Alinne Moraes quase não acreditou quando ouviu do autor João Emanuel Carneiro que Moa, sua personagem em Da Cor do Pecado, guarda um grande segredo na trama. A informação foi absolutamente idêntica à que recebeu do autor Manoel Carlos antes do início de ‘‘Mulheres Apaixonadas’’, onde interpretou Clara. Durante os primeiros meses da novela das oito, a atriz sequer imaginava que o famoso mistério envolvia a amizade da personagem com Rafaela, vivida por Paula Picarelli. Por isso, prefere não arriscar nenhum palpite sobre a trajetória da surfista. ‘‘Fiquei naquela expectativa com a Clara até descobrir que ela era homossexual. Agora, sabe lá o que vem pela frente’’, imagina, escancarando um sorriso que não esconde uma pontinha de receio.
  Depois do trabalho em Mulheres Apaixonadas, Alinne não pensava em voltar à tevê tão cedo. A atriz de 21 anos já tinha programado estudar interpretação, algo que ainda não teve oportunidade de fazer nos dois anos de carreira. E só aceitou adiar o projeto porque está convencida de ter belas aulas diárias nos bastidores da tevê. ‘‘Mas assim que terminar a novela, vou estudar. Já estou cansada desta coisa de ‘Graças a Deus, deu certo’’’, exagera.
  Para viver Moa, no entanto, a atriz teve de encarar umas aulinhas nada convencionais. A maratona para tentar desenvolver uma habilidade ao menos parecida à que a personagem demonstra sobre a prancha não foi nada fácil. ‘‘Olhando, parece que é fácil. Mas até ficar em pé na prancha levei dias’’, conta Alinne, rindo de si mesma. Antes das aulas oferecidas pela Globo, a atriz contou com a ajuda do namorado, Cauã Reymond, que vive o Thor na mesma novela.
  Entre o final da Clara, de Mulheres Apaixonadas, e o convite para viver Moa, Alinne teve apenas dez dias de férias, curtidos em Fernando de Noronha. No restante do tempo, já começou a se enturmar com o universo da personagem. Ela destaca a relação de Moa com Sal, o menino de rua interpretado por Thiago Martins, como o lado mais intenso do trabalho.
  Alinne Moraes diz que nunca foi muito de ‘‘correr atrás’’ das coisas. Mas também nunca desperdiçou nenhuma das oportunidades que apareceram em seu caminho. Foi assim com a carreira de modelo, que começou aos 12 anos e a levou a passar temporadas em países como França, Alemanha, Itália, Espanha, Japão e Estados Unidos. O ‘‘método’’ se repetiu com a vida artística, iniciada por acaso, graças a um convite do diretor Ricardo Waddington. Na época da produção da minissérie Presença de Anita, Ricardo esteve na agência Marilyn para fazer testes com algumas modelos que já trabalhavam como atrizes. O final do trabalho coincidiu com a volta de Aline à agência depois de sete meses em Paris. ‘‘O pessoal fez a maior festa lá, porque não me via há muito tempo. Acho que ele pensou que eu fosse uma top, sei lá, aquilo chamou a atenção dele’’, lembra, aos risos.
  O fato é que Ricardo não se esqueceu do rosto de Alinne e a convidou para um teste para a novela Coração de Estudante. ‘‘Cheguei lá com um texto decorado, mas a gente bateu um papo e ele disse que o papel era meu’’, conta, orgulhosa. Interpretando a mãe solteira Rosana, Alinne acredita que algumas coincidências com sua própria trajetória a tenham ajudado a ganhar o trabalho. Filha de pais separados, ela foi criada só pela mãe. Além disso, como a personagem, viveu em muitas repúblicas na época em que era modelo. ‘‘A personagem era pequena, mas cresceu bastante e me rendeu o convite para Mulheres Apaixonadas’’, pondera.

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