Tem gente que tem mais sorte que o resto dos mortais. É o que deviam pensar os colegas de república de Octavio Rodrigues Alves. Apaixonado por cozinha desde os seis anos, quando ficava de olho no que a avó italiana preparava para a família, Octavio era o cozinheiro-chefe da repúblicade estudantes. Cozinhava sempre e livrava os amigos dos clássicos das repúblicas universitárias: macarrão instantâneo e ovo. ''Em compensação eu nunca lavava a louça ou fazia as compras'', lembra.
Quem ainda não ligou o nome à pessoa, bastam então duas palavras, chef Taico, como é mais conhecido. ''Meu pai me chamava de Tavico, mas meu irmão mais novo só conseguia falar Taico. Acabou pegando'', explica. O título de chef veio com o passar dos anos, já que continuou cozinhando para os amigos nas horas de folga da fazenda e as obrigações de pecuarista.
''Foi uma amiga, a Tetê do Prado Machado, que me incentivou a começar a ganhar dinheiro com isso'', lembra o chef. Isso foi em 98, quando, além dos jantares especiais, também passou a trabalhar com a fábrica alemã Rational, de fornos combinados de calor e vapor.
Dois anos depois, quando assessorava a implantação de um forno em um novo restaurante, acabou sendo convidado para ser sócio. Aceitou, mas não imaginava o trabalho que teria pela frente. ''Aqui é de segunda a segunda'', avisa. Além de chefiar a cozinha, também cuida de detalhes administrativos.
Mas se engana quem pensa que não sobra tempo para outras atividades. Desde dezembro do ano passado, duas vezes por semana, o chef também grava o programa Frigideiras e Caçarolas, no Canal 20, onde ensina o telespectador a preparar os mais diversos pratos e receitas.
Mesmo sem qualquer experiência anterior em televisão, Taico diz e quem assiste comprava que fica à vontade em frente às câmeras. ''Simplesmente vou falando o que estou fazendo. Como sei o que vai acontecer, sei que não vai ter surpresa'', explica. ''Não sigo um roteiro'', completa.
A surpresa mesmo, segundo o chef, é a repercussão do programa. Além dos e-mails com pedidos de receitas e elogios, também recebe telefonemas e a visita de telespectadores no restaurante. ''Quando vou ao mercado, tem gente que fica olhando o que eu vou pegar e depois perguntam o que é que eu vou fazer com aquilo'', diverte-se.
''Cozinhar é igual pintar, quem tem o dom já sabe como combinar as cores'', explica o chef, que por sinal também é pintor. O tema preferido não poderia ser outro: comida. São seus quadros que decoram o restaurante e lá estão retratados desde a colorida paella à uma cena de uma típica cantina italiana, com prato (cheio, claro) de macarrão, a toalha xadrez e o vinho.
Não por acaso é a culinária mediterrânea a mais recorrente nas suas receitas favoritas. ''Fujo da francesa, que inventa demais. É um absurdo engordar um ganso, deixá-lo doente para obter o foie gras (fígado de ganso)'', conta. O bom mesmo, segundo Taico, é não se esforçar demais na cozinha. ''É aproveitar os ingredientes que tem e ter prazer com aquilo'', ensina.
E é tanto amor pela cozinha, que Taico avisa que não consegue se desligar nem mesmo nas férias e horas vagas. ''Vou direto para a churrasqueira, mesmo sendo convidado, e estou sempre atrás de pratos novos'', diz o chef, que aproveita as viagens para aprender novidades. ''Para acertar o sal da carne, agora faço como os gaúchos, que colocam um ovo na água e só param de acrescentar o sal quando ele bóia'', conta.
Truques desse tipo também fazem sucesso na telinha da tevê. Afinal, nem só de receitas vive o programa. Enquanto cozinha o chef procura sempre fazer receitas no tempo real do programa , Taico vai ensinando dicas práticas tanto de forno e fogão como também de como servir e até os acompanhamentos. Pena que ainda não inventaram a tevê com cheiro.

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