SOCIEDADE - OSWALDO MILITÃO
MEMÓRIA
Lucilio de Held: de alfaiate a sócio de Borali no Shangri-lá
O jornalista Wilson Silva foi piloto de avião nos anos 50, em Londrina.
Ao ingressar na Redação da FOLHA fazia reportagens especiais e escrevia a coluna Atrás do Toco. Três anos depois foi para as revistas Manchete e Fatos & Fotos, da Bloch Editores, no Rio, onde também fez sucesso. Na foto, durante visita a este jornal, ao lançar aqui um dos seus livros. Mora atualmente em Curitiba
- Perguntaram-me outro dia sobre o empreendedor Lucilio de Held, já falecido, que, como os londrinenses que aqui moram há mais de 50 anos, fez junto com seu sócio, o dinâmico Adelino Borali, o loteamento do Jardim Shangri-lá. Como cheguei em Londrina em 1956, para fazer o curso colegial, pedi ao jornalista Wilson Silva, o nosso Marquês de Araçoiaba, ex-FOLHA, ex-Manchete e Fatos & Fotos, que o conheceu muito bem, pois foi piloto de seu avião, para contar alguma coisa sobre ele. Wilson, que mora em Curitiba, e, com a boa vontade de sempre, falou o seguinte para os nossos leitores:
- Lucilio de Held veio de Martinópolis para Londrina. É uma cidade da região de Presidente Prudente, quase na divisa com o Norte do Paraná. Lá, onde passou a adolescência e começou a juventude, trabalhou em muitos lugares como, por exemnplo, na Pernambucanas, onde foi balconista. Ele tinha um compulsivo desejo de buscar o futuro, novos horizontes, e veio para Londrina com um Ford 29 (pé de bode), sem capota, tomando poeira. Logo descobriu um lance comercial: que tal fazer loteamentos na área da cidade. Mas, com recursos mínimos, sem conhecer muita gente, precisava de um sócio. Um homem rápido, sempre bem-humorado, brincalhão, tinha objetividade e alto poder decisório, além de enxergar horizontes no amanhã. Assim era ele.
O encontro casual com Adelino Borali
- Certa noite, Lucilio foi até uma boate-restaurante de Londrina, templo sagrado da boemia, local famoso e agitado, freqüentado por mulheres bonitas e homens ricos. Chegou lá, olhou, ouviu músicas e observou que vários garçons andavam com o dosador de uísque pendurado no pescoço, servindo doses nas mesas dos distintos habituês. Notou que a um canto do salão de danças, sentado, estava um cidadão, sozinho na mesa, com uma garrafa de uísque importado, parecendo saborear a vida.
- Apresentou-se, disse seu nome (Lucilio), e contou que acabara de chegar a Londrina. Posso sentar? Pode, respondeu o cidadão engravatado. Meu nome é Adelino. O que é que você faz? Ah, sou oficial de paletó e estou na alfaiataria do Piauí, respondeu Lucilio. Trabalhando numa alfaiataria, você vem a um lugar cheio de fazendeiros, comerciantes e industriais, toma uísque importado, eu acho você corajoso, disse Adelino e prosseguiu: Eu acho até que você é capaz de ganhar dinheiro trabalhando comigo, como sócio, que tal? Lucilio ficou encantado. Ali, nessa noite, os dois conversaram longo tempo. Nascia então a Imobiliária Ypiranga, de Boralli & Held. O primeiro loteamento que lançaram foi a Vila Ipiranga. Mas, o horizonte era mais distante.
- O curioso é que a Imobiliária Ypiranga era dividida entre os sócios Adelino Boralli, que era urbano, e Lucilio, que era mateiro e desbravador. Tanto que este fundou a cidade de Terra Roxa, perto do rio Piquiri e Guaira. Seu gosto era andar por lá, onde construiu uma pista de pouso e um hotel de madeira. Mas o grande lance ocorreu em Londrina: o loteamento do Jardim Shangri-lá.
