Determinação. Não por acaso, substantivo feminino, que na trajetória da operadora aerotática Bruna Roberta Mayer, 33 anos, ganha asas que, literalmente, passaram alçar o céu com a mais recente façanha, a conclusão do 11º Curso de Operadores Aerotáticos, realizado entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, no Estado do Maranhão.

Tal feito a capacitou a integrar a equipe do GOA (Grupamento de Operações Aéreas), da Polícia Civil, criado em junho de 2016, e de quebra fazer história na corporação já que ela é a primeira mulher a pertencer a um grupo de operações aéreas no Paraná. Pudera, só para estampar no currículo a conclusão de um curso tão rigoroso, ela passou por uma seleção de 90 candidatos, dos quais 25 foram aprovados e apenas 13 conseguiram resistir até o fim, dentre os quais Bruna, que finalizou com o 7º melhor desempenho. "Nem melhor nem pior, no meio da lista. Fui tratada com igualdade, fazendo tudo que os meus demais colegas fizeram e na única exceção que era a dispensa para raspar o cabelo, fiz questão de passar a máquina 1 como os demais, justamente para eles conseguirem me ver como uma deles", explica. "Acredito que quanto mais me preparo, mais eu consigo eliminar qualquer estranhamento em um ambiente predominantemente masculino."

Além de não criar qualquer situação que a colocasse em uma condição diferente dos demais colegas do treinamento, Bruna também decidiu raspar os cabelos para evitar qualquer interferência ou risco durante a jornada de capacitação que incluía salto em plataforma, corrida de resgate e o uso do avião, com o risco iminente dos fios enroscarem. "Eu me entreguei de corpo e mente e vi que minha atitude de raspar os cabelos junto ao grupo era uma forma de me alinhar com eles em um treinamento tão pesado que era aguentar ou sair. Cheguei várias vezes ao meu limite, mas nunca pensei em desistir", garante.

Como a natureza não dá saltos, nem Bruna, antes de ingressar no GOA, a ponta-grossense trilhou um sólido caminho de esforço e superação, em que ir além dos limites foi a tônica dominante desde muito cedo tanto nos esportes, quanto nos estudos. "O fato de eu ser filha de professores e o meu pai valorizar o esporte influenciaram muito a minha vida." Caçula de três filhos, Bruna começou a fazer natação por conta de uma recomendação da vizinha. "Minha mãe aceitou a sugestão da vizinha a fim de gastar a 'energia da menina'", recorda. Quis o destino que a modalidade de mais destaque fosse o nado borboleta, mostrando que a relação de Bruna com as asas já vem de longa data. "Participei de várias competições como jogos abertos representando Ponta Grossa e, sinto que os benefícios do esporte para a minha vida são inúmeros, ajudou até mesmo no TAF (Teste de Aptidão Física) para o curso no Maranhão", destaca

Não por acaso, ela se graduou em educação física da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), só depois que enveredou para a carreira na polícia. "Não cheguei a exercer a profissão porque ingressei na PM (Polícia Militar) no ano em que me formei", conta. Ela se mudou para a capital na sequência, ao ser aprovada no concurso para a Polícia Civil, no qual ela precisou fazer a capacitação em Curitiba, no curso de Formação de Investigadores, obtendo o 2º lugar na turma de 2009, em um grupo com mais de cem policiais. Como policial civil, Bruna teve a oportunidade de trabalhar na Delegacia da Mulher, por dois anos e meio, depois integrou a Delegacia de Futebol e Eventos, integrando o grupo que atuou na Fan Fest durante da Copa do Mundo de 2014 e, antes do GOA, a policial estava no 9º Distrito Policial. "Simultaneamente, cursei Direito e me formei em 2015. Sempre considerei importante o curso para melhorar como policial e servidora."

O ingresso no GOA de alguma forma se deve a uma tentativa frustrada de fazer parte do Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressões Especiais). "Fiquei por 50 metros no teste de corrida, que exigia completar 2.700 metros em 12 minutos, mas recebi tanto apoio que isso me motivou a treinar. Fiquei um ano em meio me preparando para o TAF do curso do Maranhão", afirma. Antes de se candidatar, Bruna diz que já se projetava trabalhando. "Fui visitar o grupamento antes e passei a me sentir trabalhando no helicóptero."

De volta ao Paraná, ela conta que desde janeiro está em uma espécie de estágio, para adaptar a capacitação recebida no Maranhão à realidade do GOA. "Tem sido gratificante, porque a minha função de operadora é ser o 'olho de trás' do piloto, ajudar a pousar e decolar e, na terra, fazer a guarnição. Exige muita responsabilidade, mas a vontade de ser uma boa operadora faz tudo valer a pena", avalia.

Discreta sobre a vida pessoal, ela conta que namora há dois anos e meio e nas horas vagas costuma passear com seu cachorro. Quanto ao comprimento do cabelo, ela conta que se acostumou, mas pretende deixar crescer até onde não comprometer a profissão. "Quando olho no espelho, sei que raspei por um grande motivo. Aliás, quando penso que consegui concluir esse curso, sinto uma satisfação imensa porque sei que me superei em todos os momentos. Acredito muito que uma mulher determinada ninguém segura, dada à nossa força de vontade e obstinação."

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