Sorrir é a solução
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domingo, 29 de dezembro de 2002
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Entre as tantas pessoas que vieram passar o Natal em Londrina com a família, uma delas é figura mais do que conhecida do humor nacional. Nelson Freitas, o ''Ademar do Aeroporto'' do programa Zorra Total, nasceu no interior de São Paulo (Mogi das Cruzes), estudou em Belo Horizonte, mora no Rio de Janeiro mas, quem diria, tem família em terra pé-vermelha.
Casado há cerca de dois anos com a procuradora da República londrinense Maria Cristina Mannella, o ator e humorista esteve na cidade pela primeira vez esse ano. Passou uma semana, conheceu o que pode e se encantou com o Lago Igapó e todo o verde da cidade. Só se incomodou com a falta de verde dos sinaleiros. ''Por que é que eles não são sincronizados'', pergunta Freitas. ''Acontece que eu odeio andar de carro só ando de moto lá no Rio e fiquei incomodado em ter que parar em cada esquina'', dispara.
A semana que passou em Londrina também despertou no ator o seu lado produtor teatral. ''Fiquei impressionado com a potencialidade da cidade'', diz. Por isso, mesmo em férias, não perdeu tempo para tentar agilizar a vinda de ''O Micofone'' para a cidade no ano que vem. Em cartaz desde outubro, o espetáculo já passou por 20 cidades brasileiras e também tem a participação de Raul Gazolla. A dupla não só divide o palco, como também a produção e a direção do que chamam de resgate do 'stand up comedy', muito utilizado por Juca Chaves e Chico Anysio. ''É um espetáculo com um microfone e um idiota atrás, nesse caso, dois idiotas'', brinca Freitas.
''Não me vejo mais fazendo novelas'', conta o ator, que já foi galã de Chiquititas e recentemente participou de As Filhas da Mãe, ao lado de Tony Ramos e Regina Casé. ''O sorriso é o melhor caminho entre duas pessoas'', garante Freitas, que agora só quer saber de humor.
Há cerca de um ano no papel do espertíssimo Ademar do Aeroporto, Nelson Freitas sabe que faz sucesso. ''Era para ficar no ar por uns três meses apenas'', conta. Pelos aeroportos do País, já se acostumou a ver pessoas rindo quando ele passa pelo detector de metais, objeto de graça do seu personagem. ''É um dos líderes de audiência do programa'', explica.
Depois de terminar os estudos no Colégio Militar de Belo Horizonte, Freitas se alistou na Marinha Mercante e passou alguns meses viajando pelo mundo. Quando voltou para o Brasil, resolveu mudar tudo e se inscreveu em um curso para atores. ''Cansei de animar as festas de família sem ganhar nada com isso'', lembra.
''Pode parecer pedante, mas eu sou um ator completo. Danço, canto, represento, assobio e chupo cana'', brinca. ''Cantar e dançar são aptidões naturais, algo que está no meu sangue, que é à base de serragem'', avisa Freitas, que é neto de artistas de circo e um tenor.
Não por acaso, suas experiências no teatro incluem alguns musicais sob a direção de Wolf Maia, com quem trabalhou por 10 anos. ''Com ele fiz Blue Jeans e Relax It's Sex'', lembra. Também participou do espetáculo Elis, de Diogo Vilella, que homenageava os 20 anos de morte da cantora Elis Regina. ''Foi um sucesso'', conta.
Para o ano que vem, além de viajar com O Micofone, o ator-humorista também vai estar na telona com a participação do filme ''Acredite, um espírito baixou em mim'', com Marília Pêra. ''Também quero fazer um resgate do teatro de revista'', planeja. A vedete? ''A Danielle Winits é a própria vedete!'', dispara.


