Imagem ilustrativa da imagem Sucesso no Youtube, Luca Bueno mira Hollywood
| Foto: Thiago Mossini
"Tenho certeza que meu conteúdo é bom e que se eu não fosse filho de quem eu sou eu chegaria nesse nível do mesmo jeito", diz Luca Bueno, 17, na frente da réplica da McLaren MP 4/8 guiada por Senna em 1993



Na plataforma que se tornou principal concorrente da televisão, onde o pai brilha há quatro décadas, o garoto Luca Bueno, 17, vai abrindo seu caminho e cavando um lugar no roll de estrelas digitais. Foram 640 mil inscritos em apenas sete meses desde que colocou no ar seu canal no YouTube. E lá ele é só o Luca e não o filho de Galvão Bueno.

Caçula do principal narrador esportivo do País e da empresária e ex-modelo londrinense Desirée Soares, ele mora em Orlando, nos Estados Unidos, com os pais. É lá que estão seus planos para o futuro e não são na plataforma de vídeos. São muito mais audaciosos. O estudante de cinema tem na lista de desejos entrar para o seleto time hollywoodiano e trazer uma estatueta do Oscar para o Brasil. "Haja coração, amigo", já diria Galvão. "Sempre quis ser cineasta, diretor de cinema, ator... É uma meta pessoal minha, ser diretor em Hollywood, mas é difícil começar com 19 anos sendo diretor. Preciso começar como ator e ir ganhando a confiança do pessoal da indústria do cinema", projeta.

Luca conta que sempre pensou em seguir esta carreira, desde muito cedo. Quando morou em Mônaco, dos 7 aos 13 anos de idade, já arriscou as primeiras cenas. "Fiz curta com meus amigos, fiz projetos para escola e me apaixonei. Desde os 7 anos comecei a mexer com vídeos", disse.

A imersão no YouTube não estava nos planos, mas foi incluída graças a uma galera de Londrina que mora lá em Orlando e está bombando na rede. É o pessoal da Breakmen, um grupo de youtubers quem faz vídeos de entretenimento, jogos, vlogs e outros conteúdos. "Essa história de youtuber é curta. Desde criança sempre consumi esse meio de entretenimento, mas comecei a produzir em janeiro de 2018 e já é um dos canais que mais cresceu este ano. A galera da Breakmen me ajudou a fazer tudo isso e a crescer o canal como está crescendo agora", conta.

TUDO SOZINHO
Ao contrário dos principais canais de destaque, que já possuem uma equipe técnica e de produção por trás, Luca ainda faz tudo sozinho. Esporadicamente tem ajuda na edição, mas a maioria dos vídeos é 100% produção solo. "Eu faço um estilo diferente, misturo vlog (gravar o dia a dia) com um pouco de cinema. Acho que por isso que o pessoal está curtindo", reflete.

"Não tem equipe. Sou sozinho com a câmera na mão. Os youtubers não têm o time só para gravar, mas também para ter ideias. Hoje, você tem que postar frequentemente, senão não decola. Eu não estou conseguindo postar todo dia justamente por ser sozinho. Mas estou conseguindo segurar uma frequência de postagens e estou agradando. Quando se faz algo sozinho, mais simples, o povo se identifica também. Gosto de fazer diferente", completa.

Em seu canal, Luca já ostentou seu principal brinquedinho: um Porsche Cayman 718, que custa no Brasil quase R$ 400 mil. Já aqui em Londrina, o carro que faz sucesso não está na garagem, mas no jardim da casa dos pais. Trata-se de uma réplica da McLaren MP 4/8 guiada por Senna em 1993, quando venceu o GP Brasil de Fórmula 1. "É bem louco ter o carro do Senna em casa. Toda vez que faço alguma festa, a primeira coisa que olham é o carro. Pessoal já vem direto aqui", conta Luca, lembrando que o carro tem um dispositivo que reproduz o som original do motor e em um volume que certamente não deve agradar aos vizinhos.

FILHO DO GALVÃO
Luca demorou até usar o nome do pai em seu canal. Faz questão de separar sua trajetória da dele. Mas diante da história do narrador na comunicação, fica quase impossível. Para o sonho de ser cineasta, ele não vê como a figura de Galvão influenciar em seu caminho, já que pretende trilhar a carreira nos Estados Unidos, onde o pai não é famoso. Mas no YouTube... "Tem coisa boa e ruim. Trago ele para gravar, falamos de algumas coisas polêmicas e eu posto mesmo sem ele querer. Gera visualização e o pessoal passa a conhecer o canal, conhecer o conteúdo, enfim, ajuda a divulgar o canal. Mas, por outro lado, tem aqueles que dizem que meu conteúdo é ruim, me atacam dizendo que só tenho os resultados por causa do meu pai, que sou filhinho de papai. Eu tenho certeza que meu conteúdo é bom e que se eu não fosse filho de quem eu sou eu chegaria nesse nível do mesmo jeito. Talvez não na mesma velocidade, mas chegaria", dispara.

Após a Copa, Luca trouxe em primeira mão a notícia de que Galvão não vai se aposentar. Ainda na Rússia, ele protagonizou uma polêmica nas redes sociais com Lucas Jagger, filho do eterno pé frio Mick Jagger com a apresentadora Luciana Gimenez. Cada um defendeu seu progenitor.

HATERS
Luca garante que já tira de letra os haters (pessoas que costumam atacar outras na internet) e que isso tirou do convívio com o pai, assim como o lado bom da fama. "Sempre lidei com gente chegando e tirando foto por causa do meu pai. Mas também convivi com haters e pessoas de revistas e jornais que faziam matérias duvidosas, mal intencionadas. Sempre vi como meu pai lidou com isso. E vi que um dia teria que passar por isso e teria que aprender para não ter erro lá na frente. Foi o que me ajudou. Consigo filtrar bem. Já me acostumei com os ataques a meu pai, mas quando me atacam, nem eu nem ele estamos acostumados ainda. A pior coisa para mim é atacar meu conteúdo. Faço com carinho, gasto muito tempo, tenho um carinho por tudo o que eu faço. Fico chateado", revela.

Corintiano, ele diz que não costuma "cornetar" o pai por causa do time, mas não perde uma oportunidade de brincar com ele. "Antes deixava ele trabalhar na dele. Mas agora que eu comecei a produzir meu conteúdo, a aparecer, não tem jeito, comecei a zoá-lo. Posto os bordões dele no meu Instagram e o pessoal acha engraçado", diverte-se. "No dia dia ele é brincalhão, é bem-humorado, mas quando o assunto é trabalho ele fica sério. Ele sempre me fala que tudo tem que ser 100%".

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