Quando ele tinha 8 anos, a avó, costureira, o ensinou a manejar uma máquina de costura. Aos 16, o pai lhe deu de presente a sua primeira máquina. E hoje, Pedrinho Fernandes, paranaense de Bela Vista do Paraíso, se orgulha de vestir pelo menos 100 noivas por mês, do Oiapoque ao Chuí. De uma família de dez irmãos – cinco deles ‘‘mulheres que nunca souberam pregar um botão’’, muito cedo Pedrinho descobriu sua vocação.
A carreira começou como desenhista na Cariza Tecidos, em Maringá, depois foi para a Gaúcha, em Cascavel. Um dia, descobriu a Rua São Caetano, no bairro da Luz, em São Paulo – uma rua comerical direcionada às noivas – e de lá nunca mais saiu. De funcionário a dono de maison foi um salto. Com o sócio Aldo Sobral, Pedrinho é proprietário de uma loja com 1.200 metros quadrados de área construída, com filial em Londrina, cidade onde foi criado. Há 10 anos é coordenador de moda da revistas Noivas e Noivos e frequenta com certa assiduidade programas de TV como Ana Maria Braga, Note e Anote, Clodovil, entre outros.
Dono de um bom humor inabalável, Pedrinho torce o nariz à simples menção do estilo ‘‘clean’’. Mantém-se, anos a fio, defensor dos bordados, dos dourados e dos frufrus. ‘‘Não existe estilo de noiva, existe estilo de sonho’’, desconversa. E não tem medo dos exageros. Talvez, por isso mesmo, seja o queridinho das famílias abastadas de ciganos que vivem no Brasil.
‘‘O casamento dos ciganos dura três dias’’, conta Pedrinho, e os olhos se iluminam enquanto ele descreve a fartura das mesas, que relembram banquetes medievais. Nessas ocasiões, as famílias dos noivos ‘‘abrem o baú’’ e expõem aos convidados as jóias. E – para a alegria do estilista – a noiva usa um vestido a cada dia. No primeiro, um modelo como o de qualquer outra noiva, sem economia de adereços. ‘‘Chegam a pesar 40 quilos!’’, entusiasma-se Pedrinho. No segundo dia, ela usa um vestido vermelho. O modelo do terceiro dia é escolhido com a ajuda da matriarca da comunidade.
Embora o branco ainda impere diante do altar, vestindo 60% das noivas, segundo o estilista, hoje cerca de 30% optam pelo pérola e 10% pelas mais diversas cores. ‘‘A primeira a usar branco e casar-se numa igreja foi a Rainha Vitória’’, diz, lembrando que, antes de ela ‘‘inventar essa moda’’, as noivas usavam principalmente o púrpura e o dourado.
Não agrada a Pedrinho Fernandes ser chamado de ‘‘estilista popular’’. E nem caberia esta designação, considerando-se que o aluguel mais barato de um vestido de noiva não sai por menos de 800 reais. Há quem pague de 2,5 a 3 mil para usar pela primeira vez um modelito que depois volta para a loja e quem desembolse entre 6 e 7 mil reais por um modelo exclusivo.
‘‘Sou ‘noiveiro’, tenho uma indústria dirigida a noivas, padrinhos e daminhas’’, diz Pedrinho. ‘‘Não gosto de ficar sentado, num ateliê chique e pequeno, esperando as clientes. Gosto de movimentação, gente entrando e saindo, sinto-me bem trabalhando das 9 da manhã às 9 da noite, sinto-me bem gerando empregos’’, discursa.
Fã do também estilista Ronaldo Esper, Pedrinho foi fiel às suas verdadeiras preferências estéticas: ‘‘Sou o Joãosinho Trinta das noivas’’, brinca ele, referindo-se ao seu pendor pelas pedrarias e bordados. E alfineta: ‘‘Alta costura não existe mais. Quem é que hoje paga 15 mil por um vestido de casamento’’?

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