A astúcia de Clemenceau
- O projeto do Shangri-lá estava pronto, mas faltava uma assinatura que lhe desse credibilidade. De alguém importante, se possível de uma grande autoridade. Lucilio não perdeu tempo e armou uma jogada inteligente, malandra e simpaticamente inteligente. Mandou para São Paulo o seu amigo Clemenceau do Amaral e Silva, com uma estratosférica missão: conseguir a assinatura do ex-prefeito paulistano Prestes Maia no projeto, se possível, sem custos. Clemenceau instalou-se no Plaza Hotel, bancando um ricaço do Paraná, começou a namorar uma funcionária do escritório de Prestes Maia (até noivo dela teria ficado) e convenceu-a a ajudar. Ela, simpaticamente matreira, enamorada, colocou o projeto do Shangri-lá no meio da papelada que Prestes assinava todos os dias. E não deu outra: assinou o projeto do Shangri-lá.
Mala de mel no avião
- Lucilio acabou indo mais longe: 600 quilômetros ao Norte de Cuiabá, nas barrancas do rio Telles Pires, onde havia uma aldeia de indios Caibís, em pleno Xingu. Pilotos cuiabanos não voavam para lá, londrinenses, sim. Sempre mais corajosos. Voavam mil quilômetros até Cuiabá e mais de 600 até a Gleba Cafeara. Conta Wilson Silva:Certa vez, Lucilio me mandou para São Paulo, dizendo que Adelino tinha uma encomenda para ele, que estaria me esperando em Cuiabá. Cheguei em São Paulo, e era uma mala grande, preta, com dois passadores com cadeados. Perguntei para Adelino o que havia naquela malona pesada. Ele me disse que era mel. Achei estranho, levar muito, mas muito mel de São Paulo para o Mato Grosso. Mas, enfim... era o patrão pedindo. Decolei, pousei em Araçatuba para almoçar, deixei o avião aberto com o mel dentro. Depois, rumei para Campo Grande, com um mau tempo danado. Pistas fechadas em Ribas do Rio Pardo. Só consegui me arrastar para a pista do Aeroclube, onde pousei, deixei o avião aberto e fui para a cidade, arrumar hotel para dormir. Na manhã seguinte, céu claro, tempo limpo, decolei para Cuiabá. Lucilio e mais um funcionário estavam me esperando no aeroporto. Levamos a pesada malona para o escritório. Lucilio abriu-a. Estava cheia de notas de mil, daí o seu peso. Minhas pernas bambearam e Lucilio falou: Era melhor você não saber o que estava transportando, pois do contrário alguém poderia desconfiar e tentar passar a mão. E disse-lhe: O governador Fernando Costa pediu-me que fizesse o pagamento da gleba em dinheiro vivo para injetar no meio circulante de Cuiabá, pagando funcionários.
Mandou buscar o pai de quem o difamava
- Uma certa tarde, em Londrina, Lucilio chamou Wilson Silva ao escritório da empresa, no Autolon, e lhe disse para ir até sua cidade (Martinópolis) e trazer de lá um cidadão cujo nome estava em um papel que lhe entregou. Seria fácil encontrá-lo, pois era muito conhecido. Era mesmo. Wilson localizou-o, disse-lhe que Lucilio queria vê-lo em Londrina. Uns 40 minutos de vôo e chegaram. E conta Wilson: Levei-o até o escritório, e ia saindo da sala, quando Lucilio me disse para ficar. Abraçaram-se e Lucilio falou: Mandei buscá-lo porque tenho muito respeito e carinho pelo senhor. Mas queria que viesse a Londrina para que leve o seu filho. O rapaz anda falando por aqui bobagens a meu respeito e tentando me desmoralizar. Como quero muito bem ao senhor, quero evitar que o pior aconteça com ele. Passamos, eu e o velho, pelo Hotel Berlin, onde o moço estava sendo cuidado por amigos de Lucilio e levei-os até o aeroporto, decolando de volta para Martinópolois. Onde os deixei.
