Começa no sábado a primeira edição da New York Fashion Week sob a direção da agência de talentos IMG. Os lançamentos para a primavera 2002 devem ser marcados por uma produção mais orientada para o showbiz, com a imprensa e os convidados vips ganhando mais importância do que os compradores. Mas a temporada, que perdeu alguns de seus nomes mais importantes, também gera polêmica antes de começar.
Organizado anteriormente pelo Council of Fashion Designers of America, a Semana de Moda de Nova York sempre foi marcada pela moda comercial de marcas como Donna Karan, Calvin Klein, Tommy Hilfiger e Ralph Lauren. No ano passado, a IMG, que representa nomes como Gisele Bundchen e Tiger Woods, resolveu comprar os direitos do evento e transformá-lo em um show. A empresa tem planos de disponibilizar um determinado número de ingressos para venda ao público.
A mudança e o estado pouco animador da moda apresentada na cidade nas últimas temporadas foram o impulso necessário para fazer com que Helmut Lang decidisse voltar a mostrar suas coleções em Paris. Mau sinal: a alardeada mudança do estilista de Viena para Nova York, nos anos 90, deu novo vigor ao evento, que adiantou suas datas em relação às semanas de moda de Paris, Londres e Milão por sugestão de Lang. Além dele, Richard Tyler, Badgley Mischka e Randolph Duke também desistiram de participar do evento uma perda grande para o 7th On Sixth.
A idéia é apostar em pelo menos 20 ''novos'' nomes para fortalecer a programação. Assim, o evento passa a patrocinar duas marcas, Luella Bartley, de Londres, e Narcizo Rodrigues, que volta à sua cidade natal depois de trabalhar por três anos em Milão na criação da Loewe, que faz parte do conglomerado LVMH.
Por outro lado, o estilista Anand Jon, que está estreando no evento, acusa a organização de estar cancelando seu desfile a pedido da DKNY, já que os dois eventos aconteceriam no mesmo horário. Ele alega que os produtores devolveram o dinheiro de sua inscrição e ''fecharam todos os canais de comunicação''. ''É muito triste para a nova geração de estilistas'', disse ele ao jornal ''New York Post''.
Polêmicas à parte, a programação desta temporada continua morna. Além dos nomes de peso da cidade (Marc Jacobs, Michael Kors, Bill Blass, Anna Sui), o calendário deve ter como destaque a recente geração moderna (Kathayone Adeli, Orfi, Miguel Adrover). A marca espanhola Custo Barcelona também deve chamar atenção no evento, enquanto o estilista da primeira-dama Laura Bush, Michael Faircloth, deve ser a piada da semana. O Brasil novamente vai estar representado por Fause Haten (no dia 10, às 11 horas) e a Rosa Chá (dia 12, às 21 horas).
Em termos de estrutura, o 7th on Sixth passa a ter mais patrocinadores e, provavelmente, mais conforto para todos os envolvidos. As tendas do Bryant Park (localizado na Sexta Avenida, entre as ruas 40 e 42, na região central de Manhattan) vão ser decoradas por uma instalação em 3-D assinadas pelo artista Stephen Sprouse (que chamou atenção na última temporada com as bolsas grafitadas da Louis Vuitton), com distribuição de óculos especiais aos pedestres.
O evento também vai ter uma exposição de gigantescas fotos que fazem parte do livro ''Fashion'', de Cathy Newman, que analisa a influência de várias tribos étnicas na moda atual por meio de imagens da ''Revista Geográfica Universal''. Os desfiles vão até o dia 14 e o calendário oficial está no web site http://www.7thonsixth.com.

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