Simples assim
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de junho de 2007
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Foi aos 13 anos que a curitibana Kamille Cunha demonstrou pela primeira vez uma certa aptidão à moda. Ela já tinha saído da fase roupinhas para bonecas e estava começando a sair com os amigos. Já demostrava estilo para se vestir, mas nem sempre encontrava o que queria nas lojas. Por isso, passou a desenhar modelitos e levar para a costureira da família confeccionar. Começava aí um carreira promissora, que ela assumiria mais tarde, quando, no final da década de 90, deixou Curitiba para cursar moda na aclamada Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo. Hoje, aos 30 anos, depois de um intervalo em que se dedicou a outras funções, como a de produtora e apresentadora de TV, Kamille comemora a boa fase.
Ela acabou de ganhar visibilidade internacional ao desenhar um modelo exclusivo, feito por encomenda para a atriz Letícia Sabatella, e foi convidada para desenhar acessórios para uma grife francesa. Os dois trabalhos têm uma coisa em comum: a inspiração na fauna e flora amazônicas. Mas nem tudo são flores na trajetória da jovem estilista. Quando cursava uma das mais concorridas faculdades de moda do Brasil, Kamille chegou a trabalhar com vendas, na Fórum. Foi horrível, sou uma péssima vendedora, brinca a estilista que lembra nunca ter atingido as cotas.
Mas a simpatia e estilo da moça falaram mais alto e, logo, ela foi transferida, dentro da própria marca, para a fábrica. Trabalhando na área de supervisão de franquias podia ter mais espaço para observar os modelos e fazer contatos. A dedicação, no entanto, custou uma opção: deixar a faculdade para se dedicar ao trabalho. Pouco tempo depois, Kamille já fazia estágios na PZA, que criava produtos para marcas como Iódice e Zoomp. Trabalho não faltava, mas, em 2001, Kamille optou por voltar para a cidade natal. Começaria ali um hiato que traria novas experiências para a moça.
De volta à capital paranaense, Kamille trabalhou como figurinista de TV e produtora até chegar à frente das câmeras, como apresentadora. Foi um susto, mas foi superbacana. Me envolvi com isso, revela. Até que, novamente, chegou a hora de ela escolher. O lado pessoal pesou. Eu tive que pintar o cabelo de loiro... estava sendo uma pessoa que não era... , analisa. Pouco tempo depois, nova mudança. Kamille deixou tudo para acompanhar o namorado na pacata cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Lá, ficou por mais de um ano e foi exatamente nessa fase que sua vida deu outra reviravolta. Ela transformou o ócio em criação e quando viu, a casa inteira estava repleta de desenhos que dariam uma coleção inteira de novidades.
Com a produção intensa, não demorou para ela retornar mais uma vez para a capital. Na volta, aproveitou também para fazer um curso de costura. Passou a produzir as próprias peças. Na primeira vez que saiu com um vestido desenhado e costurado por ela, ela recebeu 24 pedidos da mesma peça. Nessa mesma época, foi aceita para participar do moderno Mundo Mix, em São Paulo. O evento foi muito bem-sucedido, mas Kamille não quis repetir a dose. Nesse período, ela ainda trabalhava sob a grife Kac e ainda não utilizava seu nome. Mas quem lembra da grife, sabe que vários DJs da MTV esbanjaram peças da então Kac na televisão.
Influenciada pelo produtor e empresário Paulo Martins, que também já virou grife quando o assunto é moda em Curitiba, Kamille passou a utilizar seu próprio nome em suas criações e, foi assim, com cara, nome próprio e coragem, que ela levou pela vez para a passarela suas criações. Quando acabou o desfile, que teve peças inspiradas na escultora Camille Claudell, a curitibana foi convidada para representar o Brasil no Ano do Brasil na França. Era para ficar 15 dias, mas ficou dois meses. Um período de muita pesquisa e reflexão.
De lá para cá, Kamille não parou mais de criar e é exatamente nessa fase que a estilista se encontra. Além de cursar a Faculdade Música e Belas Artes, também está se dedicando à criação de novos produtos, como os acessórios que está desenvolvendo para Jeriloa Design du Brésil, do francês Stephane Darmani, e que deve ganhar as lojas em setembro. Um achado para quem, como Kamille, acredita na moda como identidade. Eu não vejo a moda como consumo, mas como um produto de arte que separa as pessoas em guetos, afirma.
Nessa selva, encontrar uma peça que reflita a personalidade de cada um, é sempre uma dádiva.


