Luiza Tomé bem que poderia batizar um daqueles furacões que costumam varrer as Antilhas de tempos em tempos. Aos 38 anos, ela continua arrebatadora, mas jura que não se identifica com o mulherão insaciável que interpreta em novelas. A vigorosa Rosa Palmeirão, de ‘‘Porto dos Milagres’’, é apenas a mais recente delas. Antes vieram a saliente Carol, a ‘‘teúda e manteúda’’ de ‘‘Tieta’’, e a fogosa Scarlet de ‘‘A Indomada’’. Em ‘‘Porto dos Milagres’’, Luiza interpreta uma mulher forte, determinada e, como não poderia deixar de ser, sensual. ‘‘Quando vou ao aeroporto, por exemplo, visto a primeira roupa que encontro. Sou uma pessoa comum. Não sou sensual 24 horas por dia’’, acredita.
Mesmo assim, Luiza sabe que não consegue passar despercebida na hora do embarque ou desembarque. Às vezes, aparece alguém que fala: ‘‘Você é quem eu estou pensando?’’. ‘‘Pode ser’’, responde ela, com um sorriso largo e a voz rouca. Outras vezes, o assédio não é tão discreto e os marmanjos chegam já com uma conversinha mole: ‘‘Puxa, como você é linda...’’ Mas há também os não tão polidos, que usam adjetivos menos apropriados. Enquanto não vê a privacidade invadida, Luiza diz que recebe essas e outras investidas com o melhor dos humores. ‘‘Adoro quando elogiam meu trabalho ou me chamam de bonita. Já imaginou o que é ser bonita aos 38 anos?’’, indaga, com uma gargalhada.
O evidente bom humor de Luiza tem a ver com a personagem de ‘‘Porto dos Milagres’’. Ainda mais que o último trabalho da atriz na tevê parece não ter deixado saudade. Embora insista em dizer que foi maravilhoso trabalhar com o autor Walter Negrão, ela critica a passividade da Raquel de ‘‘Vila Madalena’’. Ela também não gostou nada de interpretar o papel de mãe de adolescente pela segunda vez consecutiva – a primeira tinha sido em ‘‘A Indomada’’. ‘‘Antes de tudo, o papel tem de ser bom para mim. Se for, vai ser bom para o público também porque vou fazê-lo com o maior tesão’’, argumenta.
A novela ‘‘Porto dos Milagres’’ marca o reencontro de Luiza com o autor Aguinaldo Silva. Juntos, os dois fizeram ‘‘Tieta’’, ‘‘Pedra Sobre Pedra’’, ‘‘Fera Ferida’’ e ‘‘A Indomada’’. A identificação é tanta que Aguinaldo chegou a dizer que ‘‘Suave Veneno’’ só não deu certo porque Luiza não estava no elenco. Ruborizada, a atriz devolve a gentileza: ‘‘As novelas do Aguinaldo são fáceis de ler e decorar. Não se comparam àquelas em que perco duas horas para decorar uma página’’, critica.
Além de considerar o texto ágil e fluente, Luiza se diz satisfeita por estar interpretando ‘‘duas personagens em uma’’. Na primeira fase da novela, Rosa Palmeirão não passava de uma moça ingênua e sonhadora, que foi condenada a 20 anos de prisão por assassinato. Já na segunda fase, reaparece como uma mulher com ‘‘fogo nas ventas’’, que resolve investigar o sumiço da irmã, vivida por Letícia Sabatella. ‘‘Sempre achei que a primeira fase seria mais difícil. Mas estava enganada. Não sabia como interpretar uma mulher que ficou 20 anos presa...’’, admite.
Na dúvida, Luiza pensou em fazer ‘‘laboratório’’ em alguma penitenciária. Mas desistiu por recomendação do próprio diretor Marcos Paulo. Em vez de visitar presídios e conversar com detentas, Luiza buscou na memória o tempo em que estagiou num escritório de Direito Criminal. Na época, ficava penalizada com o relato dos presos, que invariavelmente juravam inocência. ‘‘Saía de lá arrasada. Como pode haver tanto inocente preso?’’, recorda, com uma pontinha de ironia.
Apesar de satisfeita com o atual trabalho, Luiza não pára de fazer planos. Um deles se refere à carreira profissional. Ano que vem, ela pretende se tornar produtora só para viabilizar o sonho de estrelar um musical. Já o outro diz respeito à vida pessoal. Depois da novela, planeja dar um irmãozinho para o pequeno Bruno, de três anos, filho da atriz com o empresário Adriano Facchini. ‘‘Aos 38 anos, me sinto mais jovem que nunca. Ainda tenho o mundo inteiro para conquistar’’, promete.

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