- Lucilio de Held, elegante, bom coração, empreendedor, morreu anos depois, em acidente de avião durante decolagem no aeroporto de Guaira, aqui mesmo no Paraná. Morreu dentro de uma das paixões de sua vida: o avião.
Dose dupla
O empresário Álvaro Júnior e sua esposa, Leni Antunes, da Mega Feira Escolar, comemorando o aniversário da filha, Suzana Loureiro, e do genro Luciano Mendes em grande estilo, na chácara da família, em Londrina. Suzana comemorou aniversário dia 29 de outubro, e o marido, um dia antes. É festa com dose dupla de alegria
A noiva é palmeirense
Adriana e Mauricio Cassante casaram-se no final da última semana e estão em lua-de-mel em Buenos Aires. A foto, feita durante a festa no Empório Guimarães, mostra amigos do noivo, que é sãopaulino, com a bandeira do tricolor do Morumbi. Detalhe: a noiva é torcedora do Palmeiras, como seu pai, o médico Kooki Tan
Bombas e bombinhas
Quando aqui esteve, no final do segundo turno das eleições municipais, o prefeito Beto Richa, reeleito em Curitiba ainda no primeiro turno, não deixou de ir ao Hachimitsu para saborear as famosas bombas de creme e de chocolate. E novamente convidou Nilo Kato para abrir uma doceria igual em Curitiba.
Lua-de-Mel em Porto Seguro
A bonita Alessandra Cereda e Ricardo Bortolozo casaram-se dia 24 último, durante cerimônia na Igreja Nossa Senhora Rainha do Universo. Ela é filha de Maria Edilene Lopes Cereda e de Pedro Carlos Cereda. Ele é filho de Neila Maria Faggião e de Mauzir Santos Bortolozzo. Os noivos viajaram em lua-de-mel para Porto Seguro, na Bahia. A recepção aos convidados aconteceu no Buffet Elite, onde pontificou a elegância das madrinhas e outras convidadas.
Londrinenses na Turquia
Depois de uma semana em Paris e arredores, os londrinenses Antonio Ferreira dos Santos, sua esposa, Marinilce, o médico Walace Kohata de Aquino e a esposa, Miriam, além da cunhada Marilda Mazzer, foram à Turquia, onde visitaram Istambul e Capadócia, famosa por suas casas incrustadas nas pedras (como a da foto). A região é bem exótica, conta Ferreira, e apresenta formações rochosas de aspecto lunar, bonitas e coloridas. Ali, o passeio de balão é quase obrigatório, com duração de uma hora. No final do passeio, cada um recebe um certificado e uma taça de champanhe para celebrar a inesquecível aventura. O passeio custa 150 euros por pessoa e cada balão leva 20 pessoas. Antes do vôo, às 6 da manhã, servem um saboroso café.
Os noivos Alessandra e Ricardo com seus pais. O novo casal residirá em Londrina. O enlace Cereda-Bortolozzo teve Vera Sorgi cuidando de todos os detalhes
O advogado londrinense Antonio Ferreira subiu neste balão para fotografar a região da Capadócia, que parece uma paisagem lunar. Disse que ficou encantado. Corintiano, vibrou ao saber que São Jorge, o padroeiro do seu time, é natural dessa região turca. Seu amigo Walace Aquino andou em outro balão, passeio que alguns turistas mais corajosos sempre fazem por lá.
Festa de 15 Anos
Foi uma noite de sonhos e grande felicidade para a jovem Luiza Giovanini Callado, que comemorou 15 anos durante festa movimentada no Villa Francines. A aniversariante está na foto com os pais, Gilberto Callado e Sarita Giovanini Callado, e com o irmão Henrique Callado. Cercada pelo carinho de familiares e muitos amigos, Luiza disse que jamais se esquecerá desse dia.





