SHOPPING MUDOU PERFIL DE LONDRINA
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de dezembro de 2000
Walmor Macarini 
O advento do Shopping Catuaí o primeiro de Londrina e que agora comemora dez anos de existência sofisticou o perfil do comércio da cidade, modificou usos e costumes e criou uma nova mentalidade no comportamento das pessoas. Isto veio ocorrendo de maneira natural e espontânea, a ponto de passar imperceptível.
Antes, o comércio ainda guardava as marcas de província, com suas lojas sem vitrinas atrativas, despontando uma ou outra, com destaque para algumas butiques, que cobravam preços exorbitantes, porque a clientela ainda não conhecia os parâmetros das griffes e nem a sua imensa gama de variedades. O shopping viria a torná-las conhecidas, assim como os preços, obedecendo a tabelas nacionais.
Os supermercados não tinham tantas opções de produtos alguns até desconhecidos e o advento do Carrefour, que veio anexado ao mix do shopping, criaria um novo conceito, e a partir daí os demais passaram a seguir-lhe os passos. O novo perfil de embalagem e vitrinismo de carnes, por exemplo, criou novos conceitos de escolha e higiene, e a partir daí, casas do ramo que foram surgindo na cidade passaram a imitar esses modelos. As lojas do centro, bares, restaurantes, padarias, passaram e ser redesenhadas segundo melhores padrões, porque tinham no shopping o referencial. Os próprios clientes passaram a não aceitar o que não tinha a marca da modernidade.
O advento das praças de alimentação democratizou a convivência, e pessoas de todos os níveis passaram a usufruir do luxo do ambiente, do ar condicionado e da sofisticada padronização dos serviços. Ricos e pobres tomaram assento a mesas idênticas, comendo juntos a mesma comida, no mesmo recinto, sem distinções. Fez-se a justiça social nivelada por cima. Os shoppings foram um grande invento. Alguém haveria de criar um modelo de lugar onde todos seriam iguais.
No que respeita a Londrina, isto tudo se deve a um homem: Alfredo Khouri. Londrinense, nascido em Adamantina (SP), com passagem pela República de Bela Vista do Paraíso, onde viveu enquanto seu pai e sua mãe Zaqui e Badia Khouri preparavam-se para fincar raízes em Londrina, depois da aventura de deixar o Líbano e imigrar para o Brasil. Por que República? Porque assim alguns londrinenses ilustres, pioneiros das primeiras horas, graciosamente a denominaram. As propriedades aqui eram caras, então eles, que chegavam sem dinheiro, estacionavam na vizinha cidade antes de ancorar em Londrina.
Alfredo Khouri, engenheiro civil, já pelos idos de 1986 imaginava um shopping em Londrina, pois via que as pessoas de mais posse iam comprar roupas, sapatos e outros bens, em São Paulo, até hoje a capital dos londrinenses. Seu plano inicial era construí-lo na Avenida Higienópolis, e para tanto começou a comprar terrenos em toda a quadra compreendida entre as ruas Pará, Goiás e Belo Horizonte. Mas depois optaria por uma região fora do centro, e o lugar seria uma propriedade agrícola, o lugar onde hoje está o shopping.
Associado com seu irmão Jorge Khouri, arrojou-se nessa empreitada, e o resultado é o que hoje vemos. Um empreendimento previsto para 30 milhões de dólares e que, segundo Alfredo, chegou a 50 milhões no dia da inauguração, computando-se o investimento nas lojas prontas e decoradas.
Hoje Alfredo Khouri conta o que foi essa epopéia e revela que a grande dificuldade foi saber o que fazer, e trazer as grandes lojas. Como todos os grande negócios, o dinheiro, naturalmente, era o fator fundamental. Então Alfredo saiu pelo mundo visitando shoppings, e diz que conheceu mais de 100. Foi aí que aprendeu o que era esse conceito de lojas e serviços concentrados, que viria a se denominar shopping centers.
Por herança familiar, sempre envolveu-se com negócios de lojas de varejo, depois entrou no ramo da confecção e da construção. O tripé estava armado. O caminho para o shopping era só um passo.
Passados 18 meses depois da grande decisão, o Shopping Catuaí seria inaugurado em 21 de novembro de 1990, com 186 lojas, seguindo um luxuoso figurino que faz, desse empreendimento, algo que o mantém tão novo e moderno como se houvesse sido inaugurado hoje. Um certo arquiteto Bernard Kaplan seria o projetista, com a experiência de haver planejado outros tantos. Alfredo Khouri tinha o talento de identificar-se com os melhores. O shopping se chamaria Eldorado, depois optou-se pelo nome de uma variedade de café cultivado aqui o catuaí que se somava ao bourbon e ao sumatra.
Procuradas, grandes âncoras fecharam negócio, antes de o shopping ser construido: C&A, Sears-Dillards, Pernambucanas, Eldorado, Mac Donalds, depois Americanas, Carrefour, e na sequência as satélites. Alfredo não vendia apenas sua idéia do shopping, mas também a cidade. Londrina era um bom produto, só bastava sacar os pedidos... Mas alguém tinha que exibir o mostruário, fazer o marketing e fechar a venda...
Alfredo começou com recursos próprios, mas depois foi bater às portas dos fundos de pensão, primeiro os da Ligth, no Rio de Janeiro, a seguir os da White Martins, da Union Carbide, da Embrapa, do Banco Regional de Brasília, do Banco do Estado de Goiás. Todos entraram no negócio. A Caixa Econômica figurou como financiadora.
A administração, hoje, é dos empreendedores, através de uma empresa especializada, a Victor e Shellenberger (que administra dez shoppings no Brasil). Os lojistas com Eduardo Caran na presidência têm parceira nas campanhas de marketing.
Alfredo Khouri ufana-se de dizer que 98% das lojas sempre estiveram locadas, nestes dez anos, e que metade delas permanece, desde o início. Os números mostram que 500 mil pessoas/mês passam pelo shopping, 70% delas de Londrina e 30% da região e de outras cidades, inclusive do sul do Estado de São Paulo.
Desde novembro de 1992 o Shopping Catuaí abre suas lojas também aos domingos, e foi o primeiro no Brasil a operar, legalmente, neste dia da semana. O domingo informa Alfredo passou a ser o segundo melhor dia de vendas, depois do sábado. Diz que isto é universal. Foi uma luta alcançar essa conquista revela pois o sindicato dos empregados era contra, sendo então criado um sindicato próprio. Na época, antes da legalização, as lojas preferiam abrir as portas mesmo pagando as multas, porque mesmo assim compensava.
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