''Sou o Joãosinho Trinta das noivas''
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Carmen Kley De Londrina 
Quando ele tinha 8 anos, a avó, costureira, o ensinou a manejar uma máquina de costura. Aos 16, o pai lhe deu de presente a sua primeira máquina. E hoje, Pedrinho Fernandes, paranaense de Bela Vista do Paraíso, se orgulha de vestir pelo menos 100 noivas por mês, do Oiapoque ao Chuí. De uma família de dez irmãos cinco deles mulheres que nunca souberam pregar um botão, muito cedo Pedrinho descobriu sua vocação.
A carreira começou como desenhista na Cariza Tecidos, em Maringá, depois foi para a Gaúcha, em Cascavel. Um dia, descobriu a Rua São Caetano, no bairro da Luz, em São Paulo uma rua comerical direcionada às noivas e de lá nunca mais saiu. De funcionário a dono de maison foi um salto. Com o sócio Aldo Sobral, Pedrinho é proprietário de uma loja com 1.200 metros quadrados de área construída, com filial em Londrina, cidade onde foi criado. Há 10 anos é coordenador de moda da revistas Noivas e Noivos e frequenta com certa assiduidade programas de TV como Ana Maria Braga, Note e Anote, Clodovil, entre outros.
Dono de um bom humor inabalável, Pedrinho torce o nariz à simples menção do estilo clean. Mantém-se, anos a fio, defensor dos bordados, dos dourados e dos frufrus. Não existe estilo de noiva, existe estilo de sonho, desconversa. E não tem medo dos exageros. Talvez, por isso mesmo, seja o queridinho das famílias abastadas de ciganos que vivem no Brasil.
O casamento dos ciganos dura três dias, conta Pedrinho, e os olhos se iluminam enquanto ele descreve a fartura das mesas, que relembram banquetes medievais. Nessas ocasiões, as famílias dos noivos abrem o baú e expõem aos convidados as jóias. E para a alegria do estilista a noiva usa um vestido a cada dia. No primeiro, um modelo como o de qualquer outra noiva, sem economia de adereços. Chegam a pesar 40 quilos!, entusiasma-se Pedrinho. No segundo dia, ela usa um vestido vermelho. O modelo do terceiro dia é escolhido com a ajuda da matriarca da comunidade.
Embora o branco ainda impere diante do altar, vestindo 60% das noivas, segundo o estilista, hoje cerca de 30% optam pelo pérola e 10% pelas mais diversas cores. A primeira a usar branco e casar-se numa igreja foi a Rainha Vitória, diz, lembrando que, antes de ela inventar essa moda, as noivas usavam principalmente o púrpura e o dourado.
Não agrada a Pedrinho Fernandes ser chamado de estilista popular. E nem caberia esta designação, considerando-se que o aluguel mais barato de um vestido de noiva não sai por menos de 800 reais. Há quem pague de 2,5 a 3 mil para usar pela primeira vez um modelito que depois volta para a loja e quem desembolse entre 6 e 7 mil reais por um modelo exclusivo.
Sou noiveiro, tenho uma indústria dirigida a noivas, padrinhos e daminhas, diz Pedrinho. Não gosto de ficar sentado, num ateliê chique e pequeno, esperando as clientes. Gosto de movimentação, gente entrando e saindo, sinto-me bem trabalhando das 9 da manhã às 9 da noite, sinto-me bem gerando empregos, discursa.
Fã do também estilista Ronaldo Esper, Pedrinho foi fiel às suas verdadeiras preferências estéticas: Sou o Joãosinho Trinta das noivas, brinca ele, referindo-se ao seu pendor pelas pedrarias e bordados. E alfineta: Alta costura não existe mais. Quem é que hoje paga 15 mil por um vestido de casamento?


