Sociedade no papel
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2001
Karla Matida<br>De Londrina 
Carioca da gema, a jornalista Ana Marta Garcia da Silva se diz ''londrinense roxa''. ''Para a cidade ser perfeita só falta mesmo a praia'', brinca. ''A qualidade de vida é ótima e o povo maravilhoso'', completa. E de pessoas ela entende. Colunista social há 20 anos, Ana Marta lança amanhã um livro em que conta sua trajetória no jornalismo. ''Não tenho pretensão literária, o livro é uma conversa informal'', avisa a colunista, radicada em Londrina desde 66.
Para acompanhar o pai Philadelpho Garcia, então deputado federal, Ana Marta mudou-se para Brasília. ''Troquei a praia pelo Lago Paranoá'', lembra a colunista, que se define como alguém de fácil adaptação. ''Mas a princípio não gostei de vir morar no interior'', completa.
Hoje ela não troca a cidade por nada, mas como adora um desafio, há dois anos e meio divide seu tempo entre os eventos sociais e a administração de uma fazenda. ''Em mais dois anos e meio, a fazenda já vai estar dando lucro'', conta Ana Marta, que aprendeu a tratar com peões e trabalhar com gado.
Foi aceitando um outro desafio que a jornalista entrou para as páginas sociais. ''Eu era professora de francês da UEL quando abriram o curso de jornalismo. Resolvi que seria importante para abrir meus horizontes, mas nunca pensei que fosse ser jornalista'', diz.
''Em agosto de 81, me convidaram para fazer uma entrevista com o Alcides Carvalho. O Walmor Macarini (então diretor de redação) gostou tanto que me chamou para trabalhar na Folha. ''Alguém me disse que eu nunca conseguiria fechar uma página inteira de coluna social''. Foi o desafio que faltava para a jornalista encarar uma nova profissão.
Vinte anos depois e com muitas histórias para contar, Ana Marta acha que seu livro vai contribuir como documento histórico. ''Fiz questão de estampar colunas de 20 anos atrás e as atuais, para mostrar as mudanças''. Segundo a colunista, de lá para cá a coluna social enriqueceu muito. ''Antes era só a festa pela festa. Hoje a moça se casa, mas quer continuar a ter a vida dela, a profissão'', explica.
Receita de sucesso? ''Sei que tenho credibilidade porque as pessoas confiam em mim e sabem que eu tenho cuidado com o que vou publicar'', garante.
Além disso, é claro, Ana Marta circula muito bem pelos eventos da cidade. ''Agora estou mais seletiva e só vou a algum lugar que vai ter algo para acrescentar ou quando percebo que as pessoas estam trabalhando para fazer algo diferente. Por isso até se tornou referência na cidade. ''Ah, a Ana Marta foi à festa, então deve ter sido boa''.


