma de criar. Incentivado pelos pais, que o abasteciam com blocos de papel e livros de arte. "Meu pai queria ser arquiteto antes de ser médico, minha mãe era professora de artes", lembra. Aos 10, 11 anos, ele pediu e ganhou a assinatura de uma revista de arquitetura e decoração. "Passava horas olhando as plantas e ficava imaginando."
Antes de ter acesso às revistas, o arquiteto já dava pistas do que seria quando crescesse. "Gostava de montar casas com os livros", diverte-se. Formado em Arquitetura pela Universidade Estadual de Londrina, Kobylka ganhou o mundo ao criar um sofá para a casa dos pais, em Rolândia.
"Estava fazendo interiores da casa dos meus pais e como a sala é bem grande, pensei em um sofá icônico, com uma imagem bem forte." O arquiteto não só conseguiu o que queria como agora concorre a um prêmio internacional com a sua criação. "Foi uma surpresa quando fui informado que estava concorrendo ao German Design Award", explica o arquiteto, que não chegou a se inscrever.
"É um prêmio promovido pelo Conselho Alemão de Design, que foi criado, acho, nos anos 1950, e é um incentivo ao design no país. Mas é internacional, não só para os alemães", conta Kobylka. Segundo o arquiteto, só participa do prêmio quem é selecionado.
"Devem ter chegado até mim pela Dezeen (revista inglesa de arquitetura e design), que publicou o sofá", diz o arquiteto. Outras publicações internacionais também repercutiram a criação do londrinense.
"É um sofá bem arquitetônico, com 3,30 metros por 4 metros com duas partes independentes que formam um L. É bem estrutural, não é camuflado. Remeti à estrutura de um edifício, que é com o que eu trabalho, já que sou arquiteto."
À primeira vista, o sofá não parece dos mais confortáveis, mas Kobylka sai logo em defesa da sua criação. "Ao ver, não parece e isso é que é interessante. Mas é confortável, afinal tem espuma ali", garante.
"Sempre fiz projetos de arquitetura e interiores e agora que voltei meus olhos para o design, é mais dinâmico. Um projeto de arquitetura é mais demorado. O design vem para responder meus projetos de arquitetura", define Kobylka.
"Esteticamente ainda não tenho uma marca registrada, ainda leva um tempo para isso acontecer. Tento ser contextualista", define. O arquiteto explica: "se vou construir uma residência, vou analisar todos os fatores, sejam econômicos ou da vida do cliente, o que ele faz, o que ele já fez, do que ele gosta. Isso cria unidade para cada projeto, cria projetos únicos para cada lugar".
Antes do sofá, a casa dos pais do arquiteto já havia conquistado um prêmio para Kobylka. Em 2012, ele venceu o Prêmio Deca Um Sonho de Banheiro na categoria residencial. "Era um lavabo bem acanhadinho, então eu quis abrir e mostrar que tinha um lavabo. Com material amadeirado eu criei planos dentro desse espaço, que agora era vazio depois de derrubar paredes. É um projeto bem simples, mas que esteticamente fica legal. É um elemento de madeira que não chega até o teto justamente porque no teto embuti iluminação."


