A jornalista e colunista da Folha de São Paulo Érika Palomino deu um show de atitude durante sua passagem por Curitiba, na sexta-feira. Ela veio a convite da multimarcas Sample, dos irmãos Marcelo e Adriana Gava, que comemoravam o primeiro ano de seu empreendimento.
‘‘Eu agora falo a verdade’’. Esta foi uma das primeiras afirmações que a jornalista disse aos ouvintes, uma platéia formada por jornalistas especializados, outros nem tanto e algumas personalidades da sociedade curitibana. Érika chegou, sentou num banquinho, deu risada ao comentar que parecia que iria cantar. Que cantar que nada, o que a jornalista que acabava de ganhar um prêmio da Abit como melhor da moda brasileira fez foi dar uma aula de culto à nacionalidade. Érika mostrou que é brasileira, tem orgulho disso e que acredita na busca de uma identidade que não precise se calcar no que está sendo feito nos grandes centros da moda mundial.
Para explicar melhor sua postura, Érika deu destaque à situação da moda nacional lá fora. ‘‘Há um interesse legítimo pela nossa moda, por alguns estilistas, mas não com o tom ufanista, de Airton Senna. Não há nenhuma cinderela brasileira fazendo sucesso lá fora. O que há, sim, é o início de um trabalho’’. Esta afirmação veio para combater as inúmeras reportagens e comentários que a mídia nacional faz sobre estilistas como Alexandre Herchcovitch, Fause Haten e Icarius de Menezes, que já trilham carreiras internacionais. ‘‘Ainda há muito que conquistar. Não é uma revolução e sim uma evolução’’, disse.
Érika reconheceu a importância de Gisele Bundchen como garota-propaganda do Brasil. Esta importância, porém, tem que ser bem trabalhada. ‘‘Agora ninguém pode errar. Não há espaço para correções’’. Há bem pouco tempo não trabalhávamos com a imagem do criador, só havia modinha. Existiam alguns costureiros famosos, mas não com grande fama internacional. Casos como do estilista Ocimar Versolato, que apareceu em meio à alta costura francesa na década passada, por exemplo, segundo a jornalista, são isolados. Ocimar e Icarius (o curitibano que já participa da Semana de Moda Francesa) são dois estilistas que conquistaram um espaço num local onde há muitos estrangeiros: Paris. Na visão da colunista, não é por serem brasileiros que conquistaram um lugar na exigente capital francesa e sim porque fazem um bom trabalho.

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