Muita coisa mudou na vida de Fause Haten desde a primeira vez que ele esteve em Londrina, em maio de 2000. Na época, o estilista começava a viver a fase dourada de sua carreira: tinha acabado de se apresentar na Semana de Moda de Moda de Nova York e colhia os frutos de seu feito, inédito para a moda brasileira. A partir de então, pioneirismo passou a ser uma palavra de uso corrente na sua trajetória. Foi o primeiro a receber o título de melhor estilista do ano no prêmio Abit Fashion Brasil e a segmentar a marca, assinando diversos produtos, de underwear a óculos de sol, estratégia atualmente adotada por vários pesos-pesados da moda nacional.
Por todas estas credenciais, o boom profissional de Fause não ficou restrito a uma fase. Com inesgotável repertório criativo, uma irrepreensível atração pelo luxo e um faro aguçado para os negócios herança da família libanesa ele tem mantido seu nome no rol dos mais renomados criadores nacionais. Tanto que quando voltou à Londrina, no final do mês passado, a letra H, sua logomarca, já podia ser vista em ouro, cercada de diamantes e pedras preciosas.
A linha de jóias assinada pelo estilista desenvolvida pela Guilherme Duque e agora comercializada em Londrina pela Lara Joalheiros já tem dois anos de vida e está presente em 30 joalherias de todo o Brasil. ''Faço jóia com paixão. Antes de criar roupas, já me interessava pelo assunto'', conta Fause, que aos 15 anos fez cursos de gemologia e estágios em ourivesaria. As peças desenhadas por ele trazem o mesmo glamour que imprime nas roupas, mas não têm ligação com as coleções. ''Me esforço para não usar ícones da minha coleção na linha de jóias. Está tudo dentro do mesmo contexto, mas não necessariamente do mesmo tema'', observa.
Brasilidade Ao explicar seu processo criativo, Fause fala de desejos. ''Neste momento, tenho muita vontade de brincos grandes. Na coleção (de roupas), trabalhei o contraponto entre o masculino e o feminino, justamente por isso queria jóias bem femininas'', diz, revelando seu gosto por peças com volume, que acompanham o desenho do decote e mergulham no abismo entre os seios.
Os colares, brincos e anéis disponíveis em Londrina são um mix das quatro linhas desenvolvidas até agora. Há pérolas coloridas, remetendo à idéia de cascata, pedras brasileiras e diamantes cravados no ouro branco e no amarelo. O apelo à brasilidade fica evidente na exuberância das peças e em inspirações regionais, como a lembrança do azeite-de-dendê pingando na água e formando uma sucessão de bolhas, imagem transformada em um colar de argolas douradas.
Para Fause, trabalhar com moda é vender desejos. E não apenas aos dispostos a desembolsar pequenas fortunas por uma peça assinada. ''É importante fazer a marca atingir um público cada vez maior. Hoje, há um contingente muito grande de pessoas pertencendo ao universo Fause Haten'', diz, contabilizando as 700 mil peças por ano vendidas pela Riachuelo com o selo Haten F.
Democracia na moda não seria algo contraditório? Não para Fause. ''Quem se incomoda com isso tem que observar o exemplo de grifes internacionais. Há uma segmentação muito grande e nem por isso a marca se estremece. Muito pelo contrário. Se uma pessoa usa um jeans Armani X (marca mais acessível de Giorgio Armani) ela está dentro do universo da marca. Quando tiver que gastar mais e precisar de um terno, por exemplo, há uma grande probabilidade de preferir um da Emporio Armani'', justifica o estilista, que depois de conseguir espaço nos Estados Unidos (vende suas coleções em 15 lojas), começa a explorar outros mercados. Atualmente, desfila na semana de moda de Milão e já tem pontos de venda no Oriente Médio. Coincidência ou não, o Líbano é um dos países mais receptivos ao seu trabalho.